VN Barquinha | Festas das Limeiras regressam em agosto, honrando a tradição

Os cestos e os tabuleiros seguiam também na procissão, sendo leiloados no fim do dia. Maioritariamente regressavam à família que os tinha ofertado. Foto: Centro Cultural e Desportivo Limeirense (CCDL)

As festividades das Limeiras, na Praia do Ribatejo, são tão antigas que a sua origem se perdeu nos tempos. Sempre se falaram das festas como sendo seculares e, de acordo com as pesquisas realizadas pela comunidade, terão pelo menos 200 anos.

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Em 1954 sabe-se que eram seis os festeiros a envergar as capas vermelhas em honra de São João Baptista, o padroeiro que em 1902 deu nome a uma Irmandade de homens bons, e que, pelo menos desde o século XVII, tinha nesta localidade uma pequena ermida.

Não tendo os vivos memória do seu início, há no entanto uma certeza: este ano há nova edição e vai decorrer nos dias 3, 4 e 5 de agosto, apresentando as alterações próprias da época que vivemos, mas nunca descurando a tradição.

Já não são seis os festeiros, mas sim 17 – cinco mulheres, solteiras como manda a herança cultural, e 12 homens, embora já nem todos casados, como era costume. A procissão segue agora um trajeto diferente e nestas festas já não se envergam apenas capas vermelhas, em honra de São João Baptista, mas também capas brancas, em honra de Nossa Senhora da Conceição, padroeira da localidade.

Membros da Comissão de Festas do ano de 1954, ano que o lucro da mesma foi 5.175$00. Foto: Centro Cultural e Desportivo Limeirense (CCDL)

As novidades vão sempre surgindo pelo lado profano, como explica Rita Inácio, uma das festeiras deste ano, dizendo que se tenta sempre “ir buscar outras coisas que chamem gente, nem que seja pela curiosidade, mas na realidade esta é uma festa extremamente tradicional, e essas tradições tentamos mantê-las, embora às vezes acrescentando umas inovações, como tem de ser”.

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As festeiras são as responsáveis pela decoração da festa, contando com a ajuda dos familiares e amigos. Foto: mediotejo.net

Este ano, o início das festividades está marcado para as 08h00 de sábado, dia 3 de agosto. A animação fica a cargo das Concertinas da Barrenta, às 20h30, seguindo-se as atuações da banda Remédiu Santu e dos humorísticos Ti Maria da Peida, às 21h00 e 23h30, respetivamente. O baile continua pela noite dentro.

O domingo inicia-se às 08h00 com a recolha de Fogaças, bolos tradicionais e ex-libris das festas. A Escola de Dança do Cur Moita do Norte atua às 21h00, seguindo-se o espetáculo da Banda Réplika uma hora mais tarde.

A segunda feira apresenta-se como o momento mais familiar e tradicional. É neste dia que as pessoas que foram nomeadas para festeiras do ano têm a mesa posta, e é quando que se dá a passagem do testemunho. “É nesta parte que as pessoas se sentem mais ‘limeirenses’, explica Rita Inácio.

Este dia inicia-se às 13h00 com a tradicional receção aos novos festeiros para 2020, junto das suas residências, contando com o acompanhamento do grupo Gaiteiros dos Brasões. Às 18h00 celebra-se a missa do Sufrágio, por intenção dos festeiros já falecidos, enquanto que uma hora mais tarde decorre a cerimónia tradicional da entrega da Bandeira à nova Comissão de Festas e das capas vermelhas e brancas que têm o peso próprio da tradição.

Momento da Passagem da Bandeira nas Festas de S. João Baptista e N.S. da Conceição (Limeiras, VN Barquinha)

Publicado por mediotejo.net em Segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Também na preparação da festa se tenta manter a tradição: enquanto que as festeiras, mulheres solteiras, tratam da decoração, cabe aos homens montarem toda a estrutura. Do lado das festeiras Rita Inácio é juíza de São João Baptista, enquanto que Liliana Grácio é juíza de N. Sra. Da Conceição. Já no lado masculino, José Gilberto é juiz de São João Baptista e Tiago Morgado juiz de N. Sra. Da Conceição, ou sejam, são eles os responsáveis pela organização do trabalho de ambas as partes, sendo o responsável máximo o juiz de São João Baptista, padroeiro mais antigo da festividade.

Este padroeiro é também um tanto peculiar, sendo esculpido em pedra, e tendo o corpo coberto por uma pele de javali, e não de cordeiro ou camelo, como é usual. Reza a lenda que foi encontrado no rio Zêzere por pescadores e que foram as mulheres deles que o trouxeram à cabeça.  Na opinião de Rita Inácio, o Santo é também outra prova de uma herança bem antiga, da antiga Ordem do Templo (e posterior Ordem de Cristo), fazendo referência à Igreja de São João Baptista, em Tomar.

Leilão dos Bolos das fogaças no fim da procissão. Foto: Centro Cultural e Desportivo Limeirense (CCDL)

Este ano as festeiras tinham como objetivo tornar a “aldeia mais colorida”, sendo o propósito “enfeitar todo o percurso da procissão”, mas tal deverá ser impossível, explica Rita Inácio, acrescentando que é muito difícil pois são cinco as festeiras. Mesmo “contando com a ajuda de familiares, além da ajuda dos jovens do OTL (Ocupação dos Tempos Livres, programa da CM VNB, e projeto da JF Praia do Ribatejo) que estão a enrolar papel para um tapete colorido gigante para colocar na procissão, trabalho para o qual também estão a contribuir os idosos da Fundação Dr. Francisco da Cruz, da Praia do Ribatejo”, só deverão conseguir cumprir parcialmente o desejado.

“Antigamente guardava-se a melhor roupa e a melhor comida para as festas. Claro que hoje em dia já não é assim, mas o sentimento é o mesmo: nestes dias os limeirenses vivem para festa”, diz Rita Inácio, juiza de São João baptista

Claro que acaba por haver sempre uma competição (saudável) entre os festeiros dos diferentes anos, pois cada ano tenta sempre fazer a festa mais bonita, a mais colorida e a que dá mais lucro. As expetativas são sempre altas e a festa, diz Rita Inácio, “tem cada vez mais projeção a nível regional e traz cada vez mais gente de fora”. Um dos “indicadores estatísticos” da organização está nos comes bebes… por exemplo, no ano passado, em três dias, foram vendidos 700 frangos assados.

Mas o importante para os festeiros, e para toda a comunidade limeirense, é que tudo corra bem neste momento especial de reunião. “Antigamente guardava-se a melhor roupa e a melhor comida para as festas. Claro que hoje em dia já não é assim, mas o sentimento é o mesmo: nestes dias os limeirenses vivem para festa”, diz Rita Inácio.

E assim sendo, tal como manda a tradição, no primeiro fim de semana de agosto muitos se juntarão nestes três dias de festejos, com muita alegria e emoção.

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