Tomar | Obras no novo hotel revelam importantes achados arqueológicos (c/vídeo e fotos)

Moedas, peças de cerâmica e estruturas no subsolo foram alguns dos achados arqueológicos encontrados durante as obras de construção do novo “Hotel República”, que está a ser erguido na Praça da República. Na sexta-feira, 28 de setembro, no âmbito das Jornadas Europeias do Património em Tomar, foi promovido um “Dia Aberto” possibilitando aos munícipes e turistas perceberem melhor a importância destes achados, com dezenas de pessoas, divididas em vários grupos, a participarem em visitas coordenadas pelo arqueólogo José António Pereira, da empresa Nova Arqueologia, que está encarregue das sondagens arqueológicas.

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“Este hotel vai ter um restaurante e precisa de uma cozinha e áreas técnicas e por isso vai ter uma cave. Tendo em conta o grande volume de terras que saiu com vista a essa construção, existiu a necessidade de se fazerem sondagens arqueológicas”, explicou José António Pereira.

Os visitantes ficaram a saber que a intervenção arqueológica permitiu a recuperação de um conjunto significativo de objetos arqueológicos, sobretudo moedas e cerâmica bem como a deteção de um conjunto de estruturas, maioritariamente de carácter habitacional, que ajudaram a conhecer melhor a evolução da cidade neste local, pelo menos desde a época templária e o quotidiano da vivência deste espaço ao longo de vários séculos. Numa das paredes estava inscrito um número de polícia dando a entender que esta área de construção anteriormente era apenas rua.

Dezenas de pessoas manifestaram interesse em saber mais sobre os achados arqueológicos no novo hotel República Foto: mediotejo.net

O Hotel República, que está a ser construído no coração do centro histórico da cidade, resulta de um investimento do casal António e Laurence Borges, no valor de cerca de dois milhões de euros, devendo abrir ao público em meados do próximo ano. Em curso está a alteração e remodelação de dois edifícios sitos na Praça da República, n.º 41 e Rua Silva Magalhães, n.ºs. 86 a 94, em Tomar, que será composto por cinco pisos na totalidade, um dos quais abaixo do solo (para área de economato, cozinha, lavandaria, etc.).

Ambos os imóveis se inserem no Grau de Proteção 1— Cat. VIII, Imóvel de Acompanhamento e, conforme o previsto no regulamento do Plano de Salvaguarda do Núcleo Histórico da Cidade de Tomar e são abrangidos pela Zona Especial de Proteção da Igreja de São João Batista, MN – Monumento Nacional.

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As estruturas detetadas durante os trabalhos arqueológicos são de diferentes cronologias, com destaque, numa primeira avaliação para o período compreendido entre a regência da Ordem de Cristo do Infante D. Henrique (c.1420), e o final do reinado de D. Manuel I (1521), mas com ocupação contínua até à atualidade.

Moedas, peças de cerâmica e estruturas no subsolo foram importantes achados durante as escavações Foto: mediotejo.net

Os resultados dos trabalhos arqueológicos e as estruturas postas a descoberto afiguram-se, segundo os promotores e equipa de arqueologia, “de excepcional importância ao aprofundamento do conhecimento da história da cidade de Tomar”.  Estas estruturas e achados não inviabilizam a pretensão do promotor em construir o piso enterrado, uma vez que está assegurado o princípio da conservação pelo registo dos contextos arqueológicos e estruturas em presença mas que devem ser retiradas do local com vista à construção projetada.

Tomar — Dia Aberto jornadas do Património, achados arqueológicos no Hotel República/ explicações pelo arqueólogo José António

Publicado por mediotejo.net em Sexta-feira, 28 de Setembro de 2018

 

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