Torres Novas | “Será sempre poesia experimental” – José Alberto Marques

José-Alberto Marques compilou em livro trabalhos de poesia experimental que vem escrevendo desde 1965 Foto: mediotejo.net

O poeta José-Alberto Marques, natural de Torres Novas mas radicado em Abrantes, conhecido por ser o autor do primeiro poema concreto em Portugal, lançou no sábado, 25 de janeiro, um novo livro: “Homeostátos”. A obra é a compilação de um conjunto de poemas, dentro do âmbito da poesia experimental, criados desde 1965 e publicados maioritariamente na revista “Operação” (número de 1967). Na sessão de lançamento, na Biblioteca de Torres Novas, abordou-se a complexa natureza do trabalho do poeta.

“Homeostasia” é um conceito da biologia que designa o “equilíbrio dos sistemas vivos”, começou por explicar Manuel Portela, professor catedrático no Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Assim surgem estes “homeostátos”, poemas “muito simples, sintéticos”, mas com “grande densidade”, que se tornam “um trabalho sobre a língua e sobre a escrita”.

“José-Alberto Marques dá-nos o texto e o código pelo qual ele é gerado”, explicou ao público reunido na biblioteca. No cenário da poesia experimental, não existe propriamente sentido, procurou elucidar, este é antes construído na leitura do poema pelo leitor. O professor analisou algumas das obras do autor, dando conta da complexidade ao nível do uso da língua e dos sons que podem ser nelas encontrados.

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“Todos percebemos a grandiosidade do contributo de José-Alberto Marques para a poesia”, comentou a vereadora Elvira Sequeira. “Acaba por contribuir para o estudo da própria língua”.

Já o poeta elogiou a análise de Manuel Portela, destacando o quanto o seu trabalho se torna visual. Ao mediotejo.net explicou ainda que o livro é o resultado de uma “busca literária”, que hoje em dia é estudada sobretudo nas universidades de Coimbra e do Porto.

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Questionado se vai continuar a lançar livros de poesia, José-Alberto Marques frisou que escreverá “sempre poesia experimental”. “Tudo o que vier à tona do ar. Escrevo consecutivamente e vou tentando fazer aquilo que gosto de fazer”.

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