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Sexta-feira, Outubro 22, 2021

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“A água da torneira e a ‘cannabis’”, por Hália Santos

Entre notícias sobre a água da torneira que se vai passar a consumir no Palácio de Belém e as dúvidas do PSD sobre a legalização da ‘cannabis’ por causa do autoconsumo, a minha memória recupera a história, que um dia me contaram, de alguém que usava um apartamento da mãe como estufa para as ditas plantinhas. A senhora pensaria que o filho lá vivia, mas não. No apartamento menos suspeito, cresciam várias plantas que certamente ultrapassavam largamente as cinco (número que o BE considera aceitável para consumo próprio).

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No apartamento de uma senhora que certamente seria respeitada, e sem que suspeitas se levantassem, em todas as divisões cresciam plantas, cuidadosamente tratadas pelo seu dono. Terá montando um sistema de rega para que as futuras fontes de ´recreação’ crescessem viçosas. Com uma mãe extremosa, cuidadora do filho que cuidava das plantas, água não faltava. Consta que a senhora estranhava o excessivo consumo de água, mas talvez achasse que tinha um filho muito asseado. As plantas e os futuros destinatários agradeciam. Talvez até fosse para autoconsumo, de alguém que tem muitos amigos. Não se sabe.

O que se sabe é que a água da rede pública cumpria naquele caso uma função extremamente importante. Pelo menos, para as plantas, seu cuidador e respetivos amigos. A mãe pagava a conta e ninguém pagava impostos. Para o dono/cuidador de plantas, tudo seria claro e certamente que muito puro. Mas nada transparente, sobretudo em relação à senhora sua mãe, mas também em relação a um sistema que ainda não aprecia estas plantas. Ou melhor, que não vê com bons olhos que meio milhão de portugueses sejam consumidores frequentes de ‘cannabis’.

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Sabendo-se agora que a água da torneira vai – finalmente – ser tratada com honras de coisa importante lá para os lados do Palácio de Belém, resta saber se, tendo um custo bem mais baixo do que a água engarrafada, o seu consumo vai aumentar. Juntando estes dois temas pouco ou nada compatíveis, a pergunta também se pode colocar em relação à ‘cannabis’. Será que, se for legalizada, o seu consumo vai aumentar, conforme suspeitam alguns? E, já agora, será que também vai ficar mais barata, como esperam outros? E, ainda, será que o controlo implicará mais qualidade?

Beber água da torneira e consumir ‘cannabis’ não tem relação possível, mas há quem não viva sem uma coisa e sem a outra… Não, este não é o momento em que se pergunta ‘quem nunca?’. Porque todos nós sabemos o prazer que a água nos dá! E servida em jarros de vidro, com um paninho imaculado por cima, parece que ainda sabe melhor. Quanto ao resto, ainda alguma água terá que passar por baixo da ponte para se ver se o fruto proibido continua a ser o mais apetecido.

 

Professora e diretora da licenciatura em Comunicação Social da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes (ESTA), do Instituto Politécnico de Tomar, doutorou-se no Centre for Mass Communications Research, da Universidade de Leicester, no Reino Unido. Foi jornalista do jornal Público e da Rádio Press. Gosta sobretudo de viajar, cá dentro e lá fora, para ver o mundo e as suas gentes com diferentes enquadramentos.
Escreve no mediotejo.net à quinta-feira.

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