“Vai ficar tudo bem”, por Vasco Damas

Foto: DR

Vai ficar tudo bem. Lê-se e ouve-se cada vez com mais frequência num raio de esperança que cresce dentro de cada um de nós numa manifestação de um subconsciente emocional que tem pouco de racional.

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“Vai ficar tudo bem” que manifesta um desejo e acalma uma inquietação crescente porque lutamos contra um inimigo desconhecido e invisível.

“Vai ficar tudo bem” que nos apazigua e permite ver um achatamento na curva de novos casos que nos dá a falsa sensação de estarmos no bom caminho. Espero estar enganado, mas não creio que estejamos!

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Bem sei que o otimismo nos faz chegar onde pensávamos que seria impossível e que o pessimismo nos amarra a âncoras que não nos deixam sair de onde estamos e, eu até sou um otimista por natureza, acreditem, mas este problema não se resolve com otimismos ou pessimismos, resolve-se de forma pragmática com medidas objetivas que obrigue cada um a defender-nos a todos.

Não me parece que a atual ameaça à vida de cada um de nós se resolva com um simples “fiquem em casa”. Em primeiro lugar, porque as notícias dos últimos dias nos dizem que muitos ignoram ou minimizam os riscos que correm e, essencialmente, que fazem correr. Em segundo lugar, porque, apesar de as entender, considero insuficientes as medidas de contenção anunciadas na semana passada pelo governo. E em terceiro lugar, porque continuo a considerar que é muito mais aquilo que desconhecemos quando comparado com aquilo que sabemos sobre este tema.

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Devemos saber interpretar aquilo que nos dizem mas também devemos ser perspicazes para o fazer em relação àquilo que não nos dizem. No meio de tanta informação, há muita desinformação e fico ainda com a sensação que muita da informação oficial não é coerente. Tenho muitas dúvidas em relação à exigibilidade do número de testes efetuados diariamente no nosso país e em relação ao desaconselhamento por parte da diretora da DGS do uso de máscaras e de outros equipamentos de proteção individual. Chego mesmo a ficar com a sensação que, todos sem exceção, andamos perdidos sem saber muito bem para onde devemos ir.

No meio de tanta dúvida, o mais razoável é mesmo ficar em casa. Pelo menos para os que podem. Mas depois volto a ficar baralhado no meio deste estado de emergência que obriga ao confinamento domiciliário mas que tem tantas exceções que, em exemplos caricatos que circulam por aí, nos permite estar em casa passando a maior parte do tempo na rua sem deixar de cumprir a lei.

Vai ficar tudo bem. Sim, as coisas vão melhorar, não tenho dúvidas em relação a esta inevitabilidade. Mas antes de melhorar ainda vão piorar, e muito. É importante termos esta noção e é fundamental percebermos que cada um de nós tem a sua quota-parte de responsabilidade na evolução desta pandemia. Aumentando a consciência individual, percebendo que estamos todos ligados, para que cada um se proteja a si e, assim, esteja a cuidar de todos. Ou como li por aí num destes dias, “isolados, venceremos; juntos, cairemos”.

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