“2 de maio”, Vasco Damas

Foto: Chris Slupski / Unsplash

A semana que ontem terminou e que tinha começado no dia 25 do mês passado mostrou-me que a história está cheia de lições que são interpretadas de acordo com a conveniência de cada um. Mas o que mais me chocou em tudo aquilo que fui acompanhando, não foi a divergência de opinião, até porque acho saudável que cada um tenha hoje a liberdade de pensar de forma livre, mas a intolerância violenta de alguns que prova que ainda há muito a fazer para não corrermos o risco de voltarmos a perder alguns direitos básicos de cidadania.

Na sequência dessa observação, apesar de hoje já ser 2 de Maio, respeitando quem pensa de maneira diferente, partilho a minha reflexão sobre o Primeiro de Maio.

Guardo, ainda que de forma difusa nas profundezas da minha memória, o peso ideológico que este dia representava na sociedade portuguesa há muitos anos atrás.

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Apesar de ter demorado quase um século a chegar a Portugal, pelo menos para que fosse comemorado ou celebrado de uma forma livre, recordo a agitação inquieta que era vivida no dia do trabalhador, sendo este um momento que marcava a agenda para se passar uma mensagem, onde se gritavam palavras de ordem e onde se aproveitava para promover a cultura… ou pelo menos, uma determinada cultura!

Apesar de tudo e de terem sido tempos difíceis, aqueles eram tempos mais honestos que estes que vivemos nos dias de hoje. Desenganem-se se sentem algum tipo de saudosismo nas minhas palavras, aquilo que sinto é que eram tempos mais honestos porque todos sabíamos com o que o podíamos contar, mesmo que isso quisesse dizer que não podíamos contar com grande coisa!

As cores eram mais garridas, mas também eram mais nítidas porque não se esbatiam nos meandros dos jogos subterrâneos dos interesses individuais transvestidos de interesses coletivos.

Mas a verdade é que muito daquilo que foi conquistado, foi entretanto perdido. E se aqueles tempos eram difíceis, os de hoje não são mais fáceis.

Ao longo dos anos tem-se vindo a perder o peso ideológico deste dia, mas talvez faça sentido que ele seja recuperado, não com a conotação dos fantasmas do passado mas com uma determinação de impor uma vontade e mudar uma cultura. Aquela vontade que tantas vezes nos falta para assumir as rédeas do nosso destino a que culturalmente apelidamos de fado.

E este fado miserabilista, devidamente acompanhado por um culto de mediocridade, talvez seja o nosso principal adversário, porque há povos que nos mostraram que é possível encontrar a solução para o seu problema… enquanto nós teimamos em ser o problema para a nossa solução!

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