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À Descoberta | Dornes, a península mítica onde a paisagem se vê ao espelho

Dornes, terra mítica. Terra pisada e marcada pelos Templários, à beira-Zêzere plantada, banhada ao redor pelas águas calmas da albufeira de Castelo do Bode.

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Sede de freguesia, com cerca de 25 habitantes em permanência, é vila com alma de aldeia. Pertence ao concelho de Ferreira do Zêzere que se emancipou muito rapidamente, mas dizem os que conhecem o lugar como a palma das suas mãos que, a certa altura, Dornes tudo teria para ser sede de concelho. Isto há muitos, muitos anos atrás.

A pequena península é engrandecida pela riqueza paisagística e pela vasta e peculiar biodiversidade que a olhos vistos se contempla e nos deixa apaixonados.

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Muito anterior à fundação da nacionalidade, tem como marca do lugar a sua Torre Pentagonal, mandada erigir e ser reaproveitada por Gualdim Pais, grão-mestre da Ordem dos Templários. A Torre de Dornes, à semelhança do Castelo de Almourol, em Tancos, foi uma dessas vilas com grande potencial na (re)conquista dos territórios, praticamente sempre consolidada entre margens dos rios. Ainda assim notam-se alguns vestígios romanos na sua arquitetura.

Paisagem de Dornes a partir de um dos pontos do percurso pedestre. Imagem de abril de 2017 Foto: mediotejo.net

A vista da torre e da praça circundante, junto à Igreja da Nossa Senhora do Pranto, é de cortar a respiração. Não há espaço para lamúrias e tristezas. Nem pensar nisso!

Com tamanha beleza a entrar pelos olhos, é deixar-se embalar pelos sons da natureza, pelos barcos que ainda por ali navegam, a circundar e a desenhar as águas com efeitos e reflexos que nos fazem querer de imediato seguir cada traço, cada instante.

Material obrigatório a não esquecer: máquina fotográfica. Os entusiastas do mundo da fotografia que o digam, pois dificilmente se passeia em Dornes sem se cruzar com uma máquina fotográfica em punho.

Na experiência que agora partilhamos, pedimos que se prepare. E pode já agarrar na mochila e atestar o depósito do carro. Vai querer rumar a este lugar encantado, onde muitos acreditam que há um portal energético que recarrega a alma com boas energias.

O passeio pedestre, iniciado depois da visita e contextualização histórica aos ex-libris, a Torre e a Igreja de Nossa Senhora do Pranto, contou cerca de 8,5 km de percurso total.

Segundo Bruno Cardoso, da ZêzereTrek, que nos guiou nesta expedição, “há pormenores que merecem ser visitados”. “O percurso com variantes que permitem ver de perto detalhes botânicos e paisagísticos vistos de outros ângulos” é muito caro a Bruno e Teresa, que participaram ativamente na conceção do mesmo.

O pacote ficou completo com duas perspectivas: via pedestre e via náutica. Permite aos visitantes criar uma imagem que é tão encantada quanto real da beleza e da natureza desta vila.

A gastronomia tradicional não ficou de fora desta viagem de sons, aromas e perfumes. Na Hospedaria, em Vale Serrão, leitão à Ferreirense e feijoada fizeram as delícias aos participantes que aproveitaram para restabelecer forças para continuar a jornada após o almoço. Desta forma, permite-se o contacto com as gentes e ainda conhecer os costumes locais e a arte de bem-servir os que visitam a região.

No conhecimento da botânica e dos usos que se podem dar em termos culinários, dicas também não faltaram. Desde o arroz de carqueija, feito a partir da infusão da flor da planta, que lhe confere uma cor amarelada semelhante ao caril, dos rabinhos de raposa, cuja textura fica entre a dos espinafres e a das nabiças.

E até aquele cogumelo com um nome sui generis, o bufas-de-velha, que tem alguma potencialidade nesse campo, sendo também comestível. Do pó resulta a substância para fazer o produto de tratamento das madeiras, o xilofene. É um fungo que abunda ao longo do ano, e que cresce junto às passagens de águas das chuvas e das nascentes.

Depois do reconhecimento da área pela via pedestre, chegou a hora de conhecer Dornes de outra perspetiva: a náutica. O passeio de barco, levou os participantes desde Vale Serrão até ao cais de Dornes, terminando o passeio no ponto de partida. A praça panorâmica, junto à Torre.

O calor foi muito mas os participantes terminaram gratos, visivelmente satisfeitos e também com a pele ligeiramente beijada pelo sol, com rosto bem corado.Tudo fez valer a pena todo o esforço e cansaço físico.

A vista panorâmica, ao final da tarde na praça, arranca suspiros e não deixa esquecer a câmara fotográfica. É impossível não querer (ou pelo menos tentar) registar para a posteridade a beleza inconfundível do reflexo semi-perfeito da imagem de Dornes, qual quadro pintado a óleo, nas águas do rio.

A luz, nesta altura do ano e em dias como este em que acompanhámos a atividade da empresa de animação turística de Bruno e Teresa Cardoso, consegue-se a cereja no topo do bolo. Para aqueles que visitam a pequena península, a recordação que fica é demasiado bonita e a vontade de voltar… jamais desaparece. Aliás, voltar torna-se obrigatório. Mas assim fossem todas as obrigações do dia-a-dia.

*Publicada em agosto de 2018, republicada em agosto de 2019

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Joana Rita Santos
Formada em Jornalismo, faz da vida uma compilação de pequenos prazeres: o conhecimento e o saber, a escrita, a leitura, a fotografia, a música. Nada supera o gozo de partir à descoberta das terras, das gentes, dos trilhos e da natureza... por isto continua a crer no jornalismo de proximidade. Já esteve mais longe de forrar as paredes de casa com estantes de livros. Não troca a paz da consciência tranquila e a gargalhada dos seus por nada deste mundo.

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