Tomar | Poluição do Nabão leva autarquia a exigir solução ao Ministério do Ambiente

Poluição no Nabão voltou a causar indignação da comunidade em fevereiro de 2019. Foto: mediotejo.net

Após os recentes episódios de descargas no rio Nabão, que ocorreram na segunda-feira, dia 16, visíveis pela espuma e odor nauseabundo que a população retrata junto à cidade e cuja revolta fez circular nas redes sociais, a Câmara Municipal vai endereçar nova carta ao Ministro do Ambiente, APA e Grupos Parlamentares da Assembleia da República. Anabela Freitas (PS), presidente da Câmara de Tomar, disse ao mediotejo.net que vai voltar a reivindicar o cumprimento de ações definidas em 2017 e que até hoje não foram cumpridas, defendendo também “uma linha de crédito” para que as autarquias possam reabilitar equipamentos separativos das águas residuais e pluviais, um investimento de milhões que nenhum município tem capacidade para suportar.

Anabela Freitas começou por lembrar que desde 2016 a autarquia tem apresentado “sucessivamente” queixas na GNR/SEPNA, com conhecimento da Agência Portuguesa do Ambiente (APA). Por outro lado, lembrou que “houve reuniões há dois anos no Ministério do Ambiente, onde o Sr. Ministro esteve presente, juntamente com a autarquia e a APA, e foi delineado um conjunto de ações”.

“A Câmara, não tendo competência no rio fora da zona urbana, disponibilizou os seus serviços e recursos, seja veículos, técnicos que possam acompanhar os técnicos da APA para se realizarem as ações previstas. Até à data, ainda nada foi feito”, afirmou a edil.

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Anabela Freitas afirmou que “as causas estão identificadas e são várias”, tendo acrescentado que não descarta a hipótese de existirem também descargas ilegais.

“Não digo que não haja descargas ilegais, porque no relatório que a APA nos entregou foram identificadas ao longo do rio Nabão onze possíveis focos de descargas e nem todos são a montante da cidade”, disse.

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Ainda assim, Anabela Freitas referiu que “não existem separativos nas condutas até à ETAR de Seiça” sendo que em períodos de chuva o volume foge ao normal e “entram águas residuais e pluviais, não tendo o equipamento capacidade para tratamento”.

Segundo a autarca, será tornado público esta quarta-feira, dia 18, uma carta que será endereçada à APA, ao Ministro do Ambiente e a todos os Grupos Parlamentares com assento na Assembleia da República, voltando a fazer exigências quanto a esta matéria para que se encontre uma solução efetiva.

“Aquilo que exigimos é que se abra uma linha de crédito diretamente ao Banco Europeu de Investimento ou um aviso de abertura no âmbito do POSEUR exclusivamente para substituição de condutas e construção de separativos. São milhões de investimento, e nenhuma autarquia tem essa capacidade”, fez notar.

Por outro lado, e ainda que a nova empresa Tejo Ambiente venha assegurar a realização de investimento nesta matéria prevendo investimentos para 2020 na casa dos 18 a 22 milhões de euros, contemplando construção de separativos, não é suficiente. “O problema é que as condutas existem e tem que haver reabilitação e tem que existir essa linha de crédito ou o aviso de abertura para que possamos concorrer e acabar de uma vez com esta questão”, reiterou.

PSD de Tomar reage à poluição do rio Nabão e afirma que há “impunidade consentida” junto da APA e do Ministério do Ambiente

A Comissão Política do PSD de Tomar tomou posição pública através de um comunicado partilhado nas redes sociais, que abaixo transcrevemos integralmente.
“Assistimos ontem a mais uma inaceitável descarga poluente no nosso Rio Nabão. É uma vergonha! Palavra muito em voga na política nacional, mas que se aplica perfeitamente à realidade do Rio Nabão e que, infelizmente, tudo leva a crer que não será a última vez.
Há vários meses que o Nabão tem sofrido repetidos atentados ambientais, com manchas poluidoras perfeitamente visíveis no caudal do rio, com impactos significativos na fauna, na flora e, certamente, na saúde pública. Espanta-nos que face a esta situação, do conhecimento de todos, as entidades responsáveis não façam nada. Tudo continua como se nada se passasse.
As tomadas de posição de autarcas de deputados parecem não ter qualquer efeito junto da APA e do Ministério do Ambiente. Há, aparentemente, uma impunidade consentida!
Num momento em que as questões ambientais estão, mais do que nunca, na ordem do dia, no País e no Mundo, é inconcebível que isto aconteça na nossa terra. As consequências destas descargas poluidoras são demasiado graves para o rio Nabão, não o podemos aceitar! Não aceitamos um rio Nabão poluído, sem vida, parte fundamental da beleza natural da nossa cidade.
O PSD de Tomar, como os tomarenses, não pode ficar indiferente e resignado a este estado de coisas. Cabe ao Município, como primeiro e principal responsável pelo nosso território, assegurar que esta situação não se repetirá e que o Rio Nabão não terá que sofrer mais nenhum atentado ambiental. Basta de palavras, basta de tomadas de posição, é hora de ação!”, termina.

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