Quinta-feira, Março 4, 2021
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“22 Anos de uma pedreira transformada em “sonho” de Parque Jurássico”, por José Alho

Esta semana o Prof. Doutor Galopim de Carvalho foi homenageado na sua Faculdade de Ciências de Lisboa e recebeu da Câmara Municipal de Lisboa a distinção municipal por mérito científico.

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A sua carreira científica fica associada à geologia, aos dinossáurios e ao Museu Nacional de História Natural.

Por coincidência estes reconhecimentos honoríficos coincidem com a passagem de mais um aniversário da descoberta das Pegadas de Dinossáurio da Serra de Aire o que me leva, a este propósito, a revisitar memórias escritas.

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Há 22 anos atrás era impossível imaginar-se que a ação destrutiva da exploração de pedra iria pôr a descoberto valores paleontológicos de grande relevância para o mundo.

O Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros onde se situa a Pedreira do Galinha, é conhecido pela beleza das suas paisagens calcárias e de um vasto conjunto de valores patrimoniais que justificaram diversos estatutos de classificação nacional e internacional.

É também uma referência pela conflitualidade presente nas inúmeras pedreiras que, apesar da sua importância socio-económica, são um potencial de ameaça sobre os valores naturais presentes.

A Pedreira do Galinha instalada na Serra de Aire, nos limites dos concelhos de Ourém e Torres Novas, era mais uma dessas explorações industriais de onde saiam diariamente dezenas de camiões de brita para a construção civil, sobretudo estradas e diversas outras obras públicas.

A sua gestão era acompanhada pelos técnicos do Parque Natural que de acordo com os objectivos da Área Protegida tentavam garantir o difícil equilíbrio entre a exploração mineral e a conservação da natureza.

No entanto em 4 de Julho de 1994 os olhares atentos de João Carvalho e de outros colegas da Sociedade Torrejana de Espeleologia e Arqueologia identificaram registos soberbos de pegadas de dinossáurio, organizadas em cerca de 20 trilhos diferentes e esse facto alterou radicalmente o percurso daquela pedreira.

Naquela manhã, o acaso fortuito de uma luminosidade particular, num ângulo pouco inclinado do sol, associado ao conhecimento daqueles exploradores da natureza, proporcionou a observação e descoberta de registos singulares para o mundo da ciência e da conservação da natureza.

A mudança de governo em Outubro do ano seguinte criou as condições políticas necessárias para que essa descoberta fosse devidamente protegida, num processo similar ao das gravuras de Foz Côa, e a sensibilidade do Eng.º António Guterres a estas questões resolveu o impasse que se instalara entre o concessionário da exploração e o Estado Português.

A ação militante do então Director do Museu Nacional de História Natural Prof. Doutor Galopim de Carvalho, liderou um movimento que apoiado por diversas Organizações Não Governamentais, Câmaras Municipais de Ourém e Torres Novas e cientistas nacionais e estrangeiros garantiu, numa luta de muitos meses a pressão necessária à sua protecção e salvaguarda.

A Prof. Doutora Vanda Santos, enquanto investigadora do Museu Nacional de História Natural, dirigiu o seu esforço de investigação para esses registos conferindo o suporte científico necessário à equipa que coordenou a transformação da Pedreira num local de visitação e aprendizagem.

A antiga pedreira transformou-se no nosso “ Parque Jurássico “, como começou a ser familiarmente conhecido o Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios da Serra de Aire atualmente sob a gestão do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.

Estaríamos perante um caso de final feliz que expressa simbolicamente como é possível garantir equilíbrios entre os valores naturais, a economia e as pessoas, não fosse o caso do desinvestimento a que tem estado sujeito nos últimos anos!

Em momento de aniversário fica o desejo de que o valor simbólico deste caso não esmoreça por falta de meios.

 

José Manuel Pereira Alho
Nasceu em 1961 em Ourém onde reside.
Biólogo, desempenhou até janeiro de 2016 as funções de Adjunto da Presidente da Câmara Municipal de Abrantes. Foi nomeado a 22 de janeiro de 2016 como vogal do Conselho de Administração da Fundação INATEL.
Preside à Assembleia Geral do Centro de Ciência Viva do Alviela.
Exerceu cargos de Diretor do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, Coordenador da Reserva Natural do Paúl do Boquilobo, Coordenador do Monumento Natural das Pegadas de Dinossáurios da Serra de Aire, Diretor-Adjunto do Departamento de Gestão de Áreas Classificadas do Litoral de Lisboa e Oeste, Diretor Regional das Florestas de Lisboa e Vale do Tejo na Autoridade Florestal Nacional e Presidente do IPAMB – Instituto de Promoção Ambiental.
Manteve atividade profissional como professor convidado na ESTG, no Instituto Politécnico de Leiria e no Instituto Politécnico de Tomar a par com a actividade de Formador.
Membro da Ordem dos Biólogos onde desempenhou cargos na Direcção Nacional e no Conselho Profissional e Deontológico, também integra a Sociedade de Ética Ambiental.
Participa com regularidade em Conferências e Palestras como orador convidado, tem sido membro de diversas comissões e grupos de trabalho de foro consultivo ou de acompanhamento na área governamental e tem mantido alguma actividade editorial na temática do Ambiente.
Foi ativista e dirigente da Quercus tendo sido Presidente do Núcleo Regional da Estremadura e Ribatejo e Vice-Presidente da Direcção Nacional.
Presidiu à Direção Nacional da Liga para a Protecção da Natureza.
Foi membro da Comissão Regional de Turismo do Ribatejo e do Conselho de Administração da ADIRN.
Desempenhou funções autárquicas como membro da Assembleia Municipal de Ourém, Vereador e Vice-Presidente da Câmara Municipal de Ourém, Presidente do Conselho de Administração da Ambiourem, Centro de Negócios de Ourém e Ouremviva.
É cronista regular no jornal digital mediotejo.net.

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