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Terça-feira, Novembro 30, 2021

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“A arte alegre de Tiepolo”, por Massimo Esposito

Como já tinha anunciado, escrevo de vez em quando sobre artistas do passado e não muito conhecidos pela maioria. Esta semana falarei de Giambattista Tiepolo (1696-1770) Ele foi um artista da pintura de Veneza, Itália, que alcançou fama e fortuna internacional.

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Os seus enormes frescos e telas decoram os mais famosos palácios e igrejas do sec.XVIII impondo-se pelos brilhos das cores, a composição teatral e ilusionista e um exuberante conteúdo das suas divertidas alegorias. Tudo isto faz dele um dos mais famosos e produtivos artistas de sempre.

Mas qual é a razão de Tiepolo ser tão sublime artista?

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Principalmente pelas suas prospectivas, Ele era um pintor de frescos e as cúpulas de igrejas e tectos pintados estavam na moda da altura e ele conseguiu “forçar “ a prospectiva até ao extremo, conseguindo representar céus abertos com anjos, cavalos e deusas vistos de baixo com uma clareza extrema. Os cavalos são vistos como se estivessem em cima da nossa cabeça, colunas que se perdem nas nuvens e os anjos a esvoaçar para todo o lado dão uma ideia que estamos numa ambiente a céu aberto e a arquitectura tangível se mistura com a arte pintada e com as personagens, criando a ilusão de um todo único.

Outra razão de Tiepolo ser tão famoso são as suas cores, brilhantes, alegres, contrastadas. Existe sempre nas suas composições o máximo de escuro e o máximo do claro, ninguém fica indiferente a ver as suas obras. Também foi o primeiro a pintar as nuvens de amarelo, rosa ou violeta, parece pouco mas na altura foi um avanço técnico de incrível coragem.

As qualidades de Tiepolo não param aqui, poderíamos dizer que era um pintor muito rápido, tecnicamente “perfeito” mas eu quero fazer conhecer também o seu espírito empreendedor e comercial. Sim, porque Tiepolo (e depois Tintoretto) criou uma espécie de empresa para poder realizar os milhares de metros quadrados de pintura que fez nos seus 74 anos de vida. Tinha principalmente os seus dois filhos e uma grande escolha de ajudantes especializados, uns pintavam nuvens, outros arquitecturas, uns desenhavam animais e havia também quem se dedicava a pintar falso mármore ou tecidos.

Naturalmente os desenhos eram de Tiepolo e as composições também,  mas com estes colaboradores, a capacidade de realizar em tempos curtos, obras de grande envergadura era mais fácil. E as encomendas aumentavam. Príncipes, ricos comerciantes, bispos e o Vaticano,  eram assim facilitados em ter a arte deste artista sempre disponível.

Esta pode ser uma dica para os nossos artistas..de grandes dimensões .. ou outros que penam em vender a sua arte, teríamos de nos organizar para criar um ” mercado” credível e profissional para dar aos clientes qualidade e arte …pensamos nisto!

Regressando ao Tiepolo, há uma  historia que li algum tempo atrás e que me fez pensar em como a igreja era mundana, foi quando em Wurzburg na Áustria, foi-lhe encomendado um fresco  pela “sala de banquetes dos bispos”  e que tinha de representar, não uma cena bíblica ou algo espiritual (era numa sala de banquetes de clérigos) mas sim, pense bem, as bodas de Apolo com Burgunda e a entronização do imperador Frederico Iº, nada de menos espiritual.

Mas as suas obras ultrapassaram os séculos e ainda são lindíssimas, em Venezia, Milano Wurzburg, Londres, Berlim ou Oxford podemos encontrar estas exuberantes e alegres obras de arte mundial. Se passarmos por lá vamos ver estas maravilhas.

Pintor Italiano, licenciado em Arte e com bacharelato em Artes Gráficas em Urbino (Itália), vive em Portugal desde 1986. Em 1996 iniciou um protejo de ensino alternativo de desenho e pintura nas autarquias do Médio Tejo que, após 20 anos, ainda continua ativo. Neste projeto estão incluídas exposições coletivas e pessoais, eventos culturais, dias de pintura ao ar livre, body painting, pintura com vinho ou azeite, e outras colaborações com autarquias e instituições. Neste momento dirige quatro laboratórios: Abrantes, Entroncamento, Santarém e Torres Novas.

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