Tomar | Militares da 6FND/MINUSCA partem hoje para a República Centro Africana

O grosso do contingente da 6ª Força Nacional Destacada-Conjunta/MINUSCA (6FND (Conj)/MINUSCA) segue esta quinta-feira, dia 12, para a República Centro Africana (RCA), constituindo-se durante seis meses como Força de Reação Rápida (Quick Reaction Force –QRF), sob o controlo operacional do Comandante Militar da MINUSCA. Em cerimónia militar que decorreu em julho na Praça da República, em Tomar, o Chefe do Estado-Maior do Exército entregou o Estandarte Nacional ao Comandante da 6FND (Conj)/MINUSCA, símbolo da Pátria e do reconhecimento e estímulo aos 180 militares que seguem para Bangui, capital da RCA.

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José Nunes da Fonseca, Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME) disse que o teatro de operações na RCA representa “um ambiente extremamente adverso, porventura dos mais exigentes desde que Portugal iniciou a sua participação em operações de apoio à paz”, tendo destacado a unanimidade nas impressões das autoridades governamentais da RCA, da MINUSCA e da Missão da União Europeia quanto ao reconhecimento dos resultados operacionais obtidos pelos militares portugueses.

Foto: Joana Rita Santos/mediotejo.net

A 6ª Força Nacional Destacada-Conjunta/MINUSCA irá atuar como força de primeira intervenção do Comandante da MINUSCA em todo o território da RCA, com um efetivo de 180 militares. O efetivo estrutura-se com um Comando e Estado-Maior, um Destacamento de Apoio, uma Companhia de Paraquedistas, uma Equipa de Controlo Aéreo Tático (da Força Aérea Portuguesa) e um Módulo de Viaturas Blindadas de Rodas 8×8 Pandur.

O comandante do 1BIPara e, por inerência, da 6FND/MINUSCA, é o Tenente-coronel de Infantaria Paraquedista Victor Sérgio Antunes Gomes.

A partida dos primeiros militares decorreu na segunda quinzena de agosto e a dos restantes, o grosso da força, esta quinta-feira, dia 12 de setembro.

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A missão do contingente português passa pela proteção de civis contra a violência física; apoio à implementação no processo de transição; facilitação imediata, total e sem constrangimentos de iniciativas de assistências humanitárias; proteção de pessoal e instalações da ONU; promoção e proteção dos direitos humanos; apoio à implementação da justiça nacional, internacional e de um Estado de direito; apoio as autoridades no planeamento e implementação da estratégia de desarmamento, desmobilização e reintegração

A 6FND(Conj)/MINUSCA deu início ao seu aprontamento a 25 de março de 2019 e atingiu a sua certificação na semana de 1 de agosto. Este aprontamento passou por preparar técnica, física e psicologicamente os militares, dotando-os com as competências técnico profissionais necessárias ao desempenho das suas tarefas, algo que foi reforçado pelo Comandante da 6FND (CONJ) MINUSCA e pelo CEME, General José Nunes da Fonseca.

Tenente-Coronel Victor Sérgio Antunes Gomes, Comandante da 6FND (CONJ) MINUSCA. Foto: Exército Português

Após início da cerimónia militar e prestadas as honras militares à Alta Entidade que presidiu à cerimónia, o Comandante da 6FND (CONJ) MINUSCA fez alocução em nome do batalhão que segue consigo para a RCA, não esquecendo o processo de aprontamento e certificação, bem como a importância das famílias e amigos para o bem-estar e estímulo aos militares.

“Às nossas famílias rendemos a merecida homenagem pelo apoio efetivo, resignação contida, compreensão e estímulo pela nossa saúde moral”, referiu o Tenente-coronel.

“Conscientes da missão que iremos desempenhar, o nosso aprontamento foi intenso. Adquirimos desde logo a convicção plena de que estamos munidos do estofo psicológico, técnico e tático adequados de forma criteriosa e profissional”, descreveu, acrescentando que “a cada dia que passava, a compreensão e a entreajuda cimentavam-se, contribuindo para uma sã camaradagem, essencial para fazer face a qualquer contrariedade ou dissabores que estas missões comportam”.

Segundo o Comandante da 6FND, a força está ciente de que “a empresa que nos aguarda é espinhosa e complexa, mas estamos bem preparados e mentalizados. Seremos sempre prudentes, atentos, e não iremos descurar os mais pequenos detalhes da segurança e das regras de empenhamento que enquadram a nossa missão”, disse, acrescentando que muitos militares desta unidade “já adquiriu alguma veterania neste tipo de missão, indispensável para a transmissão de lições aprendidas, essenciais a este tipo de emprego de forças”.

Antunes Gomes augura um “cumprimento de missão com sucesso”, mas sublinhou que apesar dos “indícios favoráveis” os militares vão manter-se atentos, “evitando os incidentes e problemas que sempre espreitam os incautos”.

O Comandante da 6FND disse ter “enorme orgulho por comandar esta força deste batalhão, com tais pergaminhos e um conjunto de militares deste gabarito”, assegurando que “todos eles estão bem conscientes de serem apenas peões de uma mais vasta organização, vital para a garantia da liberdade dos povos”.

Deixando a garantida de permanecerem “atentos, confiantes, disponíveis e seguros”, o Tenente-Coronel frisou que “os militares da 6FND Conjunta sabem, querem e podem. E honram o nosso lema – «Nós outros cuja fama tanto voa»”, terminou.

General José Nunes da Fonseca, Chefe de Estado Maior do Exército. Foto: Joana Rita Santos/mediotejo.net

Seguiu-de alocução do Chefe de Estado Maior do Exército (CEME), que agradeceu a presença dos tomarenses e familiares que compareceram para dar “estímulo acrescido aos militares da 6FND Conjunta para a Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro Africana (MINUSCA)”.

“A cerimónia de entrega do Estandarte Nacional a uma Força assinala formalmente o reconhecimento da respetiva e competente habilitação para a missão que irá assumir”, afirmou.

Por outro lado, lembrou que 6FND Conjunta foi objeto de “exigente período de preparação, no qual foram cumpridos os indispensáveis passos administrativos e realizado o adequado treino dos procedimentos de rotina da missão atribuída” onde se aprimorou “a preparação física e psicológica de cada um, sem exceção, como fator de robustecimento da segurança individual e coletiva da força”.

“A postura e proficiência globais ficaram devidamente demonstradas no exercício BANGUI 192, que culminou na certificação da força, ou seja, na confirmação de que as valências existentes e qualificações adquiridas são as necessárias e suficientes para o seu cabal desempenho. A 6FND Conjunta preparou-se para ser QRF (Quick Reaction Force), do Comandante de MINUSCA para todo o território da RCA”, contextualizou o General.

Quanto ao teatro de operações na RCA, representa “um ambiente extremamente adverso, porventura dos mais exigentes desde que Portugal iniciou a sua participação em operações de apoio à paz”, indicou o CEME, salientando de seguida que existe unanimidade nas impressões das autoridades governamentais da RCA, da MINUSCA e da Missão da União Europeia quanto ao “reconhecimento dos notáveis resultados operacionais obtidos pelos militares portugueses”.

“A vossa força assumir-se-á na esteira das antecessoras como a força decisiva do Comandante Militar da MINUSCA. O seu emprego estará previsto em momentos de grande exigência e em extrema tensão, que requererão elevada concentração de todos vós. Exigência à qual haverá que responder com elevada coesão, grande entreajuda e adequada serenidade. Qualidades a preservar e permanentemente orientadas para o apoio ao processo de paz e para a proteção da população civil”, disse, dirigindo-se à formatura.

O CEME manifestou ainda “apreço e reconhecimento” aos Comandos do Exército envolvidos na preparação e aprontamento desta Força, referindo-se particularmente à Brigada de Reação Rápida e do Regimento de Infantaria nº15.

Tecendo palavras de consideração e tranquilidade aos familiares e amigos dos militares, reconheceu “o papel determinante que lhes cabe no apoio de retaguarda, garantindo ajustada estabilidade emocional e ânimo suficiente à distância, de modo a permitir os militares a agir de forma segura e determinada na consecução das tarefas” e para que estes possam atuar com “coragem, abnegação e capacidade de superação”.

Foto: Joana Rita Santos/mediotejo.net

Também transmitiu tranquilidade, assegurando que o Exército e a Força Aérea garantirão esforços “para que sejam proporcionadas as mais adequadas condições de segurança, logísticas, materiais e de bem-estar, de modo a ultrapassar todos os desafios e a debelar as previsíveis ameaças”.

O Estandarte Nacional, entregue ao Comandante da 6FND e posteriormente integrado na Força, é “símbolo da Pátria, para guardar e honrar, e será símbolo de motivação acrescida, lembrando-vos que se constituem dignos sucessores dos inúmeros militares que engrandecem a nossa história”, referiu o CEME.

Por fim, Nunes da Fonseca lembrou que a presença desta 6ª Força Nacional Destacada “deixará um marcado agradecimento da população da República Centro Africana, pelo sincero apego humano a quem sofre e que se viu protegido e defendido”.

“Recebam, de todos nós, os votos de boa sorte para a missão, na certeza de o vosso contributo para um engrandecimento do Exército e da Força Aérea, assim como para o reforço da imagem pública e aceitação das Forças Armadas de Portugal”, concluiu o Chefe de Estado Maior do Exército.

Terminada a cerimónia, após desfile das Forças em Parada, em continência à Alta Entidade, seguiu-se atuação da Banda Militar do Exército, tendo havido uma visita à exposição estática da 6FND/CONJ/MINUSCA na Rua Serpa Pinto e na Casa Vieira Guimarães.

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