Torres Novas: Teatro Virgínia será “O Retiro” de Rodrigo Leão este sábado

Rodrigo Leão dispensa apresentações. As melodias a que nos habituámos desde que se lançou a solo em 1993 foram-se aprimorando com o tempo, mantendo a singularidade de nos embalarem e fazerem esquecer o resto do mundo por breves instantes. Este sábado, 6, a plateia esgotada do Teatro Virgínia terá a oportunidade de ouvir e sentir os sons do lado bom da vida.

A carreira musical de Rodrigo Leão começou há mais de duas décadas, quando em 1982 se juntou a Pedro Oliveira e Nuno Cruz nos Sétima Legião. Na altura, o baixo era a sua companhia de palco e o teclado viria a surgir três anos depois com a criação dos Madredeus ao lado de Pedro Ayres Magalhães e Gabriel Gomes (1985).

Os vintes foram sendo divididos entre os dois projetos, cujas sonoridades distintas conquistavam o panorama musical português, até se lançar a solo com “Ave Mundi Luminar”, o primeiro disco do músico e compositor lisboeta, pouco antes de fazer trinta anos. Esta primeira incursão não foi solitária e contou com os Vox Ensemble. Os sintetizadores de Rodrigo Leão foram acompanhados pelos violinos de Maria do Mar e Margarida Araújo, o oboé e corne inglês de Nuno Rodrigues, a flauta de António Pinheiro da Silva, o acordeão de Gabriel Gomes e o violoncelo de Francisco Ribeiro, que também deu a voz em conjunto com as de Nuno Guerreiro, Teresa Salgueiro e Nair Correia.

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“Mysterium” surgiu dois anos depois, em 1995, e marca a dedicação à carreira a solo. Para trás ficavam os Sétima Legião (1993) e os Madredeus (1994). Pela frente tinha o lançamento do terceiro álbum, “Theatrum” (1996), e o projeto “Os Poetas” em que musicalizou poemas portugueses no CD “Entre Nós e as Palavras”. A poesia dos nossos poetas misturava-se à já existente no trabalho de Rodrigo Leão, reconhecida pelo público a uma velocidade que contrasta com os sons cadenciados a que nos foi habituando. O desafio que surgiu com Gabriel Gomes e Hermínio Monteiro em 1997 regressaria em 2012 com “Autografia”.

Entre 2000 e 2006 os anos pares passaram a ser sinónimo de novos lançamentos discográficos até nos mostrar “O Mundo (1993-2006)” (o seu) com a compilação de temas compostos desde o início da carreira musical. Começou com “Alma Mater” (2000), continuou com “Pásion” (2002) e a seguir brindou-nos com “Cinema” (2006). As participações de nomes incontornáveis da música portuguesa e estrangeira foram-se multiplicando neste período, salientando-se Lula Pena e Adriana Calcanhoto no primeiro álbum, Sónia Tavares e Rui Reininho no segundo e Rosa Passos, Beth Gibbons e Ryuichi Sakamoto no último.

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Em 2008 a “tradição” dos anos pares foi quebrada. “A Mãe” chegou em 2009, trazendo consigo os Cinema Ensemble. A homenagem do artista à mãe, entretanto falecida, marcava o início de uma parceria ímpar com Ana Vieira (voz), Celina da Piedade (acordeão), Viviena Tupikova (violino), Carlos Tony Gomes (violoncelo), Bruno Silva (viola), Luís Aires (baixo) e Luís San Payo (bateria). As participações de Neil Hannon, dos Divine Comedy, e Stuart A. Staples, dos Thindersticks tornaram o álbum intemporal.

O ano de 2010 trouxe a reedição de “Ave Mundi Luminar”, com alguns temas inéditos, e no seguinte os instrumentos de Pedro Wallenstein, João Eleutério, Miguel Nogueira, Rui Vinagre e Tó Trips contribuíram para “A Montanha Mágica”, juntamente com as vozes de Scott Matthew, Thiago Petit e Miguel Filipe.

Muitos anos de música tinham passado e justificava-se uma nova compilação de temas, mas desta vez, Rodrigo Leão optou pelos compostos em língua inglesa entre 2004 e 2012, ano em que foi lançado o álbum “Songs”. Quando se julgava que o músico e compositor já não podia surpreender, surgem em 2015 “A Vida Secreta das Máquinas”, álbum marcado pela aproximação à música eletrónica, e “O Retiro”, gravado no Grande Auditório da Gulbenkian com a respetiva orquestra e coro.

A criação discográfica mais recente, se assim lhe pudermos chamar (sim, porque Rodrigo Leão cria sonoridades próprias), conta com Carlos Tony Gomes, Bruno Silva, Denys Stetsenko, Viviena Tupikova, Celina da Piedade e Selma Uamusse. O álbum também dá nome ao espetáculo do próximo sábado no Teatro Virgínia no qual que se querem ouvir alguns dos 13 temas que o compõem e recordar “Pásion”, “Lonely Carousel”, “A Espera”, “Vida Tão Estranha”, “Rosa”, “Cinema” “Ave Mundi” ou “Rosa”.

O palco será certamente pequeno para albergar tantos sucessos em que a doçura se funde com a paixão envolvidas por um sentimento inexplicável de esperança. Mais do que sonhar, as melodias de Rodrigo Leão fazem-nos acreditar no lado bom da vida.

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