Torres Novas | José Carlos Pereira quer concentrar-se no seu “novo papel” de médico

Ator conhecido das novelas da TVI é agora interno no Hospital de Torres Novas Foto: mediotejo.net

Quando em 2001 estreou a novela “Anjo Selvagem”, o ator José Carlos Pereira, então com 23 anos, chamou a atenção não só pelo sucesso da produção da TVI, mas também por deixar a meio o curso de Medicina. Quase 20 anos depois, de uma carreira que tornou a sua vida bastante mediatizada, expondo os seus problemas de adição e internamentos para desintoxicação, José Carlos Pereira terminou os seis anos de curso. Em novembro realizou o pesado exame Harrison e iniciou no dia 2 de janeiro o internato (formação geral) no Hospital de Torres Novas do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT). Durante o próximo ano irá passar por todas as áreas médicas, numa posição de aprendizagem e não de prática clínica, e só então escolherá a especialidade. Começou o internato pela pediatria – e essa foi a notícia da semana na cidade torrejana. 

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Já na casa dos 40, José Carlos Pereira é um homem que não deixa indiferente o público feminino. Alto, atlético, de olho azul e um sorriso de encher uma sala, uma voz masculinizada mas tranquila e extremamente cordial, uma postura séria e circunspecta que só atiça ainda mais o charme, fez soltar suspiros e comentários de idas futuras ao hospital assim que partilhou uma foto sua na pediatria do Hospital de Torres Novas, na segunda-feira, 7 de janeiro, na sua página oficial de Facebook. O tema correu as redes sociais na terça-feira e chegou às manchetes dos jornais e revistas, sem que porém se soubesse concretamente qual a função que o ex-ator estava a desempenhar por terras do Médio Tejo.

O mediotejo pediu autorização para o entrevistar mas, por forma a satisfazer as muitas interpelações da comunicação social, o CHMT organizou na sexta-feira, 11 de janeiro, uma conferência de imprensa, onde José Carlos Pereira respondeu a algumas questões para cerca de uma dezena de jornalistas. O ex-ator está numa fase mais reservada da vida e reconhece que duas décadas de mediatização não permitem que a sua presença seja indiferente. Mas quer agora focar-se na medicina: um sonho de criança que está, finalmente, a concretizar.

José Carlos Pereira partilhou uma fotografia do seus primeiros dias de trabalho na sua página oficial de Facebook Foto: José Carlos Pereira

O encontro estava marcado para o auditório do Hospital de Torres Novas, tendo os jornalistas apenas autorização para interpelar pessoas que se encontrem fora do edifício. José Carlos Pereira mantinha-se de serviço na urgência, é-nos referido, e só comparecerá na hora prevista da conferência de imprensa. No átrio do Hospital pouca gente passa e, mesmo quem traz crianças ao colo, refere que não se cruzou com a vedeta da televisão.

Resta-nos aguardar, constatando que José Carlos Pereira terá ainda que esperar alguns anos até desaparecer, como parece ser seu desejo, da memória coletiva. Estão ali todos: CMTV, TVI, Impala (o grupo tem uma página de notícias online e é detentor das revistas TV 7 Dias, Nova Gente, Maria, Ana, VIP, entre outras), e todos os órgãos de comunicação local e regional que cobrem o concelho de Torres Novas.

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“Ena!”, comenta quando entra, poucos minutos depois do meio dia, ao constatar a quantidade de jornalistas presentes na sala. De bata médica e farda verde, com o estetoscópio ao pescoço, José Carlos Pereira apresenta-se no seu “novo papel”. Não exercendo para já as funções práticas de médico, encontrando-se sobretudo como observador e com orientação superior, é essa posição que assume para quem desconhece o intrincado modelo hierárquico e de aprendizagem da profissão médica.

Quem toma primeiro a palavra é Carlos Gil, responsável pelo pelouro dos recursos humanos do conselho de administração do CHMT. José Carlos Pereira, explica então, integra  o grupo de 30 recém-licenciados que foram recebidos este ano pela instituição, que se encontram a fazer o primeiro ano do internato, dedicado à formação geral. Mediante aprovação neste ano, e consoante a nota que o ex-ator tiver no exame Harrison, é que este poderá escolher uma área de especialização, que se traduz num percurso que pode atingir mais seis anos. Neste momento, José Carlos Pereira está simplesmente a acompanhar as consultas da sua responsável técnica.

O objetivo do Hospital, refere, “é que o maior número de internos escolham o CHMT para fazer a formação específica”, por forma a que se consiga “um rejuvenescimento dos quadros médicos” e “aumentar o número de especialistas” que, conforme reconhece, as três unidades do Médio Tejo bem precisam. Mas se José Carlos Pereira irá ficar em Torres Novas, admite o ex-ator posteriormente, ainda é uma questão sem resposta.

Com perto de 20 anos de uma grande exposição mediática, José Carlos Pereira retirou-se por “opção”, regressando à carreira que estava originalmente nos seus planos. Tal profissão, afirma repetidamente, “requer descrição e um pouco de privacidade”, razão pela qual deixa o apela “a respeito e não invasividade na minha carreira médica”. Sabe que ainda está num rescaldo de mediatização que torna a curiosidade sobre a sua pessoa inevitável, mas explica que precisa de “recato” para conseguir cumprir com sucesso este período formativo.

Da carreira de ator ficam algumas lições, reconhece, mas hoje é de medicina que quer falar. Afirma que escolheu o CHMT pelas boas referências da instituição da parte de colegas e por querer sair de Lisboa. Tinha “facilidades em arranjar alojamento nesta zona”, explica, além de que fica a cerca de uma hora da capital, colocando-o rapidamente junto da família. “Estou longe, mas estou muito perto”, constata. Estavam assim as condições reunidas para concretizar esta opção.

CHMT recebeu 30 novos internos, que espera conseguir conquistar para a especialização médica na região Foto: mediotejo.net

“Acho que este ano vai ser decisivo para a minha tomada de decisão” sobre a especialidade, conclui, afirmando que não pretende seguir nenhuma área cirúrgica, mas clínica. O resto, afirma, só o futuro o dirá.

Passaram entretanto não mais que 20 minutos. José Carlos Pereira agradece mais uma vez as presenças e refere que tem que voltar para o trabalho. Pedem-se algumas fotos junto ao painel de mosaico identificativo do Hospital de Torres Novas. Ele acede.

Passo firme mas sem pressa, aguardando pelos responsáveis do CHMT e trocando algumas palavras com os jornalistas sobre as fotografias. “Tenho que ir trabalhar”, vai repetindo. Junto ao painel de mosaico, numa postura que demonstra claramente a experiência nestas lides, retira a expressão circunspecta e abre o sorriso. Basta isso para se reconhecer o “Zeca”, figura da televisão, atual interno no Hospital de Torres Novas.

Ainda se tira mais uma e outra foto. Breves segundos de intensos flashes à procura do melhor perfil, do melhor ângulo, do melhor sorriso. “Obrigada a todos por terem vindo. Agora tenho que ir trabalhar”, repete mais uma vez.

Quem filma fica a gravar a sua saída do átrio do Hospital, desaparecendo rapidamente pelos corredores que marcarão agora os seus dias. É uma saída de cena quase shakesperiana. Um desenlace inesperado face à narrativa tradicional dos atores de sucesso, de quem esperamos quase sempre a tempestade mas nem sempre a coragem para recomeçar e encontrar um período de bonança longe dos holofotes da fama.

José Carlos Pereira em encontro com jornalistas depois da primeira semana no CHMT

Publicado por mediotejo.net em Sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

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