Torres Novas | Moradoras queixam-se de mau cheiro provocado por estação elevatória

Madalena Monge tem problemas de saúde e sofre com o mau cheiro da estação elevatória construída a dois metros da sua porta Foto: mediotejo.net

Duas moradoras, mãe e filha, do Bairro António Medeiros de Almeida, na freguesia de Lapas (união com São Pedro e Ribeira Branca), Torres Novas, queixam-se do mau cheiro proveniente de uma estação elevatória que foi construída a dois metros da casa onde vivem. Madalena Monge tem inclusive problemas graves de saúde devido a um cancro na nasofaringe, sendo que o mau cheiro a afeta. A obra é da responsabilidade da Águas do Ribatejo, entidade que assegurou ao mediotejo.net que o problema está a ser resolvido.

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Antigo bairro operário da extinta Fábrica de Fiação e Tecidos de Torres Novas, Madalena Monge e a mãe, Amélia Monge, aqui residem há 47 anos, sendo atualmente proprietárias da casa. A população foi durante décadas servida por uma fossa coletiva, até que a estação elevatória foi construída no âmbito do projeto, mais amplo, do subsistema de saneamento de Lapas/Ribeira Branca. A obra pertence à Águas do Ribatejo, empresa intermunicipal de saneamento que Torres Novas integra.

Madalena Monge e a mãe não percebem porquê, mas a estação elevatória foi construída nas traseiras da moradia de ambas, numa rua estreita e a cerca de dois metros do portão. Para além do ruído, ambas as moradoras queixam-se do mau cheiro proveniente da estação. Madalena Monge já se deslocou a uma reunião de Câmara de Torres Novas, em 2018, para que lhe resolvessem o problema, mas este tem-se mantido e agrava-se com a chegada do calor.

Estação elevatória está a dois metros do portão das traseiras de Madalena Monge Foto: mediotejo.net

Na terça-feira, 9 de julho, face a uma indicação da Águas do Ribatejo às moradoras de que enviariam uma vistoria ao local, estas solicitaram a presença da comunicação social. O mediotejo.net esteve presente durante a tarde e identificou no local efetivamente algum mau cheiro, tendo presenciado a visita dos técnicos da empresa. Estes falaram com as moradoras sobre os procedimentos em curso para resolver o problema e verificaram o funcionamento da estação elevatória.

O caso acaba por afetar mais mãe e filha, que vivem de frente com a estação, mas não é desconhecido dos restantes moradores do Bairro. Um vizinho, Francisco Sousa, garantiu ao mediotejo.net que o mau cheiro chega a mais habitações “conforme o sentido do vento”. “Mas quem está à frente da estação são os mais afetados”, constatou.

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Mãe e filha também não conseguem perceber a localização escolhida para a obra, uma vez que a antiga fossa coletiva estava afastada das habitações e haveria facilmente acessos para manutenção noutros espaços. Até ao momento, não obstante as várias queixas junto da Câmara, junta de freguesia e Águas do Ribatejo, ainda não lhes conseguiram explicar o porquê de lhes terem construído a estação elevatória à porta.

O mediotejo.net pediu um conjunto de esclarecimentos à responsável pelo projeto do subsistema de saneamento e respetiva obra, a Águas do Ribatejo, questionando o porquê do local escolhido e se existem problemas de funcionamento da estação que provoquem o mau cheiro, ou se é uma situação com a qual as moradoras terão que conviver.

Segundo informação avançada pela empresa, a Águas do Ribatejo “avançou com a construção desta estação elevatória para anular a fossa existente que servia as habitações do bairro envolvente e assim garantir o seu encaminhamento para a ETAR de Lapas / Ribeira Branca”.

“A localização escolhida para a estação elevatória está relacionada com exigências de acesso para a sua manutenção periódica e com as características da rede de saneamento pré-existente, revelando-se a escolha mais adequada tendo em conta as condicionantes mencionadas. A nova instalação ocupa cerca de 40m2 e pelas suas características tem um reduzido impacto na zona envolvente”, explica.

A empresa adianta também que “a estação elevatória em causa entrou em serviço em outubro de 2018 e não padece de qualquer problema de funcionamento”. Mas devido ao odor de que as moradores têm feito repetidas queixas, os técnicos que se deslocaram ao local na terça-feira realizaram “algumas alterações no funcionamento da instalação, nomeadamente na frequência dos arranques diários dos grupos electrobomba, para resolver este problema. Este tipo de ajustes são normais e expectáveis na fase inicial de funcionamento de instalações deste tipo”, refere a empresa.

“No prazo de um mês será feita nova vistoria para determinar se as medidas implementadas são suficientes ou se será necessário avançar com outras soluções. De salientar que a Sra. Madalena Monge tem sido informada de todo este processo no seguimento das reclamações que fez chegar à Águas do Ribatejo”, termina a mesma informação.

O subsistema de saneamento de Lapas/Ribeira Branca é uma empreitada de 3.542.476,87 euros, refere a entidade. Toda a estrutura montada vai permitir a “drenagem e tratamento adequado as águas residuais de 2800 habitantes nas localidades de Casais Martanes, Almonda, Zibreira, Casal da Pinheira, Ribeira Ruiva, Ribeira Branca e Lapas.

A empreitada prevê, entre outras intervenções, a remodelação da ETAR de Lapas / Ribeira Branca e a construção/remodelação de 13 sistemas elevatórios”.

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