Torres Novas | André Lopes e o truque que fez aparecer a Torres Novas Magic School

André Lopes. Foto: mediotejo.net

Não há quem não se recorde do momento em que ficou maravilhado com um truque de magia. A emoção passa à lógica e a pergunta que se segue é “Como se faz?”. Para os que se ficam pela curiosidade e os que descobrem ali uma vocação surgiu a Torres Novas Magic School. Fomos descobrir o truque usado pelo mágico André Lopes para fazer aparecer a segunda escola do género no país e que considera a magia como “aquilo que é sentido e vivido”.

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Toda a gente gosta de ter um truque na manga. Uns fazem a moeda desaparecer, outros trocam as voltas ao público dos almoços de família com as cartas. André Lopes é um caso “mais sério”, apesar de não ser dos meninos que receberam uma caixa de magia durante a infância, passada na Mealhada, ou dos que gostavam de ser colegas de turma de Harry Potter – a personagem principal dos livros de J. K. Rowling – na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.

Foto: mediotejo.net

A magia surgiu já na idade adulta, em 2007, na altura em que tinha concluído um estágio numa empresa farmacêutica, em Coimbra. No tempo livre, até à entrada no mundo laboral, viu uns vídeos e a curiosidade de amador foi alimentada pela vontade de evoluir. Decidiu então que não queria ficar-se pela pergunta “Como se faz?” e comprou um baralho de cartas. A partir daí, foi descobrindo o mundo mágico que tem a capacidade de trazer o brilho infantil de volta aos olhos dos mais velhos.

Se quisesse ter aulas no nosso país teria de esperar por 2011, data em que foi fundada a primeira escola de magia, no Porto, pelas mãos de João Miranda e Gonçalo Gil. Não esperou, tornou-se autodidata e um ano depois do surgimento da Escola de Magia do Porto fez a primeira apresentação oficial no casamento de uma amiga. O hobbie transformou-se em “jobbie”, diz, e com o passar do tempo a consultoria de mágicos e a formação juntaram-se às performances.

Pouco mais de uma década depois do primeiro contacto com a magia, André Lopes tem um novo truque, a Torres Novas Magic School, que passou de “sonho” a realidade quando lhe falaram da Start Up de Torres Novas. Tinha a “oportunidade perfeita” para criar uma escola de magia, a segunda do país de que temos conhecimento, com portas abertas para amadores e profissionais. Avançou convicto de que “seria uma boa aposta e algo inovador” e disposto a conciliar o novo projeto com o emprego de militar na Força Aérea.

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Foto: mediotejo.net

Visitou o espaço, gostou do que viu, fez a apresentação e levou a magia até ao Edifício B do Convento do Carmo. O fator “proximidade de casa” ajudou pois é um habitante recente da aldeia de Riachos desde 2017 e a zona não lhe era desconhecida uma vez que a esposa é natural do concelho torrejano. A escolha da cidade de Torres Novas para fundar a nova escola foi facilitada por considerar que tem “alguma mística”.

Será na Start Up de Torres Novas que serão realizados workshops para mágicos, como o que se realizou no sábado passado com inscrições esgotadas, mas também para pessoas a partir dos 10 anos de idade que, simplesmente, gostem de impressionar os amigos. No caso dos primeiros, os termos técnicos como “doublelift” serão utilizados com maior frequência e os formandos sabem do que André Lopes ou qualquer um dos mágicos convidados estão a falar.

Nós tentámos perceber o truque durante a conversa, mas as mãos do entrevistado foram mais rápidas e o seis de copas passou da mesa para o topo do baralho de cartas sem qualquer razão, aparentemente, lógica. Fomos enganados e assistir a um truque de magia deve ser o único momento da vida em que não nos importamos de que isso aconteça. Gostamos de nos maravilhar com a ilusão.

Foto: mediotejo.net

As formas como o fazem são ilimitadas e, questionado sobre o objeto imprescindível de qualquer mágico, André Lopes responde que este “encontra algo em qualquer lado”, sendo os objetos do dia-a-dia, muitas vezes, os que têm “maior efeito”. Ri-se quando diz que “não faz muito sentido” andar com o baralho de cartas de um lado para o outro e, para sermos sinceros, a imagem não nos choca. Seria mais estranho se da mochila preta que tem a seu lado surgissem uma varinha mágica, uma cartola ou um coelho branco.

André Lopes revela que nunca lhe passou pela cabeça ter qualquer um deles. Quanto ao baralho, esteve sempre presente, sendo manuseado com destreza e calma que demonstram experiência e treino numa atividade que está em voga. Aos programas de televisão juntam-se os mágicos que têm milhares de seguidores nas redes sociais. Também se multiplicam vídeos do youtube que revelam como os truques são feitos, todavia, a capacidade de fazer sonhar não se esgota no método pois “a magia está naquilo que a pessoa sente”.

Para isso, muito contribui o envolvimento do mágico, que assume uma personagem e estimula o entusiasmo com a componente cénica e a história que conta. O foco, sublinha, deve estar “na apresentação e naquilo que está a acontecer”, sem esquecer que cada pessoa vive o momento “de forma diferente” e que cada performance é diferente, adaptando-se a quem está do outro lado.

Foto: mediotejo.net

Quanto maior for a emoção gerada no público, maior é a sua e o mesmo acontece quando recebe feedback positivo dos eventos em que participa. O próximo é este sábado, dia 19 de janeiro, durante o primeiro encontro Criativa Ť, na Biblioteca Municipal Gustavo Pinto Lopes, em que a Torres Novas Magic School é apresentada juntamente com as empresas da Start Up de Torres Novas ligadas às indústrias criativas.

A iniciativa começa às 14h30 e o espetáculo de magia com André Lopes está marcado para meia-hora mais tarde. A data assume um papel duplamente importante pois, de acordo com o mágico, deverá ser a que fica associada à fundação oficial do projeto pioneiro desenvolvido em conjunto com Leandro Morgado – que neste momento o acompanha no backoffice – e tem como mote “Educating with Magic”.

A Torres Novas Magic School não foi idealizada para ser um espaço onde apenas se ensinam truques de magia. Os formandos terão contacto com a matemática aplicada dos truques de cartas, a química e a física para perceber como transformar água em vinho, o inglês para ler as obras essenciais que ensinam os efeitos ou a técnica mnemónica do “Palácio da Memória” (ou “Método de Loci”), que ajuda a memorizar dados associando-os a imagens familiares.

Os cursos, sem data de início definida, serão compostos por módulos dedicados a especialidades e dinamizados por mágicos como Francisco Mousinho e José Pereira (Zé Mágico). Estão, igualmente, previstos intercâmbios com os alunos da Escola de Magia do Porto e a lista continua com outras iniciativas em que se incluem uma loja online, espetáculos em locais insólitos, agenciamento de mágicos e um Festival de Magia com masterclasses e galas com mágicos nacionais e estrangeiros.

André Lopes acaba por resumir o objetivo principal quando diz que “queremos ajudar a passar mais magia por aqui”, acrescentando que “vontade e profissionalismo para o fazer nós temos, agora é uma questão de percebermos os que conseguimos”. Tal depende de diversos fatores, entre os quais se encontra o investimento financeiro e a aceitação por parte da população e possíveis entidades parceiras.

As expetativas são muitas, acrescenta, e prefere ir com calma, percebendo em primeiro lugar o caminho que tem pela frente. A magia andará por lá de certeza com a sua capacidade única de maravilhar crianças e adultos com truques tão simples como a moeda que aparece atrás da orelha ou espetaculares como quando o David Copperfield atravessou a Muralha da China. Somos enganados? Somos, mas não nos importamos.

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