Torres Novas | Figura da Inquisição torrejana marca Feira de Época “sombria”

Cerca de um centena de pessoas compareceram na Praça dos Claras à apresentação da Feira de Época Foto: mediotejo.net

O município de Torres Novas apresentou na sexta-feira à noite, 5 de abril, o tema da Feira de Época – Memórias da História deste ano, evento a decorrer entre 29 de maio e 2 de junho no centro histórico e Jardim das Rosas da cidade. A ação desta vez decorre nos anos 70 do século XVII, através da personagem de um inquisidor-geral do reino que foi marquês de Torres Novas. “Tempos Sombrios – D.Pedro de Lencastre” promete o regresso da memória da censura moral do Santo Ofício.

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Adianta a sinopse da Feira de Época 2019: “A Inquisição e os Tribunais do Santo Ofício são instituições que representam o poder e através das quais ele se manifesta. Dona de um controlo social feroz, a Inquisição, leva a cabo perseguições, encarceramentos, torturas e autos de fé”.

X Feira de Época | Tempos SombriosD. Pedro de Lencastre, inquisidor-geral do reino29 de maio a 2 de junho de 2019Quando se espalha a notícia de um novo inquisidor-geral do Reino, depois de longos 18 anos, o povo sobressalta-se. Assume o cargo Pedro de Lencastre, Duque de Aveiro e Marquês de Torres Novas, na regência de D.Pedro II, irmão de Afonso VI. As denúncias, a repressão e o medo dominam o quotidiano. Resistem os lúcidos: as mulheres, os loucos, os insubmissos. Vivem-se tempos sombrios.Mais informações em www.memoriasdahistoria.pt.

Publicado por Memórias da História em Sexta-feira, 5 de abril de 2019

“A par de outras perseguições, condenações e de proibições várias, a intolerância e a vigilância dos comportamentos dos cristãos-novos e de suas famílias têm ainda nesta época um cariz muito violento, onde a denúncia e o medo marcam os comportamentos do dia-a-dia.

As mulheres são socialmente, também, bastante controladas, situação que se perpetua e que não é nova. Regista-se o grande número de mulheres que são enviadas para conventos como forma de penitência. Os desvios à norma eram feitos em segredo e em refúgios.

Se alguma confidência se deixava escapar, ao pecador a confissão era arrancada pela tortura, física e psicológica. Sempre em nome de Deus e da remissão dos pecados, com forte componente, quer cénica, quer pedagógica, tanto no castigo como na absolvição. Reina em Portugal D. Pedro II, irmão do malogrado Afonso VI. Vivem-se tempos sombrios”.

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Apresentação da Feira de Época de Torres Novas. Espetáculo a decorrer na Praça dos Claras

Publicado por mediotejo.net em Sexta-feira, 5 de abril de 2019

Este cenário foi apresentado à população através de um vídeo promocional, de elaboração municipal, em que se introduziu a personagem de D.Pedro de Lencastre. A Feira de Época vai ser acompanhada, como tradicionalmente, por momentos de recriação histórica dentro desta temática, atividades lúdicas, performances musicais e teatrais.

Pedro de Lencastre, 5º marquês de Torres Novas, viveu entre 1608 e 1673, tendo assumido as funções de inquisidor-geral do reino entre outubro de 1671 a abril de 1673. Exerceu o cargo durante um período de intensa atividade inquisitorial aliado a um ciclo de instabilidade política e económica que acompanhou o início da regência de D. Pedro II, por renúncia ao trono do rei Afonso VI, incapaz por doença.

Frequentou a Universidade de Coimbra, após o que foi nomeado bispo da Guarda por D. João IV. Teve, entre outras funções, cargos como o de Conselheiro de Estado e Arcebispo de Évora, e Presidente da Mesa do Desembargo do Paço em 1651, entre outros. Pedro de Lencastre era também titular da Casa de Aveiro.

Segundo informação municipal, há uma dissertação de mestrado relevante para a compreensão da personagem e do tema, da autoria de Marta Ribas, que sustentou a escolha por este tema. “O Governo do Tribunal do Santo Ofício no Tempo de D. Pedro de Lencastre (1671 ‑1673) – Garantir a fé em tempos conturbados” encontra-se no arquivo da Universidade de Coimbra.

Cartaz Promocional Foto: CM Torres Novas

Na sessão na noite de sexta-feira, o presidente da Câmara, Pedro Ferreira, lembrou ser esta a décima edição da iniciativa, que já tem inscritos cerca de 200 “mercadores”. “Não estamos a inventar nada”, frisou o autarca, lembrando que desde a primeira edição se apostou na memória de figuras que efetivamente existiram e passaram pelo território para ambientar a feira “medieval” torrejana.

As pulseiras livre-trânsito estarão em pré-venda de 3 a 19 de maio pelo valor de 4,5 euros para os cinco dias. Durante o evento o livre-trânsito tem o custo de 7 euros e a pulseira diária 5 euros. Desconto de família nas pulseiras diárias: 1 filho/a (13 a 17 anos) acompanhado/a pelo pai e/ou mãe 20% de desconto sobre o valor total; 2 filhos/as ou mais (13 a 17 anos) acompanhados/as pelo pai e/ou mãe 30% de desconto sobre o valor total. A entrada é gratuita para crianças até aos 12 anos, inclusive.

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