Última Hora | Lampreia ‘chipada’ em açude de Abrantes ‘lixa’ submarino

O submarino NRP Tridente, que regressava do exercício naval “Guardian Sea”, ao serviço da Stanforland (NATO), sofreu esta madrugada um invulgar acidente à entrada da barra do Tejo, causado por uma lampreia ‘chipada’ no açude de Abrantes, que zarpava a toda a velocidade para mar alto, com os sacos da desova à ilharga. Contactada por especialistas no linguajar das lampreias, estas não esconderam o pânico pelo que estava a montante do rio: “Lá ao fundo está uma montanha enorme por escalar e por detrás dele (do açude) centenas de pescadores esfomeados, com panelas ao lume”.

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Tudo começou às 3 horas e 42 minutos desta madrugada de sábado, quando o submarino, que navegava emerso junto ao farol do Bugio, começou a sofrer interferências no sistema de geolocalização e navegação. Embatido no areal que cerca o farol e ficou imobilizado no mesmo. Com a chegada dos rebocadores e a maré cheia foi libertado, já esta manhã, tendo acostado à Base do Alfeite, com riscos e amolgadelas no casco mas, aparentemente, sem danos de maior – quer no submarino, quer na lampreia abrantina.

A lampreia e o chip que só parou no mar da palha, em Lisboa.

Iniciada a investigação a cargo das entidades competentes concluiu-se, numa análise prévia, que a emissão que provocou as interferências corresponde à frequência do transmissor instalado na lampreia junto ao açude de Abrantes, para estudo do seu comportamento junto daquela estrutura e para confirmar se os ciclóstomos conseguem galgar o açude e seguir o caminho em direção a Norte, ou seja, diretamente para as redes dos pescadores nativos de Mouriscas, Alvega, Monte Galego ou Ortiga.

De recordar que recentemente foram libertadas, perto de Abrantes, vinte lampreias equipadas com transmissores que estão a servir de teste à transponibilidade do açude insuflável à migração piscícola, um estudo que visa encontrar soluções para o processo de monitorização da escada passa-peixes instalada no rio Tejo.

Sendo que uma já foi capturada no Tramagal e uma outra na Azinhaga, admite-se que alguns exemplares já tenham chegado ao mar da palha. O estudo vai agora incidir se a fuga das lampreias se deve à falta de ginástica do apetecido ciclóstomo com arroz de cabidela para dar um salto flic-flac e contornar e galgar o açude, se por temer os ferozes pescadores de além açude de Abrantes, esganados por apanhar uma lampreia, espécie em vias de extinção para aquelas bandas, tenha ela transmissor ou chip incorporado.

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“Aquilo marcha tudo. O chip é fininho, até serve de palito”, confidenciou um pescador que aguarda desde fevereiro pela chegada das espécies para a desova.

Os pescadores ameaçaram já hoje a família das lampreias com uma greve de fome lembrando às espécies piscícolas que a desova se faz para montante do rio e suplicando às lampreias seniores que chamem os seus filhos à razão e os façam regressar e acabar a sua vida numa panela da região, como qualquer lampreia que se preze.

Quanto ao submarino… aguarda-se comunicado oficial da Armada, embora alguns dos membros da tripulação tenham sido avistado com redes à entrada da barra. Outros mexiam em tachos e panelas. O próprio comandante tinha ido ao vinho, para os lados da Coelheira.

Nota da direção, 02 de abril de 2017 | Ontem esta foi a “notícia” mais lida do dia, quer no site quer no facebook. Mas a maioria dos nossos leitores percebeu logo à primeira: era apenas uma brincadeira de 1 de abril. Ainda não desenvolvemos capacidades para falar com lampreias nem é previsível que o chip de um animal possa provocar interferências nos sistemas de navegação…

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