“1% contra 99%”, por Helena Pinto

Começou hoje mais um Fórum Económico de Davos, na Suíça. Reunião de poderosos, gente importante e sobretudo gente influente, costumam rodear-se de muita segurança. É reunião só para alguns, embora nas últimas edições, como mera medida de cosmética, anunciem presenças que por vezes tentam destoar do público-alvo a que se destina este Fórum.

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Lá irão debater a finança mundial, os ciclos da economia, como continuar a acumular riqueza.

Esta semana, tivemos conhecimento de um relatório de uma OGN britânica – Oxfan cujo título é bastante elucidativo – “Uma economia ao serviço do 1%”.

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Este relatório é aquilo a que se pode chamar “um murro no estômago”: 1% detém mais capital que os restantes 99% da população mundial. No ano de 2015, 62 pessoas, repito 62 pessoas possuem tanto capital quanto a metade mais pobre da população mundial. Há 5 anos atrás eram 388. Ficam agora reduzidos a 62.

Por opção própria não gosto de usar adjetivos fortes, tipo fantástico, extraordinariamente importante, muitíssimo grave ou outras coisas do género, porque penso sempre que me faltarão as palavras quando me deparar com situações absolutamente únicas. E esta é uma delas. Como podemos continuar a tolerar esta concentração de riqueza, esta facilidade com que se acumula lucros e mais lucros, quando a fome atinge proporções gigantescas, quando milhões fogem à guerra, quando milhões de crianças não têm acesso à educação, a uma habitação, a vestuário, a bens de primeira necessidade?

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1 contra 99. Aparentemente os 99 estariam em vantagem. Mas não estão, porque a fome, a ausência de educação, a ausência de saúde, faz dos 99% a parte mais fraca. Nestes 99% incluem-se, também, todos e todas que fazem a força de trabalho do planeta, o tal trabalho que permite que o 1% continue a enriquecer, enriquecer da forma mais despudorada que se pode imaginar. Das crianças vítimas de trabalho escravo aos velhos e velhas que se arrastam para o trabalho. Dos desempregados/as que esperam na fila a sua oportunidade. As condições de vida determinam a desigualdade e submissão.

É assim o nosso Mundo, neste planeta em perigo.

Mas às terras geladas da Suíça também chegarão os sinais da inevitabilidade. A brutalidade das desigualdades e do fosso entre ricos e pobres acabará por decidir o seu fim.

Será bom trabalhar todos os dias para que tal aconteça.

Consulte o relatório aqui: http://www.oxfam.org.uk/media-centre/press-releases/2016/01/62-people-own-same-as-half-world-says-oxfam-inequality-report-davos-world-economic-forum?intcmp=HPWWLWP_grid_davospr

 

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