Torres Novas | Moradores de Carreiro da Areia estão a abandonar as casas

António Gameiro referiu que abandonou a sua moradia e está a viver em Torres Novas, em consequência dos problemas de poluição em Carreiro da Areia Foto: mediotejo.net

Pelo menos dois moradores do Carreiro da Areia, Torres Novas, abandonaram as suas moradias e encontram-se a viver noutras localidades, sendo que existem mais pessoas com essa intenção mas que afirmam não conseguir vender as casas. Na reunião camarária de 5 de fevereiro, terça-feira, cerca de uma dúzia de moradores da aldeia onde se situa a empresa de óleos vegetais Fabrióleo foram lembrar ao executivo municipal que os problemas de mau cheiro e degradação da qualidade de vida dos locais persistem, apelando a uma maior intervenção da Câmara Municipal.

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Também agradeceriam o esforço que já foi feito, momento que recebeu uma pequena salva de palmas ao órgão executivo.

O porta-voz dos moradores foi mais uma vez António Gameiro, que ergueu um pequeno cartaz onde se lia “Somos do Carreiro da Areia. Ainda estamos vivos. Queremos viver com dignidade”.

Ao executivo municipal torrejano admitiu que abandonara a sua moradia na aldeia e se havia mudado para Torres Novas, afastando-se assim dos problemas ambientais e do vizinho Fabrióleo, com quem já teve um diferendo em tribunal. Apelava assim a que o município tome uma posição mais assertiva quanto aos problemas desta população, nomeadamente quanto à degradação da estrada devido ao trânsito de camiões.

A mesma situação foi exposta por outro morador do Carreiro da Areia, afirmando que também abandonara a sua moradia e se mudara para Torres Novas. Outras pessoas presentes manifestaram o mesmo desejo de abandonar as casas que possuem na aldeia, sendo que uma afirmou não o fazer por não conseguir quem lhe compre a moradia.

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A presidir aos trabalhos, o vice-presidente Luís Silva (PS) manifestou compreensão pelos problemas da população, mas destacou que os licenciamentos em causa não passaram pela aprovação municipal e que terão que ser as entidades nacionais a decidir sobre os limites da laboração da fábrica.

Foi ainda recordado que o processo entre o IAPMEI e a Fabrióleo, em torno da cessação da laboração industrial, se encontra atualmente no Tribunal Central Administrativo Sul.

Também a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) está a avaliar a proibição das descargas à fábrica, adiantou Luís. “As coisas estão neste pé. São complexas”, comentou o vice-presidente.

Da parte do Bloco de Esquerda, Helena Pinto frisaria a necessidade de uma “reunião política” com o Secretário de Estado do Ambiente, sugerindo que o município proíba o estacionamento de camiões em determinadas zonas da aldeia, o que atenuaria alguns dos problemas existentes.

No decorrer da discussão foi anunciado que vai haver uma reunião no IAPMEI em torno do processo contra a Fabrióleo dia 12 de fevereiro. Ficou ainda a sugestão da parte da população que os residentes do Carreiro da Areia sejam isentados de Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) por residirem no local.

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