Torres Novas | Município procura financiamento para recuperar Cabeço das Pias (c/vídeo)

A Câmara Municipal de Torres Novas realizou uma candidatura à Linha de Apoio à Sustentabilidade, um programa de financiamento do Turismo de Portugal, numa tentativa de obter fundos para requalificar o Centro de Interpretação das Grutas do Almonda (CIGA), também designado por Cabeço das Pias, na freguesia de Pedrógão.

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A estrutura está fechada há alguns anos e bastante “degradada”, conforme adiantou o vereador Joaquim Cabral na reunião camarária de 8 de janeiro, terça-feira, procurando-se agora meios para dar ao espaço uma nova vida. Não se exclui, adiantou o vereador ao mediotejo.net, avançar posteriormente para uma concessão a privados.

Foi alvo de assaltos e vandalismo, depois de 20 anos de uma utilização intermitente com gestão municipal. Encerrado à utilização, o espaço tem-se degradado e não possui condições para ser atualmente utilizado. Neste sentido, o município avançou com uma candidatura ao Turismo de Portugal para recuperar todo o edifício.

Segundo os dados facultados ao mediotejo.net pelos serviços municipais, trata-se de um projeto de 275.888,56 euros, pretendendo-se um financiamento a 80% (220.710,85 euros). A memória descritiva da candidatura designa a estrutura como “Centro de Interpretação do Almonda – Promoção e Desenvolvimento Sustentável do Território de Torres Novas”.

Refere esta que “a recuperação e disponibilização pública do Centro de Interpretação do Almonda (CIA) está no centro da afirmação de uma estratégia municipal de valorização do património ambiental, com vista à afirmação de Torres Novas como destino turístico sustentável de referência. Como tal, pretende-se que o território seja reconhecido pelo seu Turismo de Natureza, numa ótica de complementaridade à oferta de excelência já existente, como são exemplo o vasto património cultural e o turismo religioso da região”.

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Neste sentido, “para a operacionalização do desenvolvimento sustentável do território de Torres Novas, com o seu efetivo reconhecimento enquanto destino turístico de natureza, propõe-se o estabelecimento do CIA como “Welcome Center” para as diferentes ofertas nestes domínios. Este estará acessível quer a turistas quer à comunidade, disponibilizando um conjunto de atividades e conteúdos informativos que têm em comum esta visão do território sustentável”.

O dinheiro será utilizado na “reabilitação do edifício atualmente abandonado, o seu
apetrechamento em mobiliário e equipamento para as valências de alojamento e de apoio às atividades descritas, a execução do próprio programa expositivo relativo ao centro de
interpretação e também componentes associadas à imagem, comunicação, avaliação e
monitorização”.

O edifício foi inaugurado em 1997 como CIGA, tendo sido inicialmente utilizado pela STEA – Sociedade Torrejana de Espeleologia e Arqueologia e sendo posteriormente encerrado. Após algumas obras de correção de problemas, foi tentada uma reabertura através de um protocolo com várias entidades para a criação, no local, de um Centro de Investigação em Bioespeleologia e Habitats subterrâneos, que não chegou a ser concretizado.

O edifício esteve sob gestão dos serviços municipais, seguindo-se a gestão pela empresa municipal Turrisespaços e novo regresso aos serviços municipais com a extinção da entidade. “Em 2016 foi alvo de roubos e atos de vandalismo, encontrando-se neste momento degradado e sem possibilidades de utilização prévia a uma significativa
intervenção de requalificação”, sintetiza a memória descritiva.

Não obstante este historial, o município defende que “há claramente uma razão de oportunidade com a intervenção que agora se preconiza. Nos últimos 20 anos decorreram mudanças que transformaram completamente as dinâmicas do turismo, registando-se hoje uma maior procura numa, também maior, diversidade de segmentos. Entre estes, o turismo de natureza, o turismo científico, particularmente o espeleoturismo, os desportos e experiências diferenciadoras são claramente ativos qualificadores e diferenciadores que, embora já afirmados, apresentam ainda uma margem de crescimento significativo, como destacado no referencial estratégico Turismo 2027”.

A estratégia da Câmara está assim focada numa lógica de “turismo verde”, associada ao rio Almonda, grutas do Almonda, Paúl do Boquilobo, Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros, percursos pela natureza e atividades desportivas, entre a restante oferta de natureza e patrimonial de características rurais existente no concelho. Pretende-se ainda que este seja um projeto de promoção ambiental e inclusivo.

A candidatura refere que a abertura ao público será realizada mediante “gestão direta do município ou gestão indirecta através de acordo de parceria ou contrato de concessão, mas
sempre com observância dos indicadores de gestão predefinidos”. O calendário de execução aponta como data de abertura ao público o 21 de março de 2020, com um plano de obras a decorrer até janeiro do próximo ano.

Ao mediotejo.net Joaquim Cabral salientou que neste momento o objetivo é requalificar um espaço que está bastante degrado e sem uso, numa perspetiva de estrutura de apoio para divulgar a serra e atividades na natureza. “Depois da requalificação poder-se-á equacionar a concessão a privados para alojamento”, comentou.

* Vídeo-reportagem de fevereiro de 2016, após novo caso de vandalismo do edifício e encerramento do espaço à utilização

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