“Yayoi Kusama”, por Massimo Esposito

Há momentos que na nossa vida mudam os nossos pensamentos e eu tive há pouco um destes. Como é de conhecimento publico gosto da arte figurativa mas isto não faz de mim um dinossauro ou, como alguns dizem, um retrógrado. Uma minha colega de liceu que trabalha como restauradora e frequenta o Louvre e os Uffizi , postou no Facebook um pequeno filme que lembrava a obra de Yayoi Kusama

Já tinha eu visto algumas suas obras em livros e internet e naqueles tempo não me despertou muito a atenção, compreendendo que era sim uma grande artista não se alinhava com os meus gostos…e ainda agora está distante.

MAS…agora que fiz uma pequena pesquisa sobre as suas obras e sua vida a sinto mais perto.

Ela nasceu no 1929 no Japão e desde pequena ele sofria de alguma doença mental que com o tempo se descobriu ser esquizofrenia. Problemas familiares, a guerra mundial e outras situações extremas a levaram a piorar e a se dedicar a aguarela e pintura a oleo…mas desde sempre as “bolinhas” foram o “leif motiv” da sua obra. Ela diz que vê sempre pontos e bolinhas a sua frente e as retrata compulsivamente em muitas maneiras usando plástico, luzes, vidros e outros materiais. Famosos são os seus”quartos infinitos” onde o uso de espelhos e luzes adequadas dão a impressão do infinito com grande choc visivo e emocional

Todas as suas formas expressivas possuem algo de surrealismo, modernismo e minimalismo, e assim podemos notar o padrão de repetição e acumulação. Como ela mesma diz: “Minha arte é uma expressão da minha vida, sobretudo da minha doença mental, originária das alucinações que eu posso ver. Traduzo as alucinações e imagens obsessivas que me atormentam em esculturas e pinturas. Todos os meus trabalhos em pastel são os produtos da neurose obsessiva e, portanto, intrinsecamente ligados à minha doença. Eu crio peças, mesmo quando eu não vejo alucinações.

Esta exuberante artista, foi convidada pela pintora americana Georgia O ´Keefe e aí desenvolveu a sua arte com a amplitude que só a América POP  dos anos ´60 podia dar, amiga de Andy Warhol, Joseph Cornell e Donald Judd foi rapidamente aceite e começou a liderar a vanguarda artística daqueles tempos

Participou de diversas exposições de arte a céu aberto no Central Park e no Brooklyn Bridge e avançou a passos largos para instalações e obras gigantescas e de grande impacto visual.

Ela vive no Japão onde regressou há anos, ma consciente da sua doença, apesar de ter um apartamento/atelier, a maior parte do tempo o passa numa instituição por doenças mentais e como ela mesma diz: se não fosse a minha arte, já  me teria  matado há muito tempo.

Falei dela porque gostei de ver a sua arte, é colorida e fantasiosa e talvez toucou uma minha parte menos coerente mentalmente, e me fez sentir feliz.

E é isto que a arte deveria fazer, mexer nos sentimentos das pessoas e faze-las sentir alegres ou pensar em coisas construtivas.

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Pintor Italiano, licenciado em Arte e com bacharelato em Artes Gráficas em Urbino (Itália), vive em Portugal desde 1986. Em 1996 iniciou um protejo de ensino alternativo de desenho e pintura nas autarquias do Médio Tejo que, após 20 anos, ainda continua ativo. Neste projeto estão incluídas exposições coletivas e pessoais, eventos culturais, dias de pintura ao ar livre, body painting, pintura com vinho ou azeite, e outras colaborações com autarquias e instituições. Neste momento dirige três laboratórios: em Abrantes, Santarém e Entroncamento.
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