Torres Novas | A leveza da palha e das acrobacias de Amer & Àfrica nos Caminhos do Ferro

Espetáculo "Envà" nos Caminhos do Ferro 2019. Foto: mediotejo.net

A palha alimenta o corpo. Na corda atam-se e desatam-se nós. Pegamos nestes dois elementos e juntamos-lhe a arte circense contemporânea para alimentar a mente e o elo que “amarra” a dupla “Amer & Àfrica” quando partilham o espaço cénico. Passamos a estar perante o espetáculo “Envà”, que integra o programa dos Caminhos do Ferro e foi apresentado esta sexta-feira no largo da Igreja Paroquial de Riachos.

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A sinopse apresentada pela dupla de artistas espanhola revela um encontro entre 250 quilos de palha e metade dessa quantidade em massa humana, levando-nos à procura de ambos na primeira noite dos Caminhos do Ferro. Data em que a primeira apresentação do espetáculo “Envà” estava marcada no concelho de Torres Novas, seguindo na noite seguinte para o de Abrantes.

Quando chegámos ao Largo da Igreja Paroquial de Riachos, o sino já tinha dado as nove badaladas noturnas e o ponteiro dos minutos seguia em mais uma das suas voltas do dia, quase marcar a meia-hora. Não seria, contudo, nessa paragem do ponteiro que Amer & Àfrica entravam em cena. Apenas o fariam depois das celebrações religiosas terminarem no interior da igreja.

A dupla Amer & Àfrica. Foto: mediotejo.net

Um atraso que se transformou em oportunidade para falarmos com ambos (em “espanholês” / “portunhol”) sobre a vinda a Portugal no seguimento do convite da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, no âmbito do projeto Caminhos. A atuação deste lado da fronteira não é estreia. Estão por cá pela terceira vez e a palha chega ao Médio Tejo depois de ter passado pelo Porto no ano passado.

Trabalham juntos há sete anos explorando a técnica de acrobacia mão-a-mão e, ao longo de 40 a 50 minutos na noite desta sexta-feira, as de Amer & Àfrica tocaram-se vezes sem conta. Muitas dessas vezes com o público a torcer para que as dele agarrassem as dela com destreza e força. O largo não esteve cheio, facto desvalorizado pelos artistas que antes da atuação já referiam que em localidades mais pequenas não se trata de quantidade, mas de “intimidade” e “proximidade”.

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O público participa neste espetáculo interativo. Foto: mediotejo.net

Segundo a dupla, “Envà” teve na sua génese o conceito de materiais naturais e a palha destacou-se por ser natural e humilde. Algo, aparentemente “sem valor” que acabam por valorizar de forma “específica”, acrescentam, quando fundida com a corda, artistas e técnica circense. O resultado é um momento interativo em que se cortam as barreiras “pessoais de cada um” e “físicas com o público”.

Sim, o público também é chamado a participar… e não apenas como mero assistente. O circo contemporâneo diferencia-se do formato tradicional e a maior proximidade com o público, dizem, é uma das vertentes que o distingue. Novas linguagens de uma arte cénica a puxar a reflexão, que abrangem público de todas as idades e não exclusivamente vocacionadas para crianças.

Em Barcelona, onde a companhia “Amer & Àfrica” está sediada, os espetáculos são mais frequentes, acrescentam. Por Portugal, as referências vão-se multiplicando e o projeto Caminhos tem trazido algumas nacionais e internacionais ao Médio Tejo. A edição de 2019 não é exceção e, além de “Envà”, os Caminhos do Ferro integram o espetáculo “Inbox” da companhia francesa Soralino, apresentado nos concelhos de Tomar e Abrantes.

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