VN Barquinha | Da Ordem do Templo à Ordem de Cristo, uma lição de história com 700 anos

O historiador Manuel Gandra e o Presidente da Câmara de VN Barquinha, Fernando Freire. Foto: CM Barquinha

Durou mais de duas horas a lição de história que o investigador Manuel J. Gandra deu no no centro cultural de Vila Nova da Barquinha, sobre os 700 anos da fundação da Ordem de Cristo. Com enfoque especial nos três primeiros dias da história oficial da Ordem de Cristo, Manuel J. Gandra enquadrou o tema com recurso a exibição de documentos como as primeiras bulas papais sobre a fundação daquela Ordem.

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A sessão, que decorreu em meados deste mês para assinalar os 700 anos da fundação da Ordem de Cristo, começou com palavras introdutórias do presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, responsável pela iniciativa, que contextualizou o tema referindo as comendas de Almourol e da Cardiga criadas por D. Dinis, e que correspondem ao território onde VN Barquinha atualmente se insere.

O mote principal de toda a palestra foi a passagem da Ordem do Templo para a Ordem de Cristo e como a corte portuguesa geriu este processo com a Santa Sé.

Tentando desmistificar algumas ideias feitas sobre a Ordem dos Templários e a Ordem de Cristo, Manuel Gandra mostrou mapas, imagens e documentos para ajudar a enquadrar a história que marcou o destino da nossa região e de Portugal há 700 anos.

“Estamos aqui para comemorarmos e evocarmos os 700 anos da criação da Ordem de Cristo que é uma espécie de ressurreição da ordem do Templo”, começou por explicar o orador, tendo sublinhado que, ao contrário do que se diz e muita gente pensa, em 1307 a ordem do Templo não foi extinta mas sim suspensa.

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Desde esse ano até 1319 “decorreram uma série de negociações por parte de D. Dinis e dos seus representantes no sentido da criação de uma nova milícia que na realidade não era nova, era a mesma milícia do Templo mas nacionalizada, essa é a grande diferença”, sublinhou Manuel Gandra.

Ou seja, a Ordem do Templo era internacional, transnacional, mas a Ordem de Cristo é apenas de âmbito nacional e ainda hoje existe como ordem honorífica.

O investigador mostrou o documento redigido em latim, a bula que instituiu a Ordem de Cristo, cujo original está na Torre do Tombo, bem como outros documentos que se reportam aos três dias iniciais da ordem, 14, 15 e 16 de março de 1319. E, no essencial, a conferência desenvolveu-se em torno destes três documentos: a bula fundadora, a bula que nomeia o Grão-Mestre e a aceitação por parte de D. Dinis.

Se quanto à Ordem de Cristo existem vários documentos originais razoavelmente preservados, já são escassos os documentos referentes à Ordem dos Templários. E neste capítulo há um nome que tem responsabilidades na tentativa de apagar a história ao mandar queimar tudo o que fosse memória Templária: Frei António de Lisboa, considerado por Gandra como “o grande verdugo, o grande carrasco da Ordem do Templo, porque ele mandou destruir toda a documentação que ele considerava não ter interesse”.

O palestrante revela haver vestígios no Convento de Cristo, em Tomar, de autos de fé de documentos Templários, ao mesmo tempo que sublinha o facto de terem havido três autos de fé de pessoas, normalmente considerados hereges, em Tomar.

A tentativa de apagar a memória Templária passou também pela destruição dos túmulos dos Grão-Mestres Templários que estavam na igreja de Santa Maria do Olival, refere o orador.

Um aspeto que releva e que foi crucial para o desenvolvimento da Ordem de Cristo é que, ao contrário do que o Papa pretendia, esta organização acabou por ter autonomia da Santa Sé ficando sob o domínio total da coroa portuguesa, por exemplo, no que concerne à gestão dos bens e à sua reforma.

D. Manuel torna-se o primeiro rei Grão-Mestre da Ordem de Cristo mesmo antes de subir ao trono. Desde então todos os reis portugueses se tornaram Grão-Mestres.

O que talvez pouca gente saiba é que, na atualidade, é o Presidente da República que é o Grão-Mestre da Ordem, mantendo a sucessão hierárquica.

“Evidentemente que a Ordem já não é religiosa e militar como foi até 1834 – ano que todas as ordens religiosas foram extintas – mas é uma ordem honorífica, que recupera alguns valores da Ordem de Cristo original”, notou Manuel Gandra.

Todos os anos, no dia 10 de junho, o Presidente da República atribui o distintivo da Ordem Militar de Cristo, nos diferentes graus – Grã-Cruz, Grande Oficial, Comendador, Oficial e Cavaleiro/Dama  a destacadas figuras da sociedade portuguesa.

No final da palestra houve ainda um espaço para perguntas e respostas em que as dezenas de presentes tiveram oportunidade de satisfazer a sua curiosidade sobre aquela época histórica.

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