À Descoberta | Fauna e flora do Médio Tejo

Poupa Foto: Flávio Catarino

Poupa (Upupa epops) – A sua poupa tão característica faz desta ave uma das espécies mais emblemáticas da nossa fauna, sendo inconfundível com o seu característico padrão preto e branco nas asas e a cabeça e pescoço ocres.  No entanto, a particularidade morfológica mais óbvia desta ave é a sua crista (poupa) pronunciada, orlada por pontas pretas, que, quando levantada, se assemelha a um leque. Emite uma vocalização extremamente fácil de ser identificada, um pouco semelhante ao cuco.

Abundância e calendário
Esta é uma espécie abundante e com área de distribuição ampla, podendo ser encontrada sobretudo em habitats florestais pouco densos, nomeadamente montados de sobro e azinho, carvalhais, e em pinhais, assim como nas imediações de campos agrícolas. Na metade sul do território, pode ser encontrada durante todo o ano, sendo, no entanto, menos abundante no Inverno. Na metade norte, ocorre principalmente entre março e setembro, podendo ser vista ocasionalmente no Inverno, em zonas de clima mais ameno.

A poupa é uma ave de médio porte, com 25–27 cm de comprimento, cerca de 50 cm de envergadura e cauda relativamente longa. A plumagem é acastanhada, sendo as asas pretas e brancas e a cauda preta. A poupa pontiaguda que lhe dá o nome é bem visível quando erecta. O bico é longo e recurvado e as patas são acinzentadas e curtas. O seu canto é um característico hoop-hoop-hoop que pode ser repetido ao longo de vários minutos.

O seu habitat preferencial é a savana africana e zonas de vegetação rasteira na Europa e Ásia, sendo também relativamente comum em zonas agrícolas. A poupa alimenta-se de insectos e suas larvas, bem como de minhocas e outros anelídeos terrestres, pequenos anfíbios e por vezes pequenas cobras. Embora prefira alimentar-se no solo, é também capaz de caçar insectos em voo.

A época de reprodução decorre entre agosto e outubro, dependendo da distribuição geográfica. Cada postura contém 2 a 6 ovos de cor azul-esverdeada. Os juvenis chocam ao fim de cerca de 17 dias de incubação, da responsabilidade exclusiva da fêmea, e permanecem no ninho durante cerca de um mês, recebendo os cuidados parentais de ambos os progenitores.

A principal característica dos ninhos das poupas, construídos em cavidades de árvore, é talvez o seu cheiro fétido, extremamente desagradável. O mau cheiro não se deve a falta de higiene no ninho, pois é sabido que a fêmea o limpa cuidadosamente de todos os detritos, mas representa uma estratégia contra predadores. A fêmea e os juvenis desta espécie possuem uma glândula uropigial, capaz de segregar o líquido responsável pelo mau cheiro, que é expelido em caso de ameaça.

O estado de conservação da poupa é seguro, mas a espécie encontra-se em regressão na Europa. No último século desapareceu da Suécia, Holanda, Bélgica e grande parte da Alemanha, sobretudo devido à alteração das práticas agrícolas e à introdução do uso de insecticidas. Segundo a classificação tradicional da classe Aves, a família Upupidae integrava-se na ordem Coraciiformes.

Estatuto de Conservação em Portugal Continental: Pouco preocupante
Na Madeira: Vulnerável
Fonte – Aves de Portugal e Wikipédia

*Fotografia registada em Alpiarça – outubro 2019.

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