“Venezuela, um país à espera da liberdade”, por Hugo Costa 

© REUTERS / Manaure Quintero

A liberdade é o valor mais supremo em democracia. Historicamente, uma das grandes diferenças entre a denominada “extrema-esquerda” e a esquerda democrática foi o de colocarem ou não a liberdade como fator essencial. Uma ditadura é uma ditadura. Para mim, ser de direita ou supostamente de esquerda, muito pouco relevante se torna.

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Vem isto a propósito da situação na Venezuela. O país está numa situação limite. Uma situação de fome, insegurança e miséria que não deixa ninguém indiferente. Acresce a esse fato que o regime de Nicolas Maduro, segundo os pressupostos da constituição, tenha a legitimidade retirada. Só as eleições livres podem ser o caminho para uma Venezuela democrática.

O Governo Português, em linha com a posição da União Europeia, apelou a 26 de janeiro à realização na Venezuela de eleições presidenciais livres, transparentes e credíveis, de acordo com as práticas democráticas internacionalmente aceites e no respeito da Constituição da Venezuela, para que possa finalmente ser ultrapassado o vazio político resultante da ilegitimidade do processo eleitoral de maio de 2018 e o consequente impasse político e profunda crise social.

A decisão do nosso Governo de reconhecer e apoiar a legitimidade do Presidente da Assembleia Nacional Venezuelana, senhor Juan Guaidó é a correta com intuito de convocar eleições livres. É a decisão que mais defende os nossos compatriotas. Infelizmente, o prazo para que essas eleições fossem convocadas terminou dia 3 de fevereiro, sem que o senhor Nicolás Maduro tenha demonstrado qualquer abertura nesse sentido.

O Governo português agiu bem e com a prudência de quem tem a sua segunda maior comunidade na América Latina naquele país. Portugal esteve do lado do diálogo e da paz. Maduro não aceitou esse diálogo proposto pela união europeia e continua na sua agonia. A agonia de um pais divido, um país em que se deve evitar o banho de sangue e em que tudo deve ser realizado com inteligência e prudência.

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Deixo uma última nota para lamentar os erros da nossa extrema esquerda (BE e PCP) que enfeudados numa lógica ideológica continuam a teimar em defender o regime da Venezuela e, pasme-se, na Assembleia da República a estarem contra os votos em defesa da democracia no território.

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