Torres Novas | Cristas insiste em medidas “criativas” para evitar colapso da Segurança Social

Patrícia Fonseca é a cabeça de lista do CDS por Santarém, Assunção Cristas concorre por Lisboa. A líder do CDS esteve esta sexta-feira em Torres Novas Foto: DR

A presidente do CDS-PP defendeu hoje, em Torres Novas, que se olhe “de forma nova e criativa” para as dinâmicas da vida laboral e da reforma da segurança social, para evitar o colapso do sistema.

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Assunção Cristas, que hoje visitou, acompanhada pelo candidato do partido às eleições europeias Nuno Melo, uma unidade de produção e embalamento de frutos secos em Torres Novas, reagiu, “sem surpresa”, ao estudo divulgado hoje pela Fundação Francisco Manuel dos Santos que aponta para a necessidade de aumentar a idade da reforma para evitar o colapso do sistema de segurança social.

A líder centrista defendeu a necessidade de um trabalho “em conjunto”, referindo a proposta apresentada pelo seu partido, inspirada no sistema inglês, que permitiria a cada um saber, todos os anos, quanto já tinha descontado, quanto iria receber de reforma e quantos anos ainda iria ter que trabalhar, ao mesmo tempo que poderia aderir a um complemento de reforma, com um sistema de capitalização das poupanças adicionais.

“Já não seria como o sistema atual, em que quem trabalha desconta para quem está na reforma, mas um sistema complementar de capitalização em que estamos a guardar o nosso próprio dinheiro para podermos depois dele beneficiar”, afirmou, apontando esta como uma via para não se ter que “trabalhar tanto tempo”, como aponta o estudo hoje divulgado.

Outra proposta que referiu foi a de, perto da idade da reforma, em vez de “uma transição abrupta” entre trabalho e reforma, poder ser feita uma “transição gradual, voluntária”, em que fosse possível trabalhar a metade do tempo “no último ou nos dois últimos anos da vida ativa e prolongar esse trabalho a meio tempo por mais um ou dois anos”, permitindo “uma transição mais suave” que poderia “acautelar algumas situações”.

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Assunção Cristas lamentou que estas “medidas simples”, apresentadas no parlamento em 2016, pouco depois de assumir a liderança do partido, tenham sido chumbadas, com o contrato de transparência a acabar por ser aprovado mais tarde, sem que tenha sido ainda posto em prática.

A líder centrista afirmou que a visita de hoje à Frusel – Fábrica de Frutos Secos, em Torres Novas, surgiu de um convite para conhecer um projeto ligado à agricultura, que tem a preocupação de recorrer a matéria-prima nacional e a produção própria, tendo atualmente uma área de 35 hectares para cultura de pistáchios.

Cristas afirma que questões de ética e bom senso “não são do domínio da lei”

A líder do CDS-PP disse hoje compreender que o Presidente da República exerça a sua “magistratura de influência”, mas considerou que questões de “ética e bom senso”, como as nomeações de familiares, “não são do domínio da lei”.

Assunção Cristas, que hoje visitou a Frusel, Fábrica de Frutos Secos, em Torres Novas, na companhia do candidato do partido às eleições europeias Nuno Melo, afirmou ser “impossível” que “questões que não são do domínio da lei” se possam resolver legislando.

“Por mais detalhada que a lei fosse, haveria sempre situações a serem colocadas por fora”, disse, considerando “uma desfaçatez” que tenha sido o presidente do PS, Carlos César, a apresentar a proposta do partido, “ele próprio com tantos familiares em tantas áreas do Estado, seja a nível nacional seja a nível regional”.

Questionada sobre a iniciativa do Presidente da República, que elaborou uma proposta de lei impossibilitando a nomeação de qualquer familiar para qualquer função na Presidência da República, a enviar ao Governo, Assunção Cristas disse compreender que Marcelo Rebelo de Sousa exerça a sua “magistratura de influência, também em diálogo com o Governo”.

“Agora, o legislador é o parlamento e é também o Governo. Veremos. Se o Governo apresentar alguma proposta de lei nesse sentido, lá estaremos no parlamento para a discutir, mas volto a sublinhar, no nosso entender, questões de ética e de bom senso, por muito bem que uma lei seja feita, não serão certamente todas tratadas e, sobretudo, tem um risco muito grande, que é de dar a aparência de que agora tudo está bem e o que foi feito, e mal feito, de repente aparece limpo e clarificado”, declarou.

Para a líder do CDS-PP, que referiu o caso da nomeação e exoneração do marido da secretária de Estado da Cultura, “no mesmo Diário da República”, este “abuso do Partido Socialista, que se instala no Estado como se fosse a sua casa, primeiro à vontade e depois à vontadinha, só tem uma solução que é uma forte censura nas urnas” já em 26 de maio, data em que realizam as eleições europeias.

Sobre a proposta apresentada hoje pelo PSD, para contabilização de todo o tempo de serviço dos professores, em termos a definir pelo Governo, Assunção Cristas afirmou que o seu partido mantém a mesma posição, a de que “todo o tempo tem que ser contado” e de que “são justas as reivindicações dos professores”.

“Deve ser pago olhando para as diferentes possibilidades e negociando com os professores a forma de fazer esse pagamento, faseado no tempo e também trazendo outros assuntos para discussão, como reformas antecipadas, a avaliação e as dinâmicas das carreiras”, declarou.

Assunção Cristas afirmou que essa será a posição que o CDS-PP vai defender na discussão no parlamento, adiantando acreditar que será o próximo Governo a resolver o problema.

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