“100 anos de artes plásticas em Abrantes”, por Massimo Esposito

É verdade. Abrantes é cidade há 100 anos, e muita água passou debaixo das pontes. Abrantes mudou muito. Cidade do interior com difíceis acessos, com poucos recursos, à excepção da agricultura e pouco mais, passou a ser uma cidade moderna, com várias alternativas, seja de trabalho ou de residência. Eu escolhi Abrantes para viver e não estou arrependido.

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Uma cidade com pessoas calmas e relativamente educadas. E nesta cidade, já há 100 anos, havia quem se dedicasse à pintura, que se deleitasse em retratar as nossas paisagens e ruas, que se sentisse atraído pela arte e que fazia de tudo para desenvolver a sua atitude. Penso que não tenha sido fácil à época adquirir pincéis, telas e tintas. Deve ter sido um “bico-de-obra”.

Naturalmente havia as viagens a Lisboa que serviam para repor o stock de apetrechos técnicos. Esta falta de materiais não mudou muito até há pouco tempo e ainda hoje sente-se muito a falta, sobretudo para as pessoas que hoje pintam, e são muitas, e porque quem tem lojas pouco faz para oferecer algo mais.

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Tive a felicidade de conhecer e trabalhar com a colega Lucília Moita, exemplo sublime de artista e humildade. Com certeza no panorama destes últimos cem anos ela surge em primeiro plano, seja pelo trabalho, seja como pessoa. Tinha meios, sim! Mas não o fazia pesar a outros, e estava sempre disposta a trabalhar em conjunto. E é isto é que falta, o trabalho em conjunto. Nós, artistas, deveríamos ser mais comunicativos entre nós, e a exposição que vai ser inaugurada amanhã assim o demonstra.

Hoje há muitos que se dedicam à pintura, mas não existe “o café dos artistas” como no fim dos oitocentos, ou os ta-ze-bao dos anos´60/´70, não se discute arte em Abrantes e as poucas iniciativas na Biblioteca são pouco frequentadas. Aliás, no verão, são artistas de fora quem têm a ‘parte de leão’ na intervenção artística, seja prática ou teórica.

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Convido a todos, por estas razões, para aproveitarem esta ocasião, e verem o percurso artístico desta cidade. Nas suas veias pulsa arte, há um prazer em fruir arte, mas ainda não são dadas as ferramentas úteis para vermos desenvolver de maneira positiva o que os Abrantinos sabem e gostam de fazer.

Espero que esta iniciativa não se repita daqui a 100 anos mas que seja a primeira de muitas que podem, isso sim, “chocalhar” as muitas vontades artísticas que existem e que a atitude de quem pode, possa mudar e ajudar os que aqui estão.

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