Tomar | City Hack, 24 horas para melhorar a cidade (c/ entrevista)

Ideia. Foto: DR

O desafio do Instituto Politécnico de Tomar é ambicioso: 24 horas para apresentar soluções tecnológicas que melhorem a vida das cidades. A terceira edição da iniciativa arranca este sábado, dia 11, no Complexo Cultural da Levada e, a poucos dias antes da buzina indicar o minuto zero, já tinham sido 17 as equipas a dizer “sim”. Fomos conversar com Nuno Madeira, vice-presidente do IPT, para conhecer melhor a maratona de 24 horas que este ano junta alunos de todo o país com o mote “A Cidade como Plataforma Social”.

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O Complexo Cultural da Levada tem uma história densamente ligada à evolução da cidade de Tomar, desde dos Lagares d’El Rei à produção industrial nos séculos XIX e XX, associada à carpintaria, serralharia, fundição e central elétrica. Os novos tempos do território onde se situam os edifícios próximos da Ponte Velha trouxeram desafios e este fim-de-semana dezenas de alunos do ensino superior juntam-se neste local para pensar as cidades numa ótica tecnológica e social.

O Instituto Politécnico de Tomar organiza a terceira edição do City Hack e espera-se que a maratona de 24 horas resulte em soluções eficazes que, no futuro, se materializem na melhoria de vida das populações. Nuno Madeira, vice-presidente do IPT, recebeu-nos no campus de Tomar e a conversa focou-se na essência deste hackathon apoiado pela Fundação Calouste Gulbenkian.

O City Hack é uma marca registada do IPT e surgiu no seguimento da tendência mundial deste tipo de eventos, integrado na cadeira de Planeamento e Gestão de Projetos. A primeira edição foi planeada com o objetivo de preencher uma lacuna “relativamente a soluções para cidades”, colocando em primeiro lugar as necessidades das pessoas e envolvendo o maior número de alunos e docentes.

Nuno Madeira durante a entrevista. Foto: mediotejo.net

Nesse sentido, deu-se continuidade à lógica de proximidade entre as diversas áreas curriculares e profissionais que convivem ao longo do ano letivo. Nuno Madeira – que já tinha o know-how do hackathon realizado na fábrica do Mitsubishi, no Tramagal – destaca o interesse em ter um City Hack tecnológico conjugado com áreas além da engenharia informática, como as artes, o restauro ou a gestão.

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Os primeiros desafios foram colocados em 2017 aos estudantes do ensino superior, universidades e institutos politécnicos, na expetativa de surgirem soluções integradas, transversais e abrangentes. O mote manteve-se em 2018 e foi reforçado este ano com o número de equipas, participantes e estabelecimentos de ensino a registar uma tendência crescente.

Nesta terceira edição, o prazo das inscrições foi prolongado até à data do evento, aumentando o desafio da organização logística que envolve, por exemplo, nove refeições. A poucos dias do início do City Hack já se tinham inscrito 17 equipas com elementos de 12 instituições de ensino superior e de 26 cursos diferentes. Em 2017 participaram 16 equipas e 10 instituições e em 2018 os números subiram para 20 equipas e 11 instituições.

Vídeo da edição de 2018. Vídeo: IPT

Aos alunos portugueses que viajam quer do interior da região do Médio Tejo, quer de Coimbra, Lisboa ou Porto, juntam-se os de nacionalidade estrangeira que frequentam o programa Erasmus, levando a que muitas das apresentações sejam feitas em inglês. Este ano são duas equipas e o vice-presidente do IPT destaca a importância desta participação pois “nós queremos que Tomar seja uma referência tecnológica e de turismo”.

Outra curiosidade do hackathon do IPT é a existência de equipas mistas, com alunos de instituições de ensino diferentes, à qual se junta a possibilidade dos grupos incluírem um elemento sem ligação à formação superior, abrindo a participação no hackathon a particulares ou empresas. Acresce a particularidade de ser um evento “plastic free” no qual, por exemplo, o plástico é substituído pela porcelana na loiça e pelo alumínio nas garrafas.

Nesta edição destaca-se o tema “A Cidade como Plataforma Social”, resultante do contacto por parte da Fundação Calouste Gulbenkian, no âmbito do projeto Hack for Good, que integra o Programa Gulbenkian Coesão e Integração Social. Segundo Nuno Madeira, a proposta de apresentar desafios relacionados com questões sociais foi ao encontro da vontade da organização em “querer fazer diferente”.

Os estudantes vão trabalhar soluções com a orientação de diversas entidades do concelho ligadas à área social, contactadas pelo IPT. As equipas, com três a seis elementos, vão ter a seu lado mentores ligados ao IPT, Câmara Municipal, CPCJ – Comissão de Proteção de Crianças e Jovens, Santa Casa da Misericórdia, Cáritas, Paróquia de Tomar, CIRE – Centro de Integração e Reabilitação e CAST – Centro de Assistência Social de Tomar.

Campus do IPT em Tomar. Foto: mediotejo.net

As equipas terão de convencer o júri da sua eficácia das soluções ao nível do envelhecimento ativo, da integração dos refugiados e migrantes nas sociedades de acolhimento, do bem-estar das crianças e jovens, das pessoas com necessidades especiais, da transformação sustentada do mercado de trabalho, do desenvolvimento sustentável ou outro desafio com impacto social.

O primeiro prémio, chamado “Hack for Good” é no valor monetário de €2.000 e destaca o melhor projeto entre os três mais votados. É entregue com o segundo e terceiro prémios na tarde de domingo e fazem-se as despedidas com a ânsia do início da fase mais ambicionada, a da “implementation” (implementação) com apoio técnico especializado.

Esta fecha o ciclo iniciado com a fase “inspiration”, seguida da “ideation” e do hackathon em que Nuno Madeira destaca a presença de entidades públicas e empresariais que podem abrir janelas de oportunidade para as soluções apresentadas. Entre elas estão os parceiros do IPT nesta iniciativa, como a Critical Software, Noesis, SoftInsa, Santander, Compta, Bons Sons, Next Solution e Taikai.

Desafio lançado. Participantes prontos. Buzina a postos. Que comece o City Hack!

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