Tramagal | Na Vila onde moram mais de 3 mil pessoas não existem médicos de família, alerta BE

A freguesia de Tramagal, no concelho de Abrantes, “tem 2.437 utentes inscritos, todos sem médico de família atribuído”. Foto: mediotejo.net

A freguesia de Tramagal, no concelho de Abrantes, “tem 2.437 utentes inscritos, todos sem médico de família atribuído”, informou o Governo, em resposta a uma pergunta do BE sobre o atual quadro de pessoal naquele centro de saúde.

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Na resposta do Governo aos deputados Carlos Matias e Moisés Ferreira, pode ler-se que “as sucessivas aposentações e rescisões de médicos de família têm forçado a algumas alterações no modo como são disponibilizados os cuidados de saúde, não existindo médicos no mapa de pessoal da UCSP de Abrantes que possam ser alocados à unidade de saúde de Tramagal, pelo que se tem socorrido à prestação de serviços”.

A informação do Governo decorre das questões levantadas pelo BE sobre “porque motivo(s) se vêm registando dificuldades recorrentes para fixar médicos no polo de saúde de Tramagal, que medidas têm sido implementadas para ultrapassar esta situação” e ”qual é atualmente o quadro de pessoal”.

Na resposta do Governo pode ler-se que a Unidade de Saúde do Tramagal está integrada na Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) de Abrantes e tem 2437 utentes inscritos, todos sem médico de família atribuído. Esta unidade dista 9 km da sede da UCSP, onde funciona uma consulta de recurso de 2ª a 6ª feira, das 9h às 13h, para prestar cuidados ao maior número possível de utentes sem médico de família atribuído”.

Na mesma informação pode ler-se que “as sucessivas aposentações e rescisões de médicos de família têm forçado a algumas alterações no modo como são disponibilizados os cuidados de saúde, não existindo médicos no mapa de pessoal da UCSP de Abrantes que possam ser alocados à unidade de saúde de Tramagal, pelo que se tem socorrido à prestação de serviços”, tendo acrescentado na resposta ao BE que a prestação de serviços médicos na unidade de saúde de Tramagal “está a ser assegurada por um médico contratado em regime de avença pela ARSLVT, o qual assegura consultas na referida unidade de saúde 4 dias por semana num horário das 9h às 16h, faz também consultas de recurso e na sede atende todos os dias ao final do dia utentes da região do Tramagal”.

Segundo a informação disponibilizada aos deputados do BE, “o ACES do Médio Tejo espera poder recrutar um número de médicos suficiente no próximo procedimento concursal para colocação de médicos recém-especialistas em medicina geral e familiar (1ª época 2017) de modo a permitir reforçar o atendimento médico também nesta unidade de saúde”, tendo assegurado que “não está, nem nunca esteve previsto o encerramento da unidade de saúde do Tramagal e manter-se-ão todos os esforços para, a breve prazo, resolver os problemas existentes”.

Na pergunta dirigida ao Governo, através do ministro da Saúde, os deputados do BE lembram que “Tramagal é uma freguesia do concelho de Abrantes, distrito de Santarém, que conta com mais de três mil habitantes. No que concerne a cuidados de saúde primários, esta população é servida pelo Polo de Tramagal da Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) de Abrantes, uma unidade que integra o Centro de Saúde de Abrantes do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo”.

Tramagal | Na Vila onde moram mais de 3 mil pessoas não existem médicos de família, alerta BE
A freguesia de Tramagal, no concelho de Abrantes, “tem 2.437 utentes inscritos, todos sem médico de família atribuído”. Foto: mediotejo.net

No pedido de informação, o BE refere ainda que “a população da freguesia tem vindo a deparar-se com recorrentes dificuldades para receber os cuidados de saúde de que necessita, em particular devido à falta de médicos, que faz com que os utentes tenham que se deslocar bastante, para aceder aos cuidados de saúde de que necessitam. Esta situação causa evidente transtorno às pessoas, muitas delas envelhecidas e com dificuldades de locomoção. A dificuldade de acesso a cuidados de saúde em Tramagal mereceu inclusivamente a reprovação da Assembleia de Freguesia. Aí, foi aprovada por unanimidade uma moção que demonstrava o “desagrado” pela forma como “o processo de atribuição de médicos ao Centro de Saúde local tem sido gerido ao longo dos últimos anos, com particular incidência nos últimos meses, em que foi reduzido o número de horas atribuídas para a realização de consultas médicas”.

Nesse sentido, o BE refere ainda “ser difícil de compreender a opção tomada pelo ACES de esvaziar o Centro de Saúde de Tramagal de profissionais de saúde, sendo que o mesmo reúne todas as condições físicas para acolher um bom serviço, obrigando os utentes a deslocarem-se para Abrantes, Santa Margarida e Alferrarede, num claro desperdício de investimento público em tempos realizado”.

Esta moção menciona que “não se compreendem as justificações de que não há médico porque os médicos atribuídos rescindem os contratos” acrescentando que não têm sido desenvolvidos “todos os procedimentos possíveis e necessários à prestação de um Serviço de Saúde básico à população da Freguesia de Tramagal, sendo notória a degradação acelerada desse mesmo serviço prestado.

A finalizar, o Bloco de Esquerda diz que “considera essencial que as pessoas tenham acesso aos cuidados de saúde de que necessitam e aos quais têm direito. Como tal, é necessário avaliar a situação vivida em Tramagal e tomar medidas urgentes para assegurar a colocação dos profissionais em falta no polo de saúde de Tramagal”, posição que motivou as perguntas dirigidas ao Governo e cuja resposta foi agora conhecida.

 

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