À Descoberta: Abrantes, uma visita à cidade das invasões

*Este artigo é parte integrante de uma série especial sobre os Museus no Médio Tejo. Descubra mais sugestões em mediotejo.net

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Há uma lenda de uma moura apaixonada que, devido a um mal entendido, deu o nome a Abrantes. Foi nesta cidade que se decidiu a partida para a Batalha de Aljubarrota. O general francês Junot invadiu-a e foi-lhe atribuído o título de Duque por Napoleão. Na linha de defesa do Tejo, foi um ponto estratégico importante e uma porta de entrada para Portugal.

Escavações arqueológicas no Castelo de Abrantes (Foto: CMAbrantes)
Escavações arqueológicas no Castelo de Abrantes (Foto: CMAbrantes)

O Castelo seria uma fortificação islâmica, conforme vieram atestar alguns achados arqueológicos em 2015, que D. Afonso Henriques mandou reerguer após a reconquista cristã, em 1173. A sua importância era tal que, ao longo das décadas seguintes o Califado tentou recuperar o território, até ser empurrado definitivamente para sul. Posteriormente, como outros territórios vizinhos, acabaria no património das Rainhas de Portugal, a partir da Rainha Santa Isabel.

Narra ainda a História que foi em Abrantes que se reuniram Mestre de Avis e D. Nuno Álvares Pereira antes da partida para Aljubarrota. Terá sido no Castelo que se definiu o ataque, cuja viagem, ao longo do Médio Tejo, marcou de diversas formas as região.

O Castelo e a área envolvente também vão ser requalificados e a autarquia de Abrantes vai lançar um concurso internacional de ideias Foto: mediotejo.net
O Castelo e a área envolvente vão ser requalificados. Foto: mediotejo.net

No período filipino, o Castelo entra em decadência. Mas Abrantes recebe em 1641 o título de “Notável Vila”, por ter sido, depois de Lisboa, a primeira a aclamar o restauração da independência por D. João IV. Dois séculos depois, em 1807, Junot ocupa a região, sendo desse tempo originária a frase “Tudo como dantes, Quartel General em Abrantes!”, marcando a importância do Castelo enquanto quartel militar, vocação que manteria até ao século XX.

O Castelo de Abrantes é assim a memória do papel desempenhado pela hoje cidade centenária na construção da nacionalidade. Ao seu redor existem um conjunto de Museus que recordam esse imenso passado, mas também o papel de Abrantes enquanto pólo dinamizador de desenvolvimento e progresso no território a que pertence.

Entrada livre

O que visitar mais?

Biblioteca Municipal António Lopo Espaço multiusos no antigo Convento de São Domingos, acolhe diversas exposições temporárias.

MIAA

Museu Ibérico de Arqueologia e Arte Ainda em fase de projeto, devido a várias revezes no financiamento, este Museu vai nascer no requalificado Convento de São Domingos, onde já se encontra a Biblioteca Municipal António Lopo, e num edifício anexo construído para o efeito. Integra a coleção municipal, à qual se juntou a de Maria Lucília Moita e de Charters de Almeida e a coleção arqueológica, com cerca de 5 mil peças, da Fundação Estrada. O município tem apostado entretanto em várias exposições temporárias deste espólio, num espaço museológico situado no Castelo.

Coleção Visitável da Cavalaria Portuguesa Iniciada por Salgueiro Maia, que fez as primeiras recolhas do material existente na coleção, esta exposição permanente intitula-se “Memórias e Perspetivas da Cavaria Portuguesa”. Reproduz momentos e acontecimentos significativos da história militar portuguesa em geral e da cavalaria em particular, desde a pré-história às operações de paz internacionais.

Regimento de Apoio Militar de Emergência (RAME) Avenida de Aljubarrota, Abrantes

Memorial da Forja Trata-se de uma estrutura ao ar livre, inaugurada em 1980, que expõe, dentro de uma pirâmide de vidro, os utensílios usados na primeira forja de Eduardo Duarte Ferreira, fundador daquela que viria a ser uma das maiores metalúrgicas nacionais. O memorial é ainda uma homenagem aos que ajudaram à sua construção. Em breve será inaugurado um Museu da MDF, no edifício dos antigos escritórios da empresa.

Vila do Tramagal

Museu D. Lopo de Almeida Museu criado em 1921 na Igreja de Santa Maria, no Castelo de Abrantes. Possui um acervo de arte sacra, arqueologia, arte, etnografia e antigos documentos sobre Abrantes, albergando ainda as exposições temporárias do que virá a ser o Museu Ibérico de Arqueologia e Arte. A Igreja de Santa Maria do Castelo é ainda o Panteão da Família Almeida.

Museu e Igreja de Santa Maria do Castelo Castelo de Abrantes

Galeria Municipal de Arte Inaugurada em 2013, este espaço está instalado no antigo quartel dos Bombeiros Municipais. Tem como objetivo divulgar os diversos estilos da arte contemporânea.

Largo de Sant’Ana, Abrantes

Núcleo Museológico da Bemposta Inaugurado em 2001, a exposição encontra-se na sede do Grupo Folclórico e Etnográfico de Bemposta. O espaço é um antigo edifício local, constituído por um acervo que recria as vivências dos finais do século XIX e inícios de XX, com roupas, alfaias agrícolas, instrumentos de cozinha, brinquedos de outros tempos, etc. A entrada é gratuita, por marcação.

Rua Professor Silva Leitão, nº26, Bemposta

Núcleo Museológico da Quinta das Santieiras Exposição patente num antigo estábulo que retrata as antigas vivências desta quinta, com velhos instrumentos e utensílios agrícolas. As visitas requerem agendamento prévio.

Núcleo Museológico do Grupo Folclórico de Casais de Revelhos Museu etnográfico instalado na antiga escola de Casais de Revelhos. Requer marcação prévia junto do Grupo Folclórico.

Núcleo Museológico do Rossio ao Sul do Tejo Núcleo museológico instalado na sacristia da Igreja de Nossa Senhora da Conceição, inaugurado em 2002. Necessita de contacto prévio ao centro paroquial.

Igrejas do concelho Há em todas as localidades do concelho de Abrantes igrejas e capelas dignas de visita. Dadas as suas características históricas e arquitetónicas, referimos as seguintes:

  • Igreja de São João Baptista Templo de estilo maneirista que já existiria no século XII, tendo sofrido várias obras de ampliação e requalificação ao longo dos séculos.
  •  Igreja de São Vicente Monumento nacional do século XIII, de grande imponência, que foi alvo de requalificações ao longo dos séculos, possuindo várias características do barroco.
  • Igreja da Misericórdia Classificada como Imóvel de Interesse Público, esta Igreja assume especial importância pelo seu portal e pelas pinturas do seu interior, datadas do século XVI, atribuídas aos mestre de Abrantes e alusivas à vida de Cristo.
  • Ermida de São Lourenço Imóvel de Interesse Público que chegou a servir de Hospital, a Ermida tem data do século XVI. A visita ao interior deve ser requerida à junta de freguesia de São Vicente.
  • Antigo Convento de São Domingos Construído nos princípios do século XVI, este Convento é hoje Imóvel de Interesse Público. Desempenhou funções militares desde os finais do século XVIII até ao século XX, chegando a ser um Hospital Militar.  Da sua antiga construção resta apenas o claustro renascentista.
  • Capela de Sant’ Ana Capela do século XV, restaurada no século XVIII. Funciona atualmente como capela mortuária e está fechada ao público, podendo ser visitada mediante contacto com o arciprestado de Abrantes.

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