“A cor da verdade”, por Vasco Damas

A verdade para ser verdade não pode ter cor, ela tem que ser transparente e cristalina. Refiro isto porque os últimos dias, que foram cópias das últimas semanas e que por sua vez já tinham replicado os últimos meses e os últimos anos, foram férteis em partilhas de uma outra verdade que existe em função da inclinação ideológica ou da preferência cromática e, apesar de já por aqui ter admitido que ela pode ter várias perspetivas, a verdade continuará a ser sempre única.

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Talvez seja por isto que me recuse a jogar determinados jogos porque não abdico de manter a minha coerência, recusando-me a defender uma coisa e o seu contrário em benefício de interesses corporativos. E isso, pode retirar-me privilégios, mas, acima de tudo, permite-me continuar a ser livre.

Não quero de maneira nenhuma insinuar que tenho sempre razão ou que não possa mudar de opinião. Aliás, é precisamente o contrário, porque esta liberdade, ao não me obrigar a ser refém de uma verdade coletiva, deixa-me continuar a pensar pela minha cabeça e a mudar de opinião sempre que perceba que afinal a razão não me assiste.

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Gosto obviamente de ter razão, mas não sinto necessidade de a ter à força. Também não faço questão de a utilizar para “agredir” aqueles que divergem da minha opinião. Até porque, a vida tem-me ensinado que, apesar desta, ser uma passagem demasiado rápida, temos muito tempo para ter razão e muitas oportunidades para a perder.

E as oportunidades em que a perdemos são também uma oportunidade para ganharmos. Ganharmos conhecimento e ficarmos mais aptos para os desafios futuros. Assim haja perspicácia e humildade.

Mas o que tenho observado, mostra-me uma realidade bastante diferente repleta de jogos de cintura que pretendem fugir à sua responsabilidade e, se isto é grave, pior é ver que há “claques” que defendem e justificam essa fuga.

Não pode valer tudo. É por isso que para mim, há, e sempre haverá, valores inalienáveis. A verdade é um desses valores.

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