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Sábado, Setembro 25, 2021

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À Descoberta | Gavião Nature Village: estilo e conforto para desconfinar na natureza


Para os amantes da natureza e do conforto surgiu o glamping. Ou seja, para quem aprecia acampar mas dispensa as preocupações de montar tenda ou descarta a simplicidade de dormir no chão, enfiando-se num saco-cama, esta é a forma ideal. Glamping é um “campismo com estilo”, e já o pode fazer no Alto Alentejo: o projeto Gavião Nature Village abriu no dia 19 de março, apesar da pandemia.

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Há espaços onde o tempo parece não passar, onde o olhar vai tão longe que da boca dificilmente saem palavras. Do alto do Gavião Nature Village o olhar atravessa o rio Tejo e pousa no Castelo de Belver, nas escarpas e elevações ondulantes que o rodeiam em verdes pinceladas. No meio da natureza, o eco-glamping de Gavião abriu portas no Dia do Pai e recebeu logo três famílias prontas para ali acampar, ansiosas por uma escapada campestre mas confortável.

Glamping é a junção das palavras ‘glamour’ e ‘camping’, e é uma nova tendência turística que tem ganho terreno nos últimos anos, sendo o conforto a principal diferença entre o campismo e o glamping.

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Créditos: Gavião Nature Village

No Gavião Nature Village as rudimentares tendas dão lugar a tendas amplas com transparências (pode tomar banho ou adormecer a ver o céu estrelado), com camas aconchegantes em vez dos habituais sacos-cama e casas de banho individuais, revestidas a cortiça. Além das tendas, o eco-glamping possui bungalows, pequenas cabanas igualmente revestidas a cortiça que oferecem maior comodidade.

Ainda que o empreendimento turístico tenha uma zona de acampamento livre, até mesmo essas 16 tendas pertencem ao glamping (são alugadas por 25 euros) e os campistas têm direito ao pequeno-almoço, wifi, piscina e circuito de spa, tal como os hóspedes das tendas glamping e dos bungalows.

Zona de tendas glamping no Gavião Nature Village. Créditos: mediotejo.net

As tendas são para quatro pessoas, com uma diária de 17 euros cada uma até maio, e de 22 euros em época alta. Um preço bastante diferente das tendas gampling, que têm diárias entre os 99 euros e os 125 euros por noite. Os bungalows têm preços entre os 190 e os 380 euros por noite.

Situado perto da praia fluvial do Alamal, este novo empreendimento turístico disponibiliza 10 bungalows ecológicos – seis para quatro pessoas, dois para oito e outros dois para visitantes com mobilidade reduzida –, que se estendem pelo declive do campo, numa espécie de anfiteatro.

As 13 tendas glamping ficam rodeadas por um lago e vinhas, equipadas e decoradas como se de um quarto de hotel se tratasse, com mobiliário ecológico e sustentável. Há tendas em três tipologias: seis familiares com cama de casal e um beliche; seis para amigos com quatro camas de solteiro e uma romântica, oferecendo uma cama redonda.

Todas as acomodações são suportados por uma clubhouse composta por receção, bar/restaurante, sala de eventos, zonas de estar e de convívio e um pequeno wellness center.

Um dos bungalows do novo empreendimento turístico. Créditos: Gavião Nature Village

Nos bungalows com capacidade para 4 ou 8 pessoas existe uma zona de quarto com uma cama de casal e um beliche e uma pequena sala de estar. Estes também estão equipados com armários, ar condicionado e televisão.

As tendas foram concebidas numa temática floral com imagens e designações ligadas à flora da região, enquanto os bungalows apresentam a fauna como tema. Todas as acomodações encontram-se identificadas, no exterior, com pequenas rodelas em madeira de sobreiro, onde se leem os respetivos nomes: garça real, pica-pau verde ou gavião, são alguns exemplos.

Quarto num dos 10 bungalows ecológicos do Gavião Nature Village. Créditos: mediotejo.net

O eco-glamping disponibiliza ainda uma tenda para retiros ou eventos, como por exemplo uma ação de team building. Os projetos futuros dos proprietários passam também por realizar festas temáticas, organizar aniversários ou mesmo casamentos.

Para isso contam com o edifício que encontramos à entrada do empreendimento, onde se situa a receção, o restaurante, a loja de produtos locais, a sala de pequenos-almoços e o circuito de spa com jacuzzi, sauna, banho turco todos com janelas para a natureza. Fora do edifício, logo ao lado, estende-se a piscina.

A zona da piscina no Gavião Nature Village. Créditos: mediotejo.net

Todos os hóspedes têm acesso a esse circuito de relaxamento pensado para o bem-estar em comunhão com a natureza. Ali pode encontrar também as populares massagens costas e pescoço, ou a massagem de uma hora e corpo inteiro, massagem relaxante para uma ou duas pessoas em simultâneo e ainda massagens com pedras quentes. Devido à pandemia, o circuito de spa encontra-se, para já, encerrado, mas no futuro a ideia é também abrir ao público em geral, conta ao mediotejo.net Maria do Carmo, uma das proprietárias.

O Cadafaz Restaurant & Sky Lounge tem vista panorâmica para o Castelo de Belver, onde é possível saborear a gastronomia típica da região. Créditos: mediotejo.net

O Cadafaz Restaurant & Sky Lounge oferece uma vista panorâmica para o Castelo de Belver e aposta na gastronomia típica da região, como migas de bolota ou peixe do rio, assim como os enchidos, o azeite e os vinhos alentejanos. O chef é responsável por desenvolver uma cozinha regional com um toque moderno, que pretende exaltar o que de melhor se produz nas redondezas, com produtos biológicos de qualidade. O restaurante estará aberto ao público com opções vegetarianas, vegans, sem glúten e serviço take away.

Se a lei permitir, no dia 5 de abril o restaurante conta disponibilizar refeições ao ar livre, na esplanada. Para mais tarde, a 19 de abril, abrirá ao público seguindo as normas da Direção Geral da Saúde.

Paulo e Maria do Carmo Almeida e Fernando e Geny Couteiro, proprietários do Gavião Nature Village (da esquerda para a direita). Créditos: mediotejo.net

Foi em março de 2018 que o projeto do Gavião Nature Village foi apresentado na Casa do Povo de Gavião, pelos promotores Fernando e Geny Couteiro, Paulo e Maria do Carmo Almeida. Quatro sócios preparados para apostar no Alto Alentejo, vindos da capital. Só Fernando tem raízes na região.

E há paixões que ficam para toda a vida e por elas vale a pena largar o bulício da capital. Para Paulo e Maria do Carmo Almeida ainda é cedo. “Quem sabe na reforma…”, sugere Carmo. Para já, permanecem em Lisboa dando continuidade à sua panificadora, sendo Fernando e Geny Couteiro que ficam mais presentes no negócio turístico. Aliás, a ideia partiu deste casal – Geny é amiga de infância de Carmo – e decidiram arriscar, conta Carmo ao mediotejo.net. O projeto, inicialmente pensado para ser uma modesta unidade hoteleira, transformou-se num investimento de 1,5 milhões de euros.

Créditos: Gavião Nature Village

O sonho instalou-se num vasto terreno de oito hectares, com três vinhas, junto ao cruzamento “dos 4 caminhos” (para Belver, Alamal, Cadafaz e Gavião), este empreendimento com capacidade para 150 pessoas, que podem usufruir de um conjunto de serviços muito ligados à natureza, à cultura, gastronomia local e produtos endógenos.

Com o verão a aproximar-se, Geny Couteiro espera esgotar a capacidade do glamping. “Já temos 18 reservas para abril. As pessoas estão fartas de estar confinadas e com a pandemia muitos turistas optam pelo interior”, nota. Por isso “as perspectivas são boas”, diz, confiante.

Mesmo em cenário de pandemia, Carmo Almeida acredita que é possível “salvar o verão e que o glamping terá muita afluência”. O motor de reservas abriu no dia 17 de março “e teve logo três marcações”, refere.

Gavião Nature Village. Créditos: mediotejo.net

A unidade hoteleira oferece ainda espaço para animais – com uma cabra, um porco e galinhas – em jeito de quinta pedagógica, horta biológica, um parque infantil, um campo de jogos tradicionais e uma zona de balões de ar quente, “numa parceria com outra empresa, para oferecer todo o ano, desde que as condições climatéricas o permitam”, explica Carmo.

Os temas e vetores desta iniciativa assentam na cortiça, pedra (xisto) e café, por isso os tons da decoração centram-se essencialmente nos castanhos, no branco, nos beges e no verde água. Até ao momento foram criados 11 postos de trabalho diretos mas a expectativa passa por “criar mais”, afirma.

Até porque o eco-glamping do Gavião estende ainda a sua oferta à possibilidade de disponibilizar aos hóspedes piqueniques ao ar livre, um almoço ou um lanche preparados pela sua cozinha.

Nesta aposta de quietude encontramos ainda atividades de desporto/lazer como canoagem, passeios pedestres, cicloturismo, sendo alguns dos pontos-chave da oferta para esta nova unidade turística.

Do lado da Câmara Municipal de Gavião, o presidente José Pio manifesta-se convicto que o concelho em 2021 “está melhor preparado para receber os turistas do que no ano passado”. Recorda-se que, tal como o mediotejo.net noticiou, apesar do cenário de pandemia, 2020 foi o melhor ano de sempre para o turismo de Gavião.

Paulo e Maria do Carmo Almeida e Fernando e Geny Couteiro, proprietários do Gavião Nature Village com o presidente e o vice-presidente da Câmara Municipal de Gavião. Créditos: mediotejo.net

O Gavião Nature Village permite “a fruição de um espaço maravilhoso e a expectativa é enorme”, diz o autarca, lembrando, contudo, que “estamos condicionados pela pandemia”.

Mesmo com este projeto de alojamento para 150 pessoas, “se o verão for como o de 2020” José Pio teme que o concelho “precise de mais acomodações”. Com o Gavião Nature Village “passamos a ter condições excelentes”, considera, para que mais pessoas possam partir à descoberta da oferta existente no território – como a praia fluvial do Alamal, o passadiço à beira rio e os quatro percursos pedestres, o Castelo de Belver, o Observatório de Avifauna do Outeiro, o Museu do Sabão e o Núcleo Museológico das Mantas e Tapeçarias de Belver, por exemplo.

Tudo ali, a dois passos, num Alentejo muito diferente, com altas escarpas e aves de rapina – e agora também tendas de luxo, onde podemos adormecer a ver as estrelas.

A sua formação é jurídica mas, por sorte, o jornalismo caiu-lhe no colo há mais de 20 anos e nunca mais o largou. É normal ser do contra, talvez também por isso tenha um caminho feito ao contrário: iniciação no nacional, quem sabe terminar no regional. Começou na rádio TSF, depois passou para o Diário de Notícias, uma década mais tarde apostou na economia de Macau como ponte de Portugal para a China. Após uma vida inteira na capital, regressou em 2015 a Abrantes. Gosta de viver no campo, quer para a filha a qualidade de vida da ruralidade e se for possível dedicar-se a contar histórias.

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