Torres Novas | Na “Casa dos Bolos” de Helena Inácio vive-se a época alta das broas doces (c/vídeo)

A chegada do outono, do frio e da chuva é sinónimo de muito trabalho na pequena fábrica da “Casa dos Bolos” em Ribeira Ruiva, Torres Novas. Na semana das bruxas, dos santos e dos fiéis defuntos, encontramos o espaço ao rubro. “Não conseguimos aceitar mais encomendas”, explica Helena Inácio, a proprietária, ao telefone. Por esta altura saem as broas doces. Muitas broas. A casa tem mais de uma dezena de receitas e outras tantas pequenas variedades, para além de todo o catálogo de doçaria. E o negócio está em crescimento. O segredo, garante, é a qualidade.

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A base das broas, explica Helena Inácio, é o azeite. Enquanto criança na Chamusca, recorda, a mãe mandava-a ir ao “rabisco” da azeitona com uma pequena lata, a fim de conseguir obter o azeite necessário no lagar para fazer as broas doces desta época.

Assim se brincava noutros tempos e talvez explique a grande variedade de receitas de broas doces que existem nesta região, às quais Helena Inácio e uma amiga foram há mais de 35 anos buscar inspiração para montar um negócio de doçaria.

Nos últimos dias a casa de Helena Inácio não tem mãos para tanto trabalho Foto: mediotejo.net

A primeira receita, lembra, foi descoberta pela tal amiga num livro de culinária. Helena entrou “por brincadeira” no negócio, na sequência de uma situação desemprego. Com o sucesso da iniciativa procuraram-se as receitas típicas da região e o empreendimento foi crescendo. Passado algum tempo, Helena Inácio prosseguiu sozinha.

Hoje tem mais de uma dezena de receitas, de broas secas a fervidas, sendo a broa de erva doce e a de mel e noz as mais conhecidas e apreciadas. Há ainda um conjunto de variedades, como broas específicas para quem não gosta de azeite, que elevam o número da oferta. Conforme explica, são experiências que se foram fazendo, receitas que se foram encontrando, mas a base é sempre a mesma: azeite, erva doce, canela, cravinho e o sal.

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Depois há os sabores a mel, limão, café, chocolate, mel e nozes, frutas cristalizadas, canela e amêndoa, aniz, abóbora ou laranja e as mais variadas misturas de ingredientes.

Por esta altura, confessa, quase não se dorme, tal o volume de trabalho. A broa quer o frio e com o outono chega o apetite pelo doce. Helena Inácio vende para cafés, para o mercado e para os Intermarché da região. Percorre ainda as feiras de doçaria do país, mas salienta que as broas só fazem sucesso entre o centro e o sul do país. Para norte é um doce desconhecido e não tem grande adesão.

as broas de café são típicas na região de Torres Novas Foto: mediotejo.net

Este ano participou numa mostra no Convento de Cristo e teve boa recetividade da parte dos turistas. Garante que o seu negócio tem futuro. “Não temos corantes nem conservantes, nem nada processado”, afirma, e a procura tem crescido. “Não podemos aceitar mais clientes”, confessa, sendo este afinal tão só um negócio de família. Um dia será a vez da filha colocar as mãos na massa e dar continuidade ao trabalho.

“Isto cresce e vende-se porque tem qualidade. Não vale a pena colocar na rua o que não tem qualidade”, defende. Em broas, comenta uma funcionária, já terão feito nos últimos dias uns 500 quilos, mas sem certeza.

Pela cozinha, as receitas são dissertadas por nomes estranhos ao ouvinte: são as “malucas”, os “narcisos”, as “trapalhonas”. A estas acrescentam-se outros doces da autoria da proprietária, como o pastel de feijão que Helena Inácio deu a provar certo dia ao Chefe Silva e a Filipa Vacondeus e que obteve de ambos a aprovação da receita.

Para além das broas doces, a “Casa dos Bolos” também vende bolo de cabeça, bolos secos, queques, bolachas, bolo de migalha, entre outros produtos. Mas, para já, fazem-se broas que as encomendas são muitas. “No dia do bolinho vou estar por aqui”.

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