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“A dimensão do homem certo”, por Hália Santos

Estou muito feliz com a notícia de António Guterres!

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Sim, é uma boa notícia. É bom saber que temos o homem certo, no local certo. É bom vermos que alguém constrói uma carreira com base em valores, com preocupações de verdadeira cidadania e solidariedade, e que é reconhecido por isso.

Há quem diga que é uma vitória da diplomacia, mas é muito mais do que isso, como reconhecem pessoas de todos os quadrantes. Nestes momentos, sabe bem perceber que as questões partidárias ficam longe dos comentários. É bom saber que o mérito é reconhecido, independentemente das cores políticas. Só fica bem a quem o faz. Por exemplo, quando Carlos Moedas diz que Guterres é “o homem mais impressionante que alguma vez conheceu” só está a dar provas de inteligência política. E dá, também, uma verdadeira lição de saudável convivência no espaço público.

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Sim, porque Guterres é, de facto, um homem fantástico, que só pode reunir consensos. Tive o privilégio de o conhecer e posso garantir que basta ter estado uma vez com ele, num ambiente mais ou menos informal, para se perceber a grandeza do homem. Depois, falando-se com pessoas que o conheceram bem, vai-se percebendo a sua dimensão.

Ouvi alguém que o conheceu bem elogiá-lo por pequenos episódios da sua vida, como o das explicações de Matemática que dava a alunos, certamente carenciados, e a referir a alegria que tinha quando sabia que entravam na universidade. Mas isso parece tão pouco para caracterizar um homem bom…

Claro que é muito pouco. Mas a ideia que se tem, a ideia que tem quem conversa com quem o conheceu melhor, é que Guterres é o homem que não gosta que se fale dele. É o homem que faz o que tem que fazer, sem gostar de parangonas de jornal. Faz porque sim. Por isso, quando Ramos Horta, o Nobel da Paz timorense, diz que “a ONU precisa de alguém com o coração no lugar” está a dizer tudo o que é preciso sobre Guterres.

A sensação que fica é que muito do que é essencial sobre Guterres nem se sabe.

Há episódios de bastidores que o caracterizam bem, mas que nunca saltaram para a opinião pública. Nem tinham que saltar. E há outros que foram muito mal contados…

Ah! A velha história do PIB!!

Mas alguém acredita que António Guterres, então primeiro-ministro, não soubesse qual era ao PIB de Portugal? Claro que sabia! Mas pagou caro por aquele deslize, naquele que foi, talvez, um dos piores momentos da sua vida pessoal.

Ser figura pública, com altas responsabilidades políticas, também significa ter estofo para aguentar com o que é justo e com o que não é justo.

A história do PIB foi uma história mal contada, que nem deveria ter sido contada. Há episódios da vida política que são efetivamente irrelevantes. O que interessa é a consistência de uma carreira.

Sim. E, neste caso, os apoios baseiam-se sobretudo na faceta humana de Guterres, na sua capacidade de diálogo, na sua inteligência. Pode não ser suficiente para gerir um organismo da dimensão da ONU. Mas certamente que Guterres sabe bem o que o espera.

Sobre isso não devem restar grandes dúvidas… E que não restem dúvidas a ninguém de que as pessoas, eleitas para que cargo for, o devem ser por mérito. Se houve coisa que me irritou ao longo deste processo foram os comentários de que Guterres poderia não ser escolhido por não ser mulher! Se não me agrada que as mulheres sejam eleitas só para cumprir quotas, muito mais me irritaria que o candidato certo, para o lugar certo, no momento certo não o fosse por ser homem! Sou mulher, mas isto irritar-me-ia solenemente…

 

Professora e diretora da licenciatura em Comunicação Social da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes (ESTA), do Instituto Politécnico de Tomar, doutorou-se no Centre for Mass Communications Research, da Universidade de Leicester, no Reino Unido. Foi jornalista do jornal Público e da Rádio Press. Gosta sobretudo de viajar, cá dentro e lá fora, para ver o mundo e as suas gentes com diferentes enquadramentos.
Escreve no mediotejo.net à quinta-feira.

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