Torres Novas | Licínio Neto, o homem ‘Recadex’, empreendedorismo com pedalada

Licínio Neto fundou em finais de março a Recadex, uma empresa de estafeta em Torres Novas. Foto: mediotejo.net

A história de Licínio Neto, 38 anos, é semelhante a muitas dos que partilham a sua geração. Estudos superiores, várias formações, empregos precários, a hipótese de partir para o estrangeiros e um vazio por preencher. A abertura da Start Up Torres Novas deu-lhe o impulso que faltava e decidiu investir num negócio próprio que, de algum modo, cobrisse uma lacuna no mercado. Assim surgiu no final de março a Recadex, uma empresa de estafeta de bicicleta. O terreno é a cidade de Torres Novas, mas Licínio Neto está disposto a ir até onde a capacidade lho permita.

É uma das muitas ideias de negócio que a Start Up de Torres Novas tem vindo a aceitar e que estão a gerar um pequeno foco de empreendedorismo no concelho. Licínio Neto admite as dificuldades e que o mercado pode ser pequeno para algumas ambições. Mas, ainda assim, decidiu avançar com um pequeno investimento, sobretudo numa bicicleta holandesa que lhe permitisse prestar serviços de estafeta pela cidade e arredores. O negócio tem poucas semanas e ainda um longo percurso a desenvolver, mas já conseguiu chamar a atenção.

Torres Novas | Licínio Neto, o homem 'Recadex', empreendedorismo com pedalada
Licínio faz entre 20 a 30 quilómetros por dia, mas espera que a empresa possa crescer mais. Foto: Eniphoto, facebook Recadex

Licínio faz um narrativa já corriqueira: licenciou-se em engenharia do ambiente, mas trabalhou poucos anos na área, onde não sentia que se estava a desenvolver profissionalmente. Optou por sair e tentar outras formações, mas viveu o ciclo dos empregos precários. A ideia da emigração também surgiria, mas como última alternativa. Entretanto, num Natal, sugeriram-lhe que abrisse uma empresa sua.

“Mas era o pico da crise”, admite, pelo que a ideia foi colocada de parte. Em 2016 nasceu a Start Up Torres Novas, que tem vindo a aceitar ideias de negócio. Licínio pensou finalmente em avançar, com um investimento pequeno e calculado, numa área que lhe agradava.

“Tinha que ser algo de pouco investimento. Como sempre andei de bicicleta pensei numa empresa de estafeta”, explica brevemente. A ideia é oferecer serviços na linha dos “recados”. Ir buscar compras a idosos ou mesmo fazê-las por eles, levar o correio das empresas aos CTT, entregar take away através de parcerias com a restauração, fazer entregas de lavandaria ou mesmo de cabazes de produtores locais, entre outros serviços que se possam realizar de bicicleta. Uma opção barata de fazer recados, que se situa numa média de 2 euros por serviço.

Na Start Up Torres Novas foi bem recebido e elogia a iniciativa, onde encontrou várias pessoas com o seu percurso. “A minha desilusão tornou-se em motivação para trabalhar”, refere. Este é afinal “um serviço novo, baseado na confiança”, onde, apesar do crescimento ainda ser lento, vê uma evolução positiva. “Estou disposto a ir até onde me pagarem”, explica, mas tem-se mantido pela zona urbana de Torres Novas e zona industrial de Riachos. Para já faz entre 20 a 30 quilómetros por dia e ainda não fala em esforço.

Quando passa batem-lhe palmas, felicitam-no pela ideia, algumas recebem-no com surpresa. “Quase toda a gente acha engraçado, que fazia falta”, comenta, apesar de a receptividade ainda não ser a desejada. Por isso, a perspetiva de ir mais longe ainda é vista com muita moderação. “Sonhos temos sempre”, admite, “resultando cá, a ideia resulta em qualquer sítio”. Se resultar talvez possa empregar mais uma pessoa e alargar a ideia a outros concelhos, admite.

Os paralelos e as subidas são algumas das dificuldades que Licínio encontra na circulação por Torres Novas no dia a dia. A cidade “não é 100% simpática” para os ciclistas, reflete, mas também não entende que seja perigosa. A sua atividade vem ao mesmo tempo estimular as boas práticas físicas e ecológicas, frisa.

Terminada a entrevista Licínio segue o seu caminho, de capacete e óculos de sol. Mantém a esperança que este seja o início de um novo percurso e que possa fazer um trabalho diferente e útil em Torres Novas. Está aberto a tudo, até a promoção.

É chegado o momento de arriscar…

 

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Cláudia Gameiro, 29 anos, há seis a tentar entender o mundo com o olhar de jornalista. Navegando entre dois distritos, sempre com Fátima no horizonte, à descoberta de novos lugares. Não lhe peçam que fale, desenrasca-se melhor na escrita
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