“Uma agenda de 4 anos para o Médio Tejo”, por Duarte Marques

Foto: DR

Na véspera da posse do novo Parlamento importa aqui deixar algumas pistas sobre (novas?) prioridades que todos assumimos. Na verdade, não há grande mudança face aos últimos quatro anos pois os principais problemas permanecem, não foram resolvidos e voltaram a ser prometidos. Portanto, a única novidade não será as causas nem as bandeiras, a única novidade poderá ser a resolução de alguns desses problemas.

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Em matéria de educação, além de dificuldades pontuais, é urgente resolver a falta de assistentes operacionais nas nossas escolas, acabar com o estrangulamento político e financeiro dos Agrupamentos (onde quase tudo emana da 5 de outubro apesar da “converseta” do reforço da autonomia), renovar o material informático das escolas e fazer alguma coisa de jeito nas carreiras dos professores que merecem mais exigência, mas também mais respeito e reconhecimento.

Em matéria ambiental, as prioridades da região são sem sombra de dúvida a questão dos caudais do rio Tejo, a poluição do rio Almonda e do Nabão, continuar o esforço de renovação das ETAR’s da região e intervir no problema do mau cheiro em Alcanena (assunto que recebeu um investimento de 14 milhões de euros em 2014).

Relativamente às infraestruturas e equipamentos a situação mais urgente é mesmo baixar os custos das portagens da A23 e a conclusão do IC3 que ajudará a resolver os problemas causados pelo brutal afluxo de camiões ao Eco Parque do Relvão na Chamusca. Mas importa também não deixar esquecer a necessidade de criar uma nova ligação entre as duas margens do Tejo que possa dar resposta às necessidades existentes das empresas localizadas a sul. O aproveitamento da polígono de Tancos não pode ser menorizado no momento em que se discute o futuro aeroportuário do país nem as simples obras de requalificação das estradas existentes na região. Quanto à ferrovia está quase tudo dito, é preciso investir na recuperação e modernização tanto dos comboios como das linhas.

Quanto aos cuidados de saúde há ainda muito a fazer. A falta de médicos é gritante e apesar de termos três hospitais na região do Médio Tejo isso não nos tem trazido melhores soluções. O garrote financeiro imposto por Centeno estragou muito do que estava a ser recuperado no tempo da troika e a situação actual é muito pior apesar da propaganda existente. Ao nível dos cuidados de saúde primários há todo um caminho a percorrer pois se há concelhos com boas soluções e boa cobertura há outros que se encontram num desespero completo.

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Queria deixar ainda três referências a três sectores que estão ligados e que, para mim, podem ser a chave do futuro da região: cultura-património-turismo. O património histórico existente na região é ímpar e vai desde o Santuário de Fátima ao Castelo de Almourol e ao Convento de Cristo, passando pela sinagoga de Tomar ou pelo Aqueduto dos Pegões entre tantos outros. A lista é extensa e os locais mais desconhecidos são infinitos. Temos as paisagens, as rotas pedestres, a reserva do Paul do boquilobo, o Zêzere ou o Tejo, as praias fluviais de Mação, do Sardoal, de Vila de Rei, entre tantas outras. Não há turismo sem património que importa recuperar, animar a sobretudo ligar, criar rotas e percursos. O Médio Tejo tem tudo isso e uma tremenda gastronomia. Só falta ligar, promover e profissionalizar.

Muitos problemas terão ficado aqui esquecidos, mas na próxima semana voltamos ao tema.

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Duarte Marques, 38 anos, é natural de Mação. Fez o liceu em Castelo Branco e tirou Relações Internacionais no Instituto de Ciências Sociais e Políticas da Universidade Técnica de Lisboa, com especialização em Estratégia Internacional de Empresa. É fellow do German Marshall Fund desde 2013. Trabalhou com Nuno Morais Sarmento no Governo de Durão Barroso ao longo de dois anos. Esteve seis anos em Bruxelas na chefia do gabinete português do PPE no Parlamento Europeu, onde trabalhou com Vasco Graça Moura, José Silva Peneda, João de Deus Pinheiro, Assunção Esteves, Graça Carvalho, Carlos Coelho, Paulo Rangel, entre outros. Foi Presidente da JSD e deputado na última legislatura, onde desempenhou as funções Vice Coordenador do PSD na Comissão de Educação, Ciência e Cultura e integrou a Comissão de Inquérito ao caso BES, a Comissão de Assuntos Europeus e a Comissão de Negócios Estrangeiros e Cooperação. O Deputado Duarte Marques, eleito nas listas do PSD pelo círculo de Santarém, foi eleito em janeiro de 2016 um dos novos representantes portugueses na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, com sede em Estrasburgo. Sócio de uma empresa de criatividade e publicidade com sede em Lisboa, é também administrador do Instituto Francisco Sá Carneiro, director Adjunto da Universidade de Verão do PSD, cronista do Expresso online, do Médio Tejo digital e membro do painel permanente do programa Frente a Frente da SIC Notícias.

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