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Quinta-feira, Agosto 5, 2021

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À Descoberta: A herança romana e o primeiro museu de Ferreira do Zêzere

*Este artigo é parte integrante de uma série especial sobre os Museus no Médio Tejo. Descubra mais sugestões em mediotejo.net

Com paisagens de grande beleza a atrair os amantes do turismo de natureza, Ferreira do Zêzere viu nascer em 2016 o seu primeiro Museu. Fica em Chãos e é dedicado à etnografia local.

Foi um longo processo até à concretização deste Museu, na antiga escola de Jamprestes, em que a autarquia chegou a apelar ao contributo de todos os fregueses para que o projeto chegasse a bom porto. A requalificação do velho edifício do Estado Novo viu finalmente a luz do dia em março, com o apoio de fundos comunitários, numa conjugação de esforços entre a Câmara de Ferreira do Zêzere, a Junta de Freguesia de Chãos e a Associação para o Desenvolvimento do Ribatejo Norte (ADIRN).

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Entre velhos equipamentos domésticos e agrícolas, salvaguarda-se neste espaço a memória da freguesia. O edifício recebeu casas de banho novas, espaço multimédia, ar condicionado, telhado devidamente recuperados com a mestria de pedreiros e empreiteiros da zona. O objetivo da freguesia é que toda a comunidade usufrua do Museu e do seu antigo recreio.

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Mas Chãos é já por si uma freguesia com história. Nos seus limites situa-se uma ponte romana, em Quebrada do Meio, com uma bonita envolvente. Os romanos tiveram aliás uma forte presença nesta região, atribuindo-se a Quinto Sertório (72 a.C.) as fundações da Torre Pentagonal, em Dornes, um ponto estratégico na península encantada do Zêzere. Com a Reconquista Cristã, o edifício terá sido usado pelos cavaleiros templários. É um imóvel de interesse público, classificado pelo IPPAR, desde 1943.

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Feitas as contas, este local que foi Ibéria, Lusitânea, Al Andalus e Portugal, teve sempre o rio como marca central da sua cultura e vivência económica e social. Não havendo outros Museus, há uma paisagem com imensas histórias escondidas por desvendar e vários solares e quintas brasonadas que despertam facilmente a curiosidade dos apaixonados pelo mistério.

Entrada Livre.

O que visitar mais?

Ruínas da Torre de D. Gaião Também conhecida por Torre de Murta ou Torre do Langalhão, situa-se perto de Pereiro, na freguesia de Areias. São ruínas de uma atalaia medieval, associadas à lenda de um “ladrão Gaião”, gigante que assaltava os viajantes.

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Santuário de Nossa Senhora do Pranto Situado em Dornes, é-lhe dedicado uma antiga peregrinação, realizada tradicionalmente a 15 de agosto. Originalmente foi mandada construir uma capela pela Rainha Santa Isabel, no século XIII, depois de, diz a lenda, ter visto em sonhos a localização de uma imagem de Nossa Senhora chorando a morte do seu filho. A igreja atual seria construída no século XV e situa-se ao lado da Torre Pentagonal.

Igrejas do concelho Todas as localidades de Ferreira do Zêzere possuem Igrejas e capelas dignas de visitação. Dadas as suas características históricas e arquitetónicas, referimos as seguintes:

  • Igreja de Santo Aleixo Situada no Beco, é um templo do século XVI ricamente decorado.
  • Igreja de São Miguel Espaço do século XVI que conserva no seu interior várias pinturas murais.
  • Igreja de Nossa Senhora da Graça Templo medieval em Areias que foi mandado ampliar por D. Manuel I, no século XVI, e no qual sobressai a galilé da fachada principal, atribuída ao arquiteto João de Castilho.
  • Igreja do Espírito Santo Espaço em Igreja Nova do Sobral, do século XVII, que possui um antigo relógio do sol.
  • Capela de Nossa Senhora da Purificação Em Frazoeira, foi mandada construir por um cavaleiro da Ordem de Cristo no século XVII, possuindo vários símbolos marianos.

Cláudia Gameiro, 32 anos, há nove a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita

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