À Descoberta | Rotas e lugares de Mação conquistam cibernautas por todo o mundo

As cascatas do Pego da Rainha lideram o top dos cinco lugares mais procurados no concelho.

As recém-criadas e oficializadas rotas pedestres de Mação estão já a honrar o compromisso de atrair visitantes e dinamizar o concelho com os pés assentes na terra, mas também no campo virtual. Sinal disso é a crescente presença de visitantes no território das “montanhas azuladas” bem como a curiosidade aguçada dos turistas que partem à procura de locais idílicos, onde não faltam cascatas a fluir entre as rochas, miradouros com as terras a perder de vista, praias fluviais de águas límpidas e infraestruturas agradáveis de se aproveitar para tempo de qualidade com a família ou um bom parque para fazer um piquenique entre amigos.

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Após o lançamento do site e primeiras análise de dados, as Rotas de Mação reuniram os cinco lugares mais procurados no concelho, estando na liderança – como não podia deixar de ser – o místico e amazónico Pego da Rainha, mas imediações de Zimbreira, Envendos.

Segundo informação da Associação Rotas de Mação, as expetativas não têm saído defraudadas – nem com o constante impasse e medidas restritivas que a pandemia veio impor ao dia-a-dia – uma vez que o território tem recebido visitantes interessados em conhecer mais sobre as terras e gentes maçanicas, não só fisicamente, mas também por via de pesquisa e acesso às plataformas criadas para divulgação e promoção dos percursos pedestres e património.

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Após o lançamento do site oficial, em setembro, o ranking dos países com mais acessos revela que a medalha de local mais procurado – e conseguimos jurar que o mais fotografado do concelho – é o Pego da Rainha, na aldeia de Zimbreira, freguesia de Envendos. Local que pode ser visitado todo o ano, e que não perde jamais o seu esplendor, e que mereceu destaque de capa no número 1 da revista Ponto.

Pego da Rainha, em Mação. Fotografia de Paulo Jorge de Sousa para a PONTO – revista do mediotejo.net

Segue-se o Baloiço Panorâmico no Bando dos Santos, afamado e requisitado para as fotos em família e rei das partilhas nas redes sociais. Também o miradouro do Castelo Velho da Zimbreira encanta a todos, com a vista sobre o rio Ocreza e a Barragem da Pracana.

Baloiço panorâmico do Bando dos Santos, em Mação. Fotografia: Joaquim Diogo
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Quem não se fica atrás é o Poço das Talhas, em Queixoperra, que consegue ser rei de cliques a par do Miradouro do Bando dos Santos. Ambos com as suas especificidades, conseguem captar a atenção dentro e fora do concelho de Mação.

A Rota de Queixoperra é um dos percursos homologados. O Poço das Talhas é um dos ex-libris deste PR. Foto: Rotas de Mação

As Rotas de Mação são um projeto que quer “abrir o concelho ao Mundo”, e a verdade é que os resultados são animadores. Vasco Estrela, presidente da Câmara Municipal de Mação, admitiu que o verão de 2020, mesmo em contexto de pandemia, alcançou números de visita e pernoita em alojamentos locais bem acima da média, considerando que as Rotas de Mação para isso devem ter contribuído. E a verdade é que os portugueses optaram por “ir para fora cá dentro” e muitos optaram por escapar para o Interior do país aos fins-de-semana, feriados ou nas férias grandes.

Miradouro Bando dos Santos, em Mação. Fotografia: Joaquim Diogo

Segundo a associação, os portugueses têm lugar cativo no pódio, ocupando o primeiro lugar quanto aos acessos ao site. Seguem-se “Estados Unidos da América, Brasil, França, Canadá e Suíça” e depois “a China, o Qatar, a Alemanha e, por último, em 10º lugar, a vizinha Espanha”.

Entre o estudo de acessos e dados do portal, a associação nota que “75% das entradas no site são feitas a partir de telemóveis, 19,3% através de computadores e 5,7% usando tablets”, algo que reafirma “a pertinência” da aplicação para dispositivos móveis que se encontra em fase de testes.

A verdade é que Mação está na moda, seja verão, outono/inverno ou primavera, tendo capacidade de surpreender o visitante que se coloque o desafio de explorar o que tem para oferecer. É agarrar nas coordenadas semeadas pela Associação, e ir andando pelos trilhos, permitindo-se usufruir de uma experiência completa onde não faltam os campos pintados em tons de outono, matizados do verde fresco nas florestas alimentado pela geada da madrugada, e o som da água que (es)corre pelas quedas de água, pegos e cascatas límpida, gélida e certeira, acompanhados da banda sonora da avifauna e dos aromas e perfumes das aromáticas mimosas. Mação é, por isso, um destino que anseia ser descoberto, tendo sempre a porta aberta – escancarada, até – para acolher quem o visita, combinando o afeto e a generosidade das gentes com a arte de bem-receber.

As Rotas de Mação têm inúmeros pontos de água e cascatas sempre prontos a surpreender os visitantes. Fotografia: Joaquim Diogo

Recorde-se que as Rotas de Mação partem da vontade de um conjunto de voluntários, que pretendem elevar o património e identidade cultural do concelho por via da implementação de rotas pedestres que unifiquem o território e capacitem a sua fruição e preservação nas mais diversas áreas, da Arqueologia à História Local, do turismo de natureza à investigação científica, e através da promoção de atividades de cariz desportivo, de lazer, e outros, que propiciem uma maior valorização dos diversos pontos de interesse maçaenses. Na mira está também a vontade de, um dia, conseguir constituir um Geoparque em Mação.

O grupo de trabalho, com cerca de 40 voluntários com raízes em Mação ou com especial ligação ao território, converteu-se em Associação autónoma com o compromisso de conseguir alcançar os 14 percursos pedestres delineados, tendo para já sido homologados os primeiros quatro, que resultam em cerca de 80 km de rotas pedestres que já podem ser percorridas.

B.I. das Rotas de Mação:
Leonel Mourato, ortiguense, defendeu que o flagelo dos incêndios, a maior fraqueza do território maçaense, deveria tornar-se a sua melhor oportunidade. Impulsionou assim o grupo Rotas de Mação, com cerca de 40 voluntários. Foto: Joana Rita Santos/mediotejo.net

Foi em 2018 que Leonel Mourato, natural de Ortiga, decidiu propôr à Câmara Municipal que se começasse a ponderar a valorização do património natural e cultural enquanto produto turístico e vetor de desenvolvimento do concelho e da região. A intenção de Leonel era clara e sempre assim o defendeu: teria de se fazer da maior fraqueza daquele lugar a sua maior oportunidade, isto é, após a devastação causada pelos incêndios florestais que assolam ciclicamente o concelho, teria de se trabalhar para mostrar que Mação se faz de muito mais do que terra queimada.

Começou por organizar em parceria com a Junta de Freguesia de Ortiga e a Liga Regional de Melhoramentos um evento de geocaching denominado “Rota das Três Províncias”, mostrando a confluência do concelho de Mação entre três territórios distintos: Beira Baixa, Alto Alentejo e Ribatejo. Aqui vieram centenas de participantes de norte a sul do país, atestar a potencialidade e as maravilhas que Mação tem para oferecer.

O bichinho do pedestrianismo e do geocaching, coordenados pelo amor às raízes, fez com que a fé de Leonel movesse montanhas, e que outros maçaenses ou simpatizantes do concelho alinhassem num movimento voluntário para desenhar um projeto viável e sustentável a longo prazo, com objetivos claros no horizonte: aproveitar o território, a tradição, o património histórico e natural e as suas gentes para atrair visitantes e com isso dinamizar a economia local e projetar o concelho no país e além-fronteiras.

Foto: mediotejo.net

Abrindo as portas de Mação ao mundo, surge o projeto Rotas de Mação, que sobreviveu a outra vaga de incêndios em 2019 e que está a ser posto à prova pela pandemia de covid-19, situações que atrasaram a concretização do cronograma inicial de trabalho e impediram a realização de algumas iniciativas, mas que ainda assim o grupo tem feito por cumprir.

Também no final de 2019 celebrou protocolo com 35 entidades maçaenses, entre as quais o Município de Mação, as juntas de freguesia, as associações locais, forças de segurança e Bombeiros, o Agrupamento de Escolas Verde Horizonte e o Instituto Terra e Memória, entre outros parceiros locais.

Em 2020 começou a corrida contra o tempo para a marcação e colocação de sinalética nos primeiros percursos, referente à Rota do Cabeço da Cruz, a Rota do Brejo e Bando dos Santos, a Rota do Carvoeiro, a Rota de Ortiga Sul e a da Queixoperra. Estes percursos estão já homologados pela Federação de Campismo e Montanhismo.

Foi lançado o instrumento de divulgação e comunicação, o portal online www.rotasdemacao.pt, com “interface bastante agradável e acessível”, estando a aplicação para dispositivos móveis em desenvolvimento e a ser testada. Esta vai permitir consulta de mapas interativos em tempo real, informação sobre pontos de interesse e dos percursos pedestres.

O Plano de Socorro é pioneiro a nível nacional, e tem sido a grande aposta, com marcação das balizas de socorro ao longo dos percursos pedestres, que estão georreferenciadas. “O turista do futuro vai dar prioridade à segurança”, defende Leonel Mourato, entendendo que esta é uma aposta que tinha de ser feita e determinante para o sucesso e longevidade do projeto.

Órgãos sociais tomaram posse para constituição formal da associação autónoma das Rotas de Mação. Foto: mediotejo.net

O grupo está a trabalhar com 2022 no horizonte, altura em que pretende ter já homologados 14 novos percursos pedestres (o percurso da Rota do Cabeço da Cruz, na vila de Mação, já existia enquanto rota urbana e foi adaptado).

No dia 3 de outubro de 2020, os órgãos sociais do grupo “Rotas de Mação” tomaram posse no primeiro ato formal da associação que se encontra em constituição. Será uma associação autónoma, tendo como objetivo divulgar, dinamizar e preservar o património natural, cultural, histórico e social do concelho de Mação, nunca esquecendo que trata um projeto do povo de Mação, nascido na sociedade civil.

O projeto Rotas de Mação marca forte presença nas redes sociais, onde se tem afirmado também no país e no mundo, permitindo que seja acompanhado o trabalho, promoção e atualizações quanto ao que está a decorrer no terreno, bem como o feedback de visitantes, amantes da natureza e adeptos de caminhadas sem fim, estabelecendo um contacto de proximidade e acolhimento ao estilo maçanico.

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Joana Rita Santos
Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres: o conhecimento e o saber, a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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