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Quinta-feira, Outubro 28, 2021

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05 Outubro | Marcelo Rebelo de Sousa homenageia abrantina Lurdes Pintasilgo

O Presidente da República salientou hoje que a “liberdade deve ser causa de sempre” para elogiar o papel em várias áreas da sociedade de António Barreto, Maria de Lourdes Pintasilgo e Manuel Martins, agora condecorados.

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O sociólogo e antigo ministro da Agricultura António Barreto recebeu hoje a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade das mãos do chefe de Estado, uma condecoração também atribuída à antiga primeira-ministra Maria de Lourdes Pintasilgo, natural de Abrantes, e ao antigo bispo de Setúbal Manuel Martins, ambos a título póstumo, e entregue a familiares.

Na cerimónia de condecoração, que decorreu no dia em que se assinala o 107.º aniversário da Implantação da República, Marcelo Rebelo de Sousa evocou o trabalho realizado por cada um dos três homenageados, referindo a “indomável” Maria de Lourdes Pintasilgo, “humanista e personalista cristã”, também com uma “prática profissional a nível do Estado”.

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Acerca daquela que foi primeira-ministra em 1979, recordou ainda a sua contribuição para a afirmação do papel da mulher numa altura histórica em que essa tarefa não era fácil.

Quanto a Manuel Martins, bispo da diocese de Setúbal entre 1975 e 1998, que morreu a 24 de setembro, o Presidente da República disse que gostaria de ter entregue em mãos a condecoração e que chegou a pensar fazê-lo no ano passado.

Recordou a sua “vida ao serviço dos outros”, principalmente dos mais necessitados.

No elogio a António Barreto, Marcelo Rebelo de Sousa falou no “singular percurso” do sociólogo “independente e desempoeirado”, como professor ou nos trabalhos na reforma agrária.

Num discurso emocionado, o antigo ministro da Agricultura agradeceu a condecoração e a honra de “ser acompanhado por duas pessoas em memória” que conheceu e admirou, referindo-se aos outros dois homenageados.

António Barreto salientou que aqueles nunca esqueceram a liberdade e sempre deixaram que fosse um instrumento para realizar os seus ideais.

A Ordem da Liberdade destina-se a distinguir “serviços relevantes prestados em defesa dos valores da civilização, em prol da dignificação da pessoa humana e à causa da liberdade”.

António Barreto já tinha sido distinguido com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo, em 2012, assim como o bispo Manuel Martins, em 2007, ambos no mandato do anterior Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.

Maria de Lourdes Pintasilgo recebeu igualmente a Grã-Cruz da Ordem de Cristo, em 1981, quando António Ramalho Eanes era Presidente da República, e mais tarde foi condecorada com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique, em 1994, no segundo mandato presidencial de Mário Soares.

Maria de Lurdes Pintassilgo nasceu em Abrantes, em janeiro de 1980

Maria de Lourdes Pintasilgo nasceu na freguesia de São João, concelho de Abrantes 18 de janeiro de 1930. Foi engenheira química, dirigente eclesial e política. Lurdes Pintasilgo foi a única mulher que desempenhou o cargo de primeira-ministra em Portugal, tendo chefiado o V Governo Constitucional, em funções de Julho de 1979 a Janeiro de 1980.

Maria de Lourdes Pintasilgo faleceu em Lisboa aos 74 anos de idade, no dia 10 de jullho de 2004 e repousa num modesto jazigo no Cemitério dos Prazeres.

Presidenciais 2016 | Trinta anos depois de Pintasilgo, houve duas mulheres no boletim de voto

As presidenciais de 2016 tiveram, pela primeira vez, duas mulheres candidatas, trinta anos depois da inédita candidatura de Maria de Lourdes Pintasilgo, com quem Maria de Belém trabalhou e que Marisa Matias recorda como “uma rajada de esperança”.

A única mulher que foi primeira-ministra em Portugal, liderando o V Governo Constitucional (agosto de 1979 – janeiro de 1980) foi simultaneamente a única mulher a candidatar-se à Presidência da República, em 1986.

Essa eleição foi ganha à segunda volta por Mário Soares, numa disputa renhida com Freitas do Amaral, mas é também de uma derrotada que reza essa história (Pintasilgo obteve 7,38%, segundo a Comissão Nacional de Eleições), como apontou à Lusa a então candidata apoiada pelo BE, Marisa Matias.

“A história é ingrata porque conta sempre só a perspetiva dos vencedores, mas, nesse caso, Maria de Lourdes Pintasilgo ficou na história não sendo uma vencedora”, afirmou Marisa Matias, que tinha na altura dez anos de idade e recorda “a mobilização que a candidatura criou, também pelo facto de ser uma mulher”.

As recordações de Maria de Belém Roseira sobre Maria de Lourdes Pintasilgo são muito pessoais, já que com ela trabalhou logo no primeiro Governo provisório.

“Fui sua assessora, quer como secretária de Estado da Segurança Social quer como ministra dos Assuntos Sociais. Era uma personalidade com uma inteligência rara, uma capacidade criativa extraordinária, alguém que investiu imenso no desenvolvimento de Portugal em todos os cargos que exerceu, quer em Portugal, quer no estrangeiro, onde era estimadíssima, em todas as organizações internacionais de que foi membro e representante de Portugal, ou [como] convidada enquanto conferencista”, disse Maria de Belém à Lusa, numa resposta escrita.

Marisa Matias não tinha, naturalmente, “os mesmos quadros mentais” aos dez anos de idade, mas as suas recordações da candidatura de Pintasilgo “não são indiferentes ao facto de ter uma enorme admiração pela candidata”: “Era alguém que inspirava confiança, simpatia, e que foi uma rajada de esperança”.

“Teve importância por várias razões, não só por ser uma mulher, mas pela mensagem da candidatura, a mensagem muito forte de pôr a democracia a funcionar, pouco mais de dez anos depois do 25 de Abril, foi muito marcante e ficou até hoje”, considera.

A existência de duas candidaturas no feminino, 30 anos depois de Maria de Lourdes Pintasilgo, mais de 40 anos após a democracia que instituiu o sufrágio universal, permitindo o voto de todas as mulheres, pela primeira vez, é expressão “da afirmação lenta das mulheres no quadro político nacional, mas é uma afirmação”, aponta Marisa Matias.

“Acho que não se pode ofuscar o positivo que tem pelo facto de estarmos muito atrasadas. Por algum sítio tem de se recomeçar, 30 anos depois é um recomeço e é positivo haver duas mulheres candidatas. É um sinal de maior maturidade, embora falte muito”, sustenta.

Maria de Belém Roseira considera que “é um sinal dos tempos” e recorda que a revisão constitucional de 1997 introduziu, no artigo 109, “ser indispensável ao aperfeiçoamento da democracia a participação equilibrada de homens e mulheres”.

“Trabalhei e tenho trabalhado sempre muito para que as mulheres tenham maior representatividade na política. Aliás, fui eu a preponente da Lei da Paridade. Uma lei da minha responsabilidade em termos de defesa no parlamento”, afirma.

“Se hoje a nossa Assembleia da República tem a configuração que tem em termos de participação de mulheres a essa lei se deve. Evidentemente que já existiam mulheres na política antes dessa lei, mas o que é um facto é que, a partir desse momento em que as listas têm de ter pelo menos um terço dos géneros, entraram as mulheres em força, mulheres com muita visibilidade, pela sua competência, capacidade de trabalho, afirmação e pensamento na política”, sublinha Maria de Belém.

C/LUSA

A experiência de trabalho nas rádios locais despertaram-no para a importância do exercício de um jornalismo de proximidade, qual espírito irrequieto que se apazigua ao dar voz às histórias das gentes, a dar conta dos seus receios e derrotas, mas também das suas alegrias e vitórias. A vida tem outro sentido a ver e a perguntar, a querer saber, ouvir e informar, levando o microfone até ao último habitante da aldeia que resiste.

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