Tomar | Empreendedorismo é bem-vindo mas não deve afetar a identidade cultural das regiões

O empreendedorismo pode ser um grande aliado da cultura e do património não devendo afetar, no entanto, a identidade cultural das regiões. Esta foi uma das muitas considerações feitas durante a conferência pública “Empreendedorismo vs. cultura/património” promovida pelo Bloco de Esquerda na tarde de domingo, 19 de março, na sede da Junta de Santa Maria dos Olivais, em Tomar.

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Um evento que contou com a participação dos deputados da Assembleia da República, eleitos pelo Bloco, Carlos Matias e Jorge Campos.

Maria da Luz Lopes, do Bloco de Esquerda de Tomar, referiu que depois do colapso das pequenas e médias indústrias da região se começou a pensar que o futuro de Tomar passa pelo Turismo. “A cidade de Tomar sempre foi relacionada com a Cultura e com o Turismo mas temos que perceber porque é que isso não se tem desenvolvido e, por isso, decidimos promover esta iniciativa”, referiu.

Aos presentes realçou que o concelho de Tomar tem quase 100 associações culturais, quatro bandas filarmónicas, sete ranchos folclóricos, grupos de teatro… temos que pensar que a Cultura também é o dia-a-dia das pessoas. As associações culturais estão a fazer um bom trabalho, juntando as pessoas e intervindo na sua região”.

Tomar | Empreendedorismo é bem-vindo mas não deve afetar a identidade cultural das regiões
Carlos Matias deixou algumas preocupações e conselhos aos tomarenses Foto: mediotejo.net

Carlos Matias começou por avisar os presentes que “quem sabe de Tomar são os tomarenses” e que, por este motivo terão que ser eles a “imaginar as soluções” para resolver os problemas da cidade e do concelho.  De acordo com o mesmo “a cultura também é o Património. E nisso, Tomar é extremamente rico”, devendo-se refletir como é que se pode tirar proveito deste património ao nível turístico.

O deputado do Bloco de Esquerda aconselhou os tomarenses a “revalorizarem o que aqui existe”, nunca perdendo a sua visão da sua identidade. “Como é que em  Tomar se pode revalorizar esse património cultural, no sentido amplo da palavra?”, questionou.

Considera ainda que num mundo que “é tão globalizado e com uma cultura de massas que esmaga as culturas tradicionais” se deve preservar as culturas locais mas mantendo uma visão cosmopolita. Destacou ainda o incremento da agricultura familiar nas regiões, “um tema emergente na agenda política” acrescentando que esta voltou por razões de ordem económica e ambiental.

“Proponho que nesta região, com um potencial agrícola significativo, o mesmo fosse olhado como um sector importante, sendo que seria importante a autarquia tomarense criar circuitos de comercialização”, defendeu.

Tomar | Empreendedorismo é bem-vindo mas não deve afetar a identidade cultural das regiões
Sessão juntou pouco público no edifício da Junta de Santa Maria Foto: mediotejo.net

Jorge Campos, por seu lado, referiu que a “turistificação” comporta um grande risco, uma vez que as cidades vão “gradualmente prescindido do que precisam” em função daquilo que se julga que vai atrair as pessoas. “O modo como lidamos com o Património é muito importante. Manter o carácter identitário é fundamental, sendo que a cultura é um músculo da cidadania”, atestou.

Jorge Campos deu como exemplo o Programa “Revive” que consiste na reabilitação de monumentos nacionais num contexto de parceria público-privada. “Parte do monumento é afeta à iniciativa privada, tendo em vista a construção de hotéis ou cafetarias” desde quando o núcleo principal do monumento não seja afetado. “Sei que não há nenhum empresário que invista para perder dinheiro e há um perigo real destas intervenções subverterem o fundamental daquele monumento”, disse, considerando que a garantia dos cidadãos aos monumentos deve ser salvaguardada.

No final da sessão, Maria da Luz Lopes, referiu “Tomar esteve sempre no centro do poder mas hoje não é um centro de poder. Estou a lembrar-me da aldeia onde moro (Cem Soldos) e sabemos que só ao fim-de-semana é que contámos com os jovens porque foram obrigados a sair de Tomar para trabalhar”, exemplificou, considerando que se deve lutar para que o concelho volte a ser um atrativo para fixar os mais jovens.

Referiu-se ainda à existência de várias rotas turísticas mas considerou que as mesmas podem não ser suficientes para criar mais postos de trabalho ou meios de subsistência. “Na minha opinião, falta encontrar essa solução para a cidade. Às vezes, pequenas soluções criativas podem dar a volta a uma cidade”, apontou.

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