Torres Novas | Frutos Secos estão na moda em mercado impulsionado pelas correntes da alimentação saudável

Rosa Pereira vende frutos secos há 30 anos e já ganhou prémios pela apresentação da sua banca. Foto: Frutos Secos da Avó Rosa

As recomendações dos nutricionistas e as novas filosofias de alimentação saudável, como a dieta do paleolítico, entre outros fatores, estão a impulsionar o mercado dos frutos secos. Agora que vai começar mais uma Feira dos Frutos Secos de Torres Novas, entre os dias 3 e 6 de outubro, o mediotejo.net recupera uma conversa com vendedores de frutos secos e produtores de figo torrejano para tentar saber se o setor tem futuro. Mercado existe, confirmam, e “os frutos secos estão na moda” devido às correntes de alimentação saudável.

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O figo preto de Torres Novas é o ex-libris do município, mas para os produtores e vendedores este tem no figo pingo de mel uma forte e mais doce concorrência. Não obstante, o figo, de qualquer variedade, continua a vender, juntando-se a uma certa moda de alimentação saudável associada aos frutos secos que está a impulsionar o setor. Neste âmbito, olha-se cada vez mais para novas formas de apresentar o produto, introduzindo-o em doces ou recheando-o com chocolate.

Feira de Frutos Secos regressa a Torres Novas de 3 a 6 de outubro. Foto: DR

Foi este o caso de Rosa Moita, natural de Torres Novas, que decidiu juntar o figo à sua marca de bolachas, os “Mimos da Rosi”. Já com um conjunto de variedades que contemplavam bolachas e biscoitos de ervas aromáticas, pimenta rosa, gengibre, nozes e amendoim, esta designer gráfica de formação decidiu apostar recentemente na introdução do figo nas suas receitas. “Porque sou de Torres Novas, cresci com isto”, refere simplesmente.

Rosa Pereira vende frutos secos há 30 anos e já ganhou prémios pela apresentação da sua banca. Foto: Frutos Secos da Avó Rosa

A bolachas de figo vendem-se “muito bem”, a par de outra sua especialidade, os bolinhos de chocolate e pimenta rosa, destacando que tal também se pode dever à particularidade de não terem açúcar e glúten. “O ano passado houve muito boas vendas” na Feira, confirma, corroborando a ideia de que “os frutos secos estão na moda” devido às correntes de alimentação saudável.

Para esta empresária torrejana que aliou o figo aos seus biscoitos o futuro deste fruto típico de Torres Novas pode sim passar pela sua introdução noutros produtos. A tâmara, exemplifica, tem outras utilizações em produtos culinários, e as granolas, também na moda, usam todo um conjunto de frutos secos e sementes. “Porque não usar o figo?”, questiona.

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Mário Faustino, produtor de figo preto e pingo de mel de Torres Novas e revendedor de toda uma variedade de frutos secos, descobriu em Espanha uma ideia que não hesita em nos mostrar: um bombom de figo recheado com chocolate. Presença frequente em feiras de Torres Novas e um pouco por toda a região, Mário Faustino destaca esta como um exemplo de uma ideia que se poderia implementar no figo de Torres Novas. Isso e o regresso da instituição da Cooperativa que organizasse o setor e definisse os preços, à semelhança do que se faz no país vizinho.

Feira dos Frutos Secos é evento incontornável em Torres Novas. Foto arquivo: mediotejo.net

Dar subsídios para que se torne a plantar e secar figo em Torres Novas é outra das propostas que deixa aos autarcas. Conforme constata, a produção está cada vez mais entregue aos idosos e pouco interesse há nas novas gerações pelo figo torrejano.

“De há alguns anos para cá, desde que a Feira dos Frutos Secos passou para a praça 5 de outubro, tem sido um sucesso”, afirma o produtor. Os frutos secos têm mercado, defende Mário Faustino, sendo que há pessoas que fazem refeições à base destes produtos. Produz figo, noz e passa de uva e garante que tem clientes que vêm de longe comprar-lhe os frutos secos.

Produtor de figo e vendedor de frutos secos, Mário Faustino é um dos comerciantes mais ativos do setor em Torres Novas. Foto: mediotejo.net

Mário Faustino tem 220 figueiras, a maioria de figo pingo de mel. O figo preto, não sendo tão doce, não dá tanto rendimento, e foi substituindo a qualidade das figueiras ao longo dos anos. A produção vai-se mantendo estável, com as alterações climáticas apenas a não permitirem que o figo cresça tanto. Não obstante também compra a outros produtores, vendendo 12 a 15 mil quilos de figo seco.

Mas quem primeiro fala ao mediotejo.net do impacto da moda da alimentação saudável, em particular da vaga da dieta do paleolítico, na venda do figo e dos frutos secos em geral é a “avó Rosa”, Rosa Pereira, e o filho David Moita, produtores e vendedores de frutos secos há 30 anos e com diversos troféus já alcançados pela dedicação que a avó Rosa coloca na conceção e montagem da sua banca nas Feiras de toda a região.

“A venda de frutos secos tem vindo aumentar desde que os médicos, os nutricionistas, aconselham os frutos secos e daí nós também notarmos uma grande diferença nas vendas”, constata David Moita.

Mais de 70 expositores vão estar em Torres Novas, na Feira de Frutos Secos 2019. Foto arquivo: mediotejo.net

A marca “Frutos Secos da Avó Rosa” tem um pouco de tudo: mel, pólen, sementes, toda a qualidade de frutos secos, figo preto e pingo mel. Depois de vários anos de ausência, Rosa Pereira voltou em 2016 à Feira dos Frutos Secos de Torres Novas. “Foi um grande feirão”, constata o filho, reforçando a ideia geral de que o evento superou as melhores expectativas e que o negócio está na moda.

Os frutos secos vão-se vendendo todo o ano e o objetivo da família é expandir o seu mercado e alargar-se a mais zonas do país. Concorrência, admitem, não há muita. Na produção o problema é mesmo a elevada idade dos produtores, em concreto, do figo. David Moita vê no entanto algum interesse nas novas gerações, que, lentamente, acredita estarem a regressar ao setor como forma de equilibrar as contas.

Rosa Moita aliou o figo de Torres Novas à bolacha. Foto: Mimos da Rosi

A Praça 5 de Outubro e a Praça dos Claras, em Torres Novas, recebem de 3 a 6 de outubro a 34.ª Feira Nacional dos Frutos Secos, um certame que este ano reúne mais de 70 expositores de frutos secos, produtos locais, gastronomia e artesanato numa área de exposição de mais de 2.500 metros quadrados.

*Reportagem publicada em 2017, atualizada e republicada em outubro de 2019

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