Torres Novas | Mariana Barbosa no País dos Fazedores

Mariana Barbosa. Foto: mediotejo.net

Chamemos à aldeia global o País dos Fazedores. Mariana Barbosa entrou na “região” portuguesa há quase uma década e falou com mais de 1.000, entre os que criaram startups globalmente reconhecidas e os que ficaram a meio caminho. A meio e não pelo caminho pois os “seus” fazedores, como gosta de lhes chamar, não desistem facilmente e têm uma energia “mágica”. Selecionou 15 casos e lançou o livro apresentado na passada quinta-feira na Startup de Torres Novas, dando a conhecer o mundo onde o segredo já não é a alma do negócio, mas sim a alma de quem o faz.

PUB

O cenário do final de tarde da passada quinta-feira não era convidativo. Chuva, frio, dia de semana… fatores que podem demover muita gente, mas que são coisa pouca perante os desafios enfrentados por quem decide criar uma startup. O conceito surgiu durante a bolha da internet no final da década de 90 e chegou a Portugal duas décadas depois, inspirando o livro que começou a ganhar forma quando Mariana Barbosa analisava a fuga de cérebros na sua tese de mestrado.

Começavam então a aparecer os primeiros “makers” no território nacional, muitos entrevistados pela jornalista entre 2011 e 2018. Aqueles que fazem, dispostos a arriscar perante um contexto em que a incerteza é rainha. No País dos Fazedores, como podemos chamar à aldeia global, os modelos de negócio são replicáveis e baseados num único produto. A inovação é fundamental e desengane-se quem pensar que apenas falamos de tecnologia.

Mariana Barbosa e Luís Silva, vice-presidente da CM de Torres Novas. Foto: mediotejo.net

O “Livros dos Fazedores” tem prefácio de João Vasconcelos, ex-Secretário de Estado da Indústria e cofundador da Startup Lisboa, um dos 15 casos selecionados por Mariana Barbosa, entre os que se tornaram referência de sucesso e os que não vingaram. Capítulo a capítulo, os testemunhos dos protagonistas nacionais e internacionais que decidiram arriscar fundem-se e formam aquilo que a autora chama de “ecossistema dos últimos 10 anos”.

Segundo a atual editora de Empresas do jornal ECO – Economia Online, cuja carreira de jornalista começou em 2007, o livro foi pensado “como forma de fazer um retrato, um registo histórico, também como forma de homenagem”. Casos de empresas de foram criadas por homens, mulheres ou ambos, por uma pessoa ou em equipa e não só… Mariana Barbosa pretende que a obra “sirva de inspiração e de exemplo para aquilo que devemos e não devemos fazer”.

PUB

Esta é uma das particularidades do “Livro dos Fazedores”, que dedica o último capítulo ao falhanço e demonstra que perder uma batalha não significa perder a guerra. Os anteriores focam-se no fundador, na ideia, nas “dores de crescimento” de quando se passa à prática, na equipa e no lado humano. Quem faz quer fazer e não desiste facilmente, tornando a resiliência numa arma poderosa da nova geração de CEOs que não se fecham nos seus gabinetes.

Capa do livro editado pela Self. Foto: mediotejo.net

A jornalista confirma que estes são diferentes dos empresários convencionais e destaca outro traço de personalidade: o de “não se levarem muito a sério”. Proximidade e descontração versus a imagem da gravata e das “fotografias com os braços cruzados. Muito profissionais, mas pouco abertos”. As empresas, diz, devem abrir-se ao mundo “para poderem envolver as pessoas porque já não se trata só de comprar os produtos delas, temos que nos sentir parte da marca e do projeto”.

E, por falar em projetos, em Portugal são muito distintos. Por cá, tanto surgiu a Uniplaces – plataforma on-line para reservas de acomodação estudantil criada em 2012 por Miguel Amaro, Mariano Kostelec e Ben Grech –, como a Padaria Portuguesa, que se transformou numa rede de padarias e pastelarias de bairro com mais de 60 lojas desde que foi cofundada por Nuno Carvalho em 2010.

O crescimento de uma startup é rápido e se algumas se afirmaram no território nacional, outras pularam a fronteira e afirmaram-se lá fora. Dois exemplos apresentados são a Talkdesk e a Feedzai. No ano passado, o serviço de call center alojado na cloud tornou a primeira no mais recente “unicórnio” português ao ser avaliada em mais de mil milhões de euros. A tecnologia de proteção de fraude em sistemas de pagamento assegurou à segunda a entrada no ranking da revista Forbes das 50 melhores startups financeiras do mundo.

Momento da sessão de autógrafos no final da apresentação. Foto: mediotejo.net

Sonhar à escala global é permitido e o ponto de partida pode ser qualquer lado, tal como Mariana Barbosa destacou na apresentação do livro em que esteve acompanhada pelo vice-presidente da Câmara Municipal de Torres Novas, Luís Silva. A passagem pelo concelho integra um itinerário que inclui outras Startups do país, onde tem recebido um “feedback muito positivo” do livro e ficou a conhecer “perspetivas completamente diferentes”.

O trabalho em Lisboa, admite, leva-a a escrever a maioria das histórias sobre grandes cidades e esta experiência mostrou-lhe negócios lançados “onde as pessoas nos conhecem do outro lado da rua”. No entanto, sublinha, o impacto das empresas não é ditado pela interioridade ou a dimensão do mercado e uma startup local pode fazer maior diferença na zona onde foi criada do que muitas das que surgem na capital.

O País dos Fazedores é do tamanho da vontade dos seus “habitantes”. As distâncias são um pormenor e o céu não é o limite. Também não existem segredos pois a autora defende que “a ideia não vale nada quando não é executada” e partilhá-la é um passo fundamental para ser transformada em negócio e evoluir. Se houvesse segredo seria a alma de quem faz pois o que importa é forma como é feito. Sempre movido pela energia que diz ser “mágica” e com a qual quer “contagiar o país inteiro”.

PUB

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here