Viagens | 10 segredos para descobrir no Médio Tejo

Esta região do Médio Tejo, que é quase toda ela Ribatejo, mas não tem tantos Cavalos nem Touros, faz fronteira com as Beiras e o Alentejo, recebendo influências de todos, mas permanecendo imune a uma “venda” de identidade.

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Como o nome indica, o Tejo, o rio Tejo, é nome forte por aqui, principal razão do muito património edificado que existe, seja por ser palco predestinado a uma defesa militar dos nossos antepassados, ou por ser um canal privilegiado de transporte de mercadorias para a capital. Destes dois pontos nasceram cidades e cultivaram-se povos. Apesar deste agrupamento denominado como Médio Tejo ser recente, a sua história é antiga e, em muitos e diversos aspetos, pode-se considerar mesmo de grandiosa.

Para muitos é uma espécie de “terra de ninguém”, uma vez que nem é Ribatejo, nem é Alentejo, nem é Beiras. Eu prefiro ver o copo meio cheio a meio vazio. Somos um pouco de tudo. Tal facto não faz de nós (habitantes do Médio Tejo) melhores, mas faz-nos certamente diferentes.

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É nessa diferença e diversidade que está, turisticamente falando, a nossa riqueza. Pegando no “turisticamente falando” e na “diversidade”, pretendo levá-los comigo numa viagem por “10 segredos por descobrir” nesta região. Sim, eu sei, muitos não são segredos, até são bem conhecidos, mas vistos numa perspectiva conjunta, fazem deste Médio Tejo um segredo que merece ser descoberto. Descoberto por quem lá vive, aumentando o orgulho na sua terra e aumentando a sua qualidade de vida, e descoberto por gente de fora, que certamente vai apreciar a experiência.

#UM CAMINHO: Grande Rota do Zêzere, entre Dornes e Constância

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Percurso fabuloso, com cerca de 100km, para ser feito a pé ou de bicicleta (BTT), sempre junto ao rio Zêzere. O percurso está todo (bem) marcado no terreno, com sinalética, mapas e informação. Destaque particular para a incrível paisagem sobre o rio Zêzere e albufeira de Castelo de Bode, para a passagem nas lindíssimas vilas de Dornes e Constância, e para as praias fluviais de Fernandaires, Penedo Furado (com as suas cascatas) e Aldeia do Mato. O ideal será dividir o percurso em quatro etapas (dias) para quem faz a pé e dividir em duas etapas (dias) para que faz de bicicleta.

#UMA ALDEIA: Água Formosa, Vila de Rei

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Aldeia pertencente à rede Aldeias do Xisto. Parece saída de um filme de fantasia. Um conjunto de casas de pedra, cuidadosamente alinhadas, com ruelas e becos com nomes particulares, com um pequeno ribeiro a agraciar ainda mais a aldeia. Escondida no meio do pinhal, sente-se uma paz incrível no interior desta mágica aldeia. Fica a sensivelmente 10km de Vila de Rei e Sardoal.

#UM VINHO (e vinha): Casal da Coelheira, Tramagal

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Com vinhos brancos, tintos e rosé muitíssimo premiados, que justificam a sua qualidade. Mas é o Casal da Coelheira, é muito mais do que um vinho. É uma vinha junto ao rio Tejo, com uma paisagem belíssima, é uma adega muito gira que envolve a comunidade local, e é uma história de família. Beber um vinho do Casal da Coelheira é tudo isto.

#UMA PRAIA FLUVIAL: Cardigos, Mação

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Perfeita comunhão entre o natural e o artificial. Espaço muito agradável, entre uma extensa zona pinhal. Bar de apoio, relva junto à água, diversas churrasqueiras, e muitos e organizados lugares de estacionamento. Uma verdadeira pérola (praia) no interior do país.

#UM PARQUE NATURAL: Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, Alcanena, Torres Novas e Ourém

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De uma riqueza geológica incrível e com uma área total de cerca de 40.000 hectares. Por aqui existem paisagens (onde pedra é rainha, e a altitude, fora do comum para região, proporciona imagens fabulosas sobre a região), rotas (muitas delas marcadas, para fazer de bicicleta e a pé), grutas (existem várias, na zona de Minde) e até pegadas de dinossauros (Pedreira do Galinha, perto de Ourém) por descobrir.

#UM CASTELO: Castelo de Almourol, Tancos

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Este não é segredo para ninguém, é uma das bandeiras turísticas da região e também de Portugal. Tem a particular localização de uma ilha no meio do rio Tejo (perto de Tancos). Se não é segredo individualmente, a sua descoberta em conjunto com o Convento de Cristo (Tomar), a Quinta da Cardiga (Golegã) e as igrejas de Atalaia (V.N. Barquinha) e Golegã, pode ser uma agradável surpresa.

#UM FESTIVAL: Bons Sons, Cem Soldos

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A aldeia de Cem Soldos (Tomar) transforma-se num festival (literalmente, a aldeia “fecha” e transforma-se num recinto musical) de música no mês de agosto. Apesar de recente, já é um dos míticos festivais de música em Portugal. Apresenta um cartaz 100% nacional e é possível assistir a concertos com palcos distribuídos pelas praças (e na igreja) da aldeia.

#UMA CASCATA: Penedo Furado, Vila de Rei

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Apesar de pertencer ao concelho de Vila de Rei, fica numa zona de fronteira com os concelhos de Sardoal e de Abrantes. Também é uma praia fluvial e passa por lá a Grande Rota do Zêzere. Mas (para mim) o seu ponto grandioso são as suas duas cascatas. O caminho é acidentado mas vale o esforço para lá chegar (a envolvência do caminho também é digna de registo).

#UMA JANELA: Janela do Capítulo, Convento de Cristo

foto9bSim, uma janela. Uma janela, vale uma viagem? Esta vale! Provavelmente a janela mais icónica de Portugal, localizada no interior do (fabuloso) Convento de Cristo, em Tomar. Imponente, estilo Manuelino, carregada de pormenor e de símbolos por desvendar. Aproveite viagem e visite todo Convento (com particular destaque para a Charola) e o Aqueduto do Pegões (construído para abastecimento de água ao Convento).

#UMA VIAGEM: Concelho de Abrantes

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O concelho de Abrantes é (para mim) o espelho da diversidade desta região. Perfeito para uma road trip. A Norte, com inúmeras e particulares aldeias junto à Albufeira de Castelo de Bode, numa zona de pinhal, com dialecto e gastronomia claramente influenciadas pela região (cultura) da Beira Interior. No centro, a cidade de Abrantes, onde o Tejo é marca imponente e que divide o concelho a meio. A Sul, região completamente distinta da região Norte, plana, onde o sobreiro (montado) é rei. Aqui a influência é mista, juntando o Alentejo e o Ribatejo: faz fronteira, a Sul, com o concelho de Ponte de Sor, já Alentejo, e, a Sudoeste, com o concelho de Chamusca, Ribatejo no seu estado puro. Tudo isto, toda esta diversidade, em 40km de território.

*Reportagem publicada em agosto de 2016

 **Republicada no âmbito de alguns trabalhos a que voltamos a dar destaque e que foram publicados no jornal mediotejo.net entre dezembro de 2015 e dezembro de 2016

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