Tomar | As fabulosas estátuas que dão outra vida à cidade

"Poema de amor de António e Cleópatra", 1º lugar (sábado) Foto: Joana Rita Santos/mediotejo.net

O centro de Tomar acolhe no parque do Mouchão e no jardim da Várzea Pequena a sétima edição do Festival de Estátuas Vivas, uma iniciativa que mobiliza dezenas de artistas com performances exclusivas. Este ano, o evento começou com um périplo pelas estátuas que serviam representações tão fiéis quanto sensíveis aos escritos da poetisa Sophia de Mello Breyner, assinalando o centenário do nascimento da autora. Ao final da tarde deste domingo, com outro roteiro e novas performances, será eleita a melhor Estátua Viva do Mundo.

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Em cada estátua podia ler-se e sentir-se o trecho da obra ali ilustrada, ao vivo e a cores. A corrida para colecionar estátuas vivas fazia-se sentir minutos depois da abertura ao público, e não houvesse interrupção do horário de visita, ambos os jardins teriam sempre curiosos prontos a regalar os olhos com tamanha beleza e firmeza daqueles homens e mulheres que se expõem nas ruas pelo amor à arte.

Este sábado, acompanhados por Nuno Garcia Lopes, escritor e técnico de comunicação na Câmara Municipal de Tomar, pudemos viajar pelo mundo de Sophia de Mello Breyner, ouvindo trechos das obras selecionadas para figurarem ali, semeando cultura por aqueles dois espaços verdes de Tomar.

Jovens foram participando, declamando a obra de Sophia e acolhendo a atenção dos visitantes. Começamos com a menina dentro da jarra, d O Rapaz de Bronze, florida e pura, para depois passarmos à representação d’ O espelho ou o retrato vivo, do livro A Árvore.

A Menina do Mar não foi esquecida e aqueles tons de azul, esverdeados e escarlate a lembrar os corais destacavam-se por entre o relvado, onde se ouvia o trecho sobre a saudade, “a tristeza que fica em nós quando as coisas de que gostamos se vão embora”.

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Daí passamos para Mónica, dos Contos Exemplares, que observamos enquanto faz tricô ao lado do marido, aquele “homem importantíssimo”, que é nomeado para cargos de administração enquanto ela se empenha em obras de caridade, doando casacos às “crianças que os seus amigos condenam à fome”.

Foto: Joana Rita Santos/mediotejo.net

Depois transportados para o colorido e animado mundo do circo, contempla-se Os Ciganos, obra que Sophia de Mello Breyner não terminou, mas que o seu neto Pedro Sousa Tavares acabou por cumprir. E enquanto se assiste atento à quietude da performance, eis que as estátuas se movem, abrindo as asas da imaginação ao som da caixa de música, para encher de cor o trecho representado, saindo da saia da artista a tenda circense onde estariam o rapaz e a rapariga do arame que Ruy observava.

Avançamos por entre os temas de mar, pelo qual Sophia tanto demonstrava admiração na sua obra, passando por Infante D. Henrique e pela Ninfa ainda em últimos retoques, para terminar com o poema de amor de António e Cleópatra, junto à roda do Mouchão.

Partimos para a segunda ronda, no jardim da Várzea Pequena. E continuamos na viagem pela história e personagens dos tempos idos, com Pompeia, Che Guevara, São Tiago de Compostela, os soldados do 25 de Abril ao som de Sérgio Godinho e as criaturas fantásticas da mitologia grega como o Minotauro.

A poesia trouxe Caxias 68 com o amor “confirmado” na porta de grades, em olhos de imenso azul que se fundia na música lírica que entoava no coreto do jardim.

Minotauro. Foto: Joana Rita Santos/mediotejo.net

Por fim, rendemo-nos à real e cómica expressão do duo que interpretava “as pessoas sensíveis” do Livro sexto, onde alguém matava galinhas pelo barrigudo que, incapaz de as matar e até chocado com tal ato, mostrava-se faminto e com vontade de as comer, passando com a mão na barriga a dar horas.

Ali, outras pessoas sensíveis se mostravam interessadas, apreciando os detalhes, fotografando-os e partilhando emoções, discutindo esta forma diferente de fazer arte.

Não é para todos estas performances. E não pode passar despercebido o facto de ali, perante os visitantes, estarem os melhores artistas internacionalmente conhecidos e oriundos de todo o mundo.

Vídeo: Entrevista a Filipa Fernandes, vereadora da Câmara Municipal de Tomar com o pelouro da Cultura e Turismo, falou ao mediotejo.net sobre a importância deste evento que preenche o programa cultural da cidade ao longo de dois dias, atraindo não só os tomarenses, mas também visitantes da região e outras partes do país.

Tomar – Filipa Fernandes, vereadora da Câmara Municipal com o pelouro da Cultura e Turismo, falou ao mediotejo.net no arranque do Festival de Estátuas Vivas, que decorre este fim-de-semana no parque do Mouchão e no Jardim da Várzea Pequena. Esta mostra conta com performances por parte de artistas de todo o mundo. Este domingo estarão a concurso internacional 17 quadros, entre os quais os 10 finalistas do Living Statues Master. Será entre estes eleita a melhor Estátua Viva do Mundo.

Publicado por mediotejo.net em Sábado, 7 de setembro de 2019

 

Espreite a fotogaleria com registos do primeiro dia, dedicado à vida e obra da poetisa Sophia de Mello Breyner

 

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