À Descoberta: Museus no Médio Tejo

*Este artigo é parte integrante de uma série especial sobre os Museus no Médio Tejo. Descubra mais sugestões em mediotejo.net

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Do neolítico ao Império Romano, passando pelas invasões bárbaras, a reconquista cristã e a Batalha de Aljubarrota, não esquecendo a devastação deixada pelas Invasões Francesas, o Médio Tejo tem uma História rica em monumentos e Museus que refletem a sua tradição, sobretudo agrícola, religiosa e de posição estratégica militar. Por aqui andaram visigodos, romanos, muçulmanos, castelhanos, franceses e ingleses. Não sendo um grande centro de formação da nacionalidade, o Médio Tejo foi quase sempre uma rota de passagem, uma linha estratégica, com grande influência das ordens religiosas militares, como os Templários e os Hospitalários, a quem foram entregues grandes propriedades que hoje estão subdivididas nos vários concelhos.

Mação e Vila de Rei possuem vestígios neolíticos, Barquinha e Torres Novas do paleolítico, Tomar uma anta do megalítico. Ferreira do Zêzere e Sertã trazem referências ao general romano Quinto Sertório, grande conquistador da então Lusitânia, sendo em Torres Novas que se encontram os vestígios mais emblemáticos desta época, com a Villa Cardílio. Em Ferreira do Zêzere existem campas visigóticas, deixadas pelas invasões bárbaras. Dos muçulmanos conhece-se a passagem, com muitos castelos construídos por sua direção, como o de Abrantes, da Sertã e as fortificações que dariam mais tarde origem aos Castelos de Ourém, Almourol e de Torres Novas, já após conquista por Dom Afonso Henriques.

O primeiro rei de Portugal foi bastante ativo no Médio Tejo, tendo reconquistado para a cristandade praticamente toda a região e entregado boa parte dela aos Templários (que construíram em Tomar a sua sede). Daqui nascem as muitas lendas existentes de mouras apaixonadas ou “encantadas” por cavaleiros cristãos, como em Ourém, Abrantes ou Vila de Rei.

Aquando a extinção dos Templários, algumas das suas propriedades foram transferidas para a Ordem de Cristo, mas outras foram sendo entregues a cavaleiros e nobres. Um deles é Dom Nuno Álvares Pereira que, nascido em Cernache de Bonjardim, na Sertã, terá atravessado a região até Aljubarrota (1385), para salvaguardar Portugal à anexação castelhana. Ao longo do percurso até São Jorge (Porto de Mós) são muitas as lendas associadas a paragens em capelas para rezar pela vitória, uma das quais as ruínas de São Sebastião, em Ourém. D. Nuno Álvares Pereira receberia o título de Conde de Ourém, atualmente na Casa de Bragança. Na região há ainda baronatos e outras títulos ligados à nobreza feudal e fidalguia portuguesa.

Domina sobretudo a influência religiosa, com santuários, conventos, mosteiros, igrejas, capelas e ermidas centenárias em praticamente todas as localidades, algumas belos exemplares do manuelino ou do barroco português. A linha Fátima-Tomar-Dornes é ela própria dotada de um certo misticismo, associado não só ao catolicismo mas também a várias crenças populares e novas correntes espirituais.

O Médio Tejo foi sempre uma região agrícola, do pobre trabalhador rural, de rio e serra, de aldeias e vilas. A única indústria de renome é a dos curtumes, nascida no século XVIII em Vila Moreira (Alcanena), não se sabe bem com que origem. Mas também em Tomar uma grande atividade industrial, ligada a vidro, têxteis e papel, perdurou entre os séculos XVII a XIX. No inícios daquele século toda a região sofre com a devastação causada pelas invasões francesas, tendo sido destruídos vários arquivos que ainda hoje afetam a investigação histórica local.

Também há figuras da política, artistas, poetas e grandes escritores. Esta é, afinal, a região de Camões, Roque Gameiro, Humberto Delgado, Fernando Lopes Graça, José Manuel Cardoso Pires, Carlos Reis e Maria Lamas.

E vale a pena descobrir mais sobre esta, que é a nossa história, nos museus do Médio Tejo.

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