À Descoberta | Fauna e flora do Médio Tejo

São Lourenço (Abrantes) – Ataque de vespa asiática a outra vespa, no caso nativa. Foto: Flávio Catarino

Vespa Asiática (Vespa velutina) – Temida, perseguida, caçada e eliminada, a vespa asiática não é uma espécie nativa mas sim uma espécie invasora E tem sido uma das mais faladas do último ano,  com uma proliferação massiva pela região do Médio Tejo e com diversos casos a serem relatados de ninhos avistados e envenenados. Vamos saber um pouco mais sobre esta espécie.

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A vespa-asiática (nome científico: Vespa velutina) é uma espécie de vespa nativa do Sudeste Asiático. A espécie tem uma área de distribuição natural que se estende pelas regiões tropicais e subtropicais do norte da Índia ao leste da China, Indochina e ao arquipélago da Indonésia.

Em alguns países trata-se de uma espécie invasora que constitui uma preocupação séria das autoridades devido à sua acção predadora que põe em perigo as abelhas autóctones. É uma praga que pode dizimar um enxame das europeias em poucos dias.

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A vespa velutina é ligeiramente mais pequena do que vespa europeia. Geralmente as rainhas medem 30 mm de comprimento, os machos cerca de 24 mm e as obreiras cerca de 20 mm. A espécie apresenta patas amarelas características. O tórax é castanho ou preto e o abdómen castanho. Cada segmento abdominal apresenta uma borda posterior amarela e estreita, excepto o quarto segmento, que é cor-de-laranja. A cabeça é preta e a face amarela. As várias formas regionais diferem significativamente na cor, o que causa dificuldades na classificação.

Não há como a confundi-la: tem a cabeça preta com face laranja ou amarelada, o corpo castanho-escuro ou preto, um segmento no abdómen amarelo-alaranjado na parte dorsal, as asas escuras e as patas castanhas com extremidades amarelas. Os seus ninhos são arredondados, podendo chegar a um metro de altura e até 80 centímetros de diâmetro. Cada um pode albergar entre 2000 e 13 mil vespas.

Foto em Pego (Abrantes) de um ninho já exterminado. Foto: Flávio Catarino

Cinco formas de a identificar:

Das vespas portuguesas, a vespa europeia (Vespa crabro) é a que mais se parece com a exótica invasora vespa asiática (Vespa velutina). Na presença de uma vespa, saiba o que observar para as distinguir.

Tamanho: no geral, a vespa asiática é mais pequena do que a vespa europeia. A vespa asiática tem entre 2,5 e 3 centímetros de comprimento (as vespas fundadoras desta espécie podem ser maiores, tendo entre 3 e 3,5 centímetros). Já a vespa europeia mede entre 3 e 3,5 centímetros (as vespas fundadoras desta espécie são ainda maiores, podendo chegar aos 4 centímetros de comprimento).

Cor da cabeça: a vespa asiática tem a cabeça negra e a face alaranjada. A vespa europeia tem a cabeça amarelada ou vermelho ferrugem.

Cor do tórax: a vespa asiática tem o tórax negro. A vespa europeia tem o tórax mais claro, vermelho ferrugem.

Cor do abdómen: a vespa asiática tem grande parte do abdómen negro, com o quarto segmento alaranjado e listas finas alaranjadas nos outros. A vespa europeia tem só metade do abdómen negro e é predominantemente amarelo (em particular os últimos quatro segmentos).

Cor das patas: a vespa asiática tem as patas pretas na metade superior e amarelas na parte inferior. A vespa europeia tem as patas mais acastanhadas e mais claras na extremidade inferior.

Como se comporta?

É diurna e predadora de outras vespas, abelhas, entre outros insectos. O seu método de ataque é simples: começa por esperar as abelhas carregadas de pólen junto das colmeias. Depois, captura-as e corta-lhes a cabeça, patas e ferrão, para aproveitar o tórax, a parte mais rica em proteínas. Por fim, transporta-as para o seu ninho para alimentar as larvas. Tem um ciclo biológico anual, sendo que atinge a máxima actividade no Verão, devido ao aumento de ninhos e crescimento da colónia.

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Quando chegou a vespa-asiática a Portugal?

A sua presença em Portugal foi detectada pela primeira vez em Setembro de 2011 em quatro apiários no concelho de Viana do Castelo, segundo o artigo “A Vespa Velutina em Portugal Continental e a Apicultura Nacional”, de Miguel Maia e José Manuel Grosso-Silva, publicado em 2012 na revista O Apicultor.

De onde veio?

A Vespa velutina é originária de uma área de distribuição que abrange as regiões tropicais e subtropicais desde o Norte da Índia até ao Leste da China, Indochina e arquipélago da Indonésia. Dentro desta área, vive nas zonas montanhosas e mais frescas. Já a subespécie Vespa velutina nigrithorax (que se encontra em Portugal) habita no Norte da Índia, Butão, China e nas montanhas das ilhas de Samatra e Celebes.

Há mais de uma década que a Vespa velutina foi detectada fora da sua área de distribuição natural, nomeadamente na Coreia do Sul em 2003 e na Europa em 2004. “A vespa-asiática foi introduzida na Europa, através de um transporte de hortícolas vindos da China e que foi desembarcado no porto de Bordéus (França) no ano de 2004”, lê-se no artigo na revista O Apicultor. Depois, em 2010 foi confirmada no Nordeste de Espanha, em 2011 na Bélgica e em 2012 em Itália.

Quais as zonas mais afectadas pela vespa-asiática em Portugal?

Até agora, a presença da vespa-asiática em Portugal foi confirmada no Norte e no Centro do país, até à bacia do Tejo e em alguns pontos do Alentejo, mas estima-se que vá colonizar todo o território continental. A localização dos ninhos e dos avistamentos dos insectos pode ser visto na plataforma SOS Vespa (www.sosvespa.pt), que cartografa e monitoriza essas ocorrências através da colaboração de cidadãos e de instituições. Como a plataforma gerida pelo Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) depende dessa colaboração e porque já havia outros canais de informação e sistema de detecção a funcionar, os valores de alguns distritos não correspondem à situação real.

Quais os seus principais efeitos e consequências?

Há quatro grandes efeitos da presença da vespa-asiática em Portugal, segundo o Plano de Acção para a Vigilância e Controlo da Vespa velutina em Portugal (revisto em Janeiro de 2018), desenvolvido pela Direcção-Geral de Alimentação e Veterinária e pelo ICNF com o contributo do Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária.

Na apicultura causa perdas devido à predação da abelha-europeia (Apis mellifera) e pela diminuição da actividade das abelhas, pois há menos mel e polinização vegetal. Já agricultura, além de haver uma menor actividade de polinização, pode influenciar a produção frutícola.

A vespa-asiática pode afectar o bem-estar e a segurança das pessoas. “Embora não sendo individualmente mais agressiva para o ser humano do que a vespa-europeia, reage de forma bastante agressiva às ameaças do ninho”, lê-se no plano. Por exemplo, se se sentir ameaçada a cinco metros, pode responder em grupo e perseguir essa ameaça a cerca de 500 metros. Por fim, como é uma espécie invasora, “pode originar a médio prazo impactos significativos na biodiversidade.”

Como se pode comunicar a detecção ou suspeita de ninhos e de exemplares de vespa-asiática?

Pode preencher-se um formulário na plataforma SOS Vespa; completar o anexo IV do plano de acção já mencionado e enviá-lo para a câmara municipal da área de detecção; contactar a linha SOS Ambiente (808 200 520); ou pedir a colaboração da junta de freguesia da área da observação. Relativamente à destruição dos ninhos, devem seguir-se as orientações do plano de acção e usar equipamentos de protecção. Nunca se deve usar armas de fogo, pois só destrói parcialmente o ninho e contribui para a dispersão das vespas.

Fonte – Wikipédia, Wilder e O Público

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