
Na última reunião da Assembleia de Freguesia de Tramagal, realizada no segunda-feira, dia 24 de setembro, no Crucifixo, na presença de cerca de três dezenas de cidadãos que fizeram questão de participar e assistir ao debate de ideias sobre as questões que afetam a sua comunidade, voltou a debater-se o problema da má acessibilidade rodoviária que há décadas afeta esta vila do concelho de Abrantes e toda a região envolvente.
Foram aprovadas por unanimidade duas Moções, apresentadas por PS e Movimento Independentes Freguesia Tramagal (MIFT), respetivamente, e que apontam a urgência da resolução do problema, atendendo aos constrangimentos que provoca ao desenvolvimento regional, à atividade de muito importantes empresas situadas em Tramagal, em Constância Sul e no Eco Parque do Relvão (Chamusca), assim como ao Campo Militar de Santa Margarida.

Coincidindo no objetivo genérico, as propostas apresentadas pelas forças políticas representadas na Assembleia avançaram caminhos diferentes para vencer a barreira das “curvas de Tramagal” e da distância ao sistema de autoestradas nacional:
A proposta do Partido Socialista foi no sentido de solicitar ao Estado, através da Infraestruturas de Portugal, que considere como prioritária a implementação do troço do IC9 de ligação de Abrantes a Ponte de Sor e da respetiva nova travessia sobre o Tejo, conforme previsto no Plano Rodoviário Nacional 2000.
A moção apresentada pelo Movimento Independente Freguesia Tramagal sugeriu a adaptação do sistema rodoviário existente, com a construção de uma “ponte mais simples, mas também de maior polivalência”, efetuando a ligação entre a EN118 e a EN3 / A23 através da Estrada da Zona Industrial de Tramagal e do acesso à antiga Barca de Caldelas.
O PS, através do presidente da Junta de Freguesia de Tramagal, Vitor Hugo Cardoso, disse que a Moção do Partido Socialista “vai ao encontro do definido e inscrito no Plano Rodoviário Nacional, com localização, vias circulantes e estudo de impacto ambiental aprovados, um traçado que continua a fazer todo o sentido implementar a bem de melhores acessibilidades às empresas e indústrias aqui instaladas, e a bem do desenvolvimento não só da freguesia mas como de toda a região envolvente”.
O MIFT, através de António José Carvalho, considerou que a proposta apresentada tem “uma melhor relação custo/benefício do que a implementação do IC9, que é capaz de servir melhor os principais pontos de origem e destino do tráfego regional, e que potencia um bom interface com a rede ferroviária. No quadro financeiro e de evolução de tráfego previstos é uma solução com maior exequibilidade”, defendeu. Nestes termos, apelou ainda ao Estado e às Comunidades Intermunicipais que “articulem esforços para uma rápida solução do problema”.
A CIMT vai reunir esta quinta-feira e um dos temas que constam da agenda é precisamente a definição concertada entre todos os autarcas do Médio Tejo da lista de acessibilidades prioritárias a apresentar ao Governo para concretização, numa lógica do desenvolvimento integrado regional.

Conheça as moções aprovadas por unanimidade:
1 – Moção PS, a favor da concretização da travessia do Tejo, no concelho de Abrantes, inscrita no Plano Rodoviário Nacional 2000.
Tendo em conta a discussão pública acerca da localização da nova travessia sobre o Rio Tejo. Considerando o Plano Rodoviário Nacional 2000 (PNR 2000) que prevê a construção do IC9 entre Tomar e Ponte de Sôr, contemplando a construção de uma ponte sobre o Tejo e respetivas acessibilidades à Freguesia de Tramagal, determinantes para o desenvolvimento da região, nomeadamente do concelho de Abrantes e limítrofes.
Os eleitos do Partido Socialista da Freguesia de Tramagal reiteram que as acessibilidades consideradas no PRN 2000, nomeadamente a construção de uma travessia sobre o Tejo e respetivas acessibilidades à Freguesia de Tramagal, devem ser concretizadas de acordo com o Plano.
Deve esta Moção ser remetida à Câmara Municipal de Abrantes, Assembleia Municipal de Abrantes, Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, CCDR Lisboa e Vale do Tejo, CCDR Centro, e Ministério do Planeamento e Infraestruturas.
2 – Moção MIFT sobre as acessibilidades rodoviárias a Tramagal e região envolvente
“Considerando que a má acessibilidade rodoviária à vila de Tramagal é um dos principais constrangimentos ao seu crescimento económico e ao desenvolvimento da região; Considerando a relevância nacional de empresas e instituições que sentem dificuldades devido às más acessibilidades em questão, especialmente as dos parques industriais de Tramagal, Constância Sul e Relvão, bem como o Campo Militar de Santa Margarida; Considerando as recentes tomadas de posição sobre a rede rodoviária da região ocorridas na Assembleia da República e na Assembleia Municipal de Abrantes, bem como as notícias que dão conta de estar em curso um processo de deliberação sobre esta matéria no âmbito da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo e do Ministério do Planeamento e das Infraestruturas.
A Assembleia de Freguesia de Tramagal deliberou:
– Recomendar ao Ministério do Planeamento e das Infraestruturas que considere prioritária a implementação de uma nova travessia sobre o Tejo que sirva diretamente a vila de Tramagal, sugerindo que seja analisada a possibilidade de ligação entre a EN 118 e a EN 3 / A 23, entre os lugares de Lamacheira (Freguesia de Tramagal) e Caldelas/Abrançalha (União das Freguesias de Abrantes), que se configura solução com boa relação custo/benefício para resolver os problemas de acessibilidade existentes.
– Recomendar à Câmara Municipal de Abrantes que nos processos de definição dos próximos investimentos rodoviários em que participe não deixe de considerar absolutamente prioritária a construção de uma nova travessia sobre o Tejo no Concelho.
– Enviar a presente Moção ao Ministério do Planeamento e Infraestruturas, à Câmara Municipal de Abrantes e à Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo.



