“A economia primeiro, depois, logo se vê”, por Vasco Damas

Foto: DR

Esclarecimento prévio: para sossegar o espírito daqueles que defendem o indefensável por estarem amarrados a uma ideologia militante que não convive tranquilamente com o contraditório, esta crónica não é política. Baseia-se em factos e limita-se a avaliar gestão de prioridades.

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Errar faz parte do processo de aprendizagem. Não aprender com os erros normalmente demonstra falta de inteligência. No caso presente também pode ser reflexo de falta de liderança ou, em limite, de falta de coragem, até porque uma, habitualmente está relacionada com a outra.

Sem demagogia, o momento exige que o país tenha uma liderança forte e que tome decisões com coragem. A mesma coragem que esteve por trás das decisões que nos têm obrigado a salvar bancos. E não me venham dizer que as coisas não são comparáveis, porque de facto não o são, e entre salvar vidas ou salvar bancos, não devia sequer haver dúvidas.

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Situações desesperadas exigem medidas excecionais mas o que temos presenciado diz-nos que estamos num país bipolar que trata de maneira diferente problemas iguais.

Aconselhar a que sejamos socialmente responsáveis ficando em casa, fechando o público e mantendo aberto o privado é, no mínimo, difícil de entender.

O entendimento torna-se ainda mais difícil quando se apoia o público a 100% e o privado apenas em 66%.

Não pretendo recuperar o tradicional “push and pull” entre público e privado porque o momento é, ou pelo menos, devia ser, de unidade nacional com alinhamento coletivo, mas não posso deixar de questionar a lógica discriminatória por trás de cada uma destas decisões.

Decidir com base em números, condenando pessoas para defender a economia é contranatura e, no mínimo, desumano. Mostra, acima de tudo, a orfandade de liderança a que estamos condenados. Mostra também a falência da estratégia que é subjugada pela tática. Mostra, em ultima instância, a incompetência de quem quer poupar agora sem perceber que vai pagar muito mais caro depois.

O momento é de ação. De proação e não de reação. Cada minuto perdido deixa-nos mais longe da solução que todos desejamos e, acima de tudo, deixa em risco todos aqueles que não podem ficar em casa.

Talvez valha a pena olhar para Rui Moreira para aprendermos com o exemplo do que se está a passar no Porto. Antecipar cenários, tomar decisões corajosas e garantir o seu cumprimento. Em defesa das pessoas que serão o garante da recuperação da economia. Uma espécie de antítese nacional, que defende a economia primeiro e, depois, logo se vê. Ignorando, esquecendo ou não se importando que para muitos, “logo” será sempre tarde demais.

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