“500 Anos de arte de Raffaello Sanzio”, por Massimo Esposito

Já passaram 500 anos da Morte de Raffello “il Divino Raffaello” como era chamado em Roma , pintor sublime e muito intrigante, para quem conhece pormenores da sua vida. Ficou órfão aos onze anos do pai, um artista com boas encomendas. Mas ele já era um aprendiz que esteve no atelier de Perugino e, aquando da morte do pai, em conjunto com dois colaboradores, continuou a aceitar trabalhos para igrejas, ricos comerciantes e nobres.

Aos 17 anos, sempre com o grande pintor Perugino, afina a sua técnica e sobretudo a composição e pode-se dizer que antes dos dezoito anos já era reconhecido como pintor exímio, demonstrando assim que, além de grande artista era um bom empresário. Nesta altura pinta o quadro “o casamento da virgem” que é uma pedra de alicerce do trabalho, não só pela arte de Raffaello mas para as futuras gerações de artistas.

Pouco depois encontra-se na Firenze aceitando importantes encomendas e temos de assinalar que, nesta pequena cidade no centro da Itália, na mesma altura trabalhavam, além de Raffaello, Michelangelo e Leonardo da Vinci. Juntos, dariam um enorme impulso à arte e também ao Humanismo, visto também viver nesta cidade da arte tantos filósofos, historiadores e poetas.

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A maravilhosa “Pala Baglioni” mostra claramente a influência bem personalizada seja de Leonardo na composição como na energia dinâmica dos corpos da parte de Michelangelo. Lembro que nesta altura ele só tinha 24 anos e já competia com os melhores.

Dois anos depois chegou a chamada do Papa Júlio II que estava a remodelar a cidade de Roma. O Papa quis transformar uma pequena cidade a sair da Idade Media numa cidade única e deslumbrante da Renascença. Este Papa reuniy os melhores artistas ao tempo, desde urbanistas, arquitectos, pintores, e escultores para realizar uma obra que duraria mais de cem anos.

Pensem que a Raffaello foi dada a importante missão de pintar o apartamento do Papa. Seria ele, um jovem artista com 26 anos, o escolhido de entre uma multidão de grandes artistas mais conhecidos e famosos que Raffaello. “O Divino” realizou um conjuntos de frescos que fazem parte do tesouro artístico da humanidade entre os quais a importantíssima “Escola de Atene” que foi admirada até pelo Michelangelo, artista que não morria de amores por Raffaello.

O jovem pintor não gostava também do carácter do artista que estava a pintar a Capela Sistina, mas ao ver às escondidas a famosa obra entendeu que o tinha de retratar também no seu famoso fresco onde são representados os maiores artistas, filósofos e pensadores da humanidade. Tanto assim é que no desenho preparatório, que agora se encontra em Milão, não há registo da figura de Michelangelo.

Daqui em diante há um rodopio de encomendas da parte de privados, igrejas e conventos que não se entende como possa ter conseguido satisfazer todos as solicitações mantendo uma sublime arte em todos eles. Todas as suas obras aportam algo de novo: a personalização do retrato, a finura nos detalhes, a procura duma composição sempre “ad Hoc”… pessoalmente não alcanço este seu soberbo poder, mas ele foi um Génio.

Temos de pensar também que este famoso artista era também muito bonito e muito educado. Papas, nobres e frades admiravam-no e também muitas raparigas e senhoras da alta nobreza. E parece que ele não se importava com este tipo de atenção, até conhecer uma jovem de baixa condição social que o fez apaixonar definitivamente.

Mas o seu objectivo primário era CRIAR, e nisto foi único, tanto é que aos 30 anos ele detinha uma “bottega” um atelier com muitos pintores seus alunos e colaboradores (pelo menos 15) para responder à enorme quantidade de encomendas, e sem perder qualidade.

Uma faceta deste grande artista e que alguns não conhecem, é que também foi um grande arquitecto tanto é que o Papa Leão X o escolheu, pensem bem, como superintendente da obra de construção da  Basílica de S. Pedro onde demonstrou antes uma grande humildade a pedir colaboração de outros grandes arquitectos  e depois uma vontade incrível de fazer o melhor possível. E conseguiu.

Naturalmente este homem entretanto projectava outros edifícios como a “Villa Madama” , actual sede do senado Italiano, palácios e igrejas e “le Loggie” in Vaticano que foram copiadas até ao mais pequeno pormenor e que fazem parte hoje do Hermitage em S.Petersburgo.

De repente, depois de 15 dias de febre, morre aos 37 anos deixando perplexos e tristes desde o Papa até aos seu mais humildes colaboradores (dizem por excessos amorosos) mais provavelmente por um vírus tipo o que nos está a assolar agora.

A sua herança para a humanidade é enorme. Ficámos mais ricos, mais cultos e com obras que há 500 anos deslumbram gerações de apaixonados pela arte. É muito bom ler a sua biografia e sobretudo ver as suas incontáveis obras de arte espalhadas pelo mundo inteiro.

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