Tancos | Ex-ministro da Defesa suspeito de dar aval à recuperação encenada das armas

Azeredo Lopes, enquanto ministro da Defesa, no Campo Militar de Santa Margarida. Foto: mediotejo.net

O ex-ministro da Defesa, Azeredo Lopes, é suspeito de saber, desde o início, do plano da Polícia Judiciária Militar para a recuperação do material de guerra roubado dos paióis de Tancos, noticia a revista Sábado, que teve acesso ao despacho de apresentação de Azeredo Lopes ao juiz de instrução.

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Foi a 18 de outubro de 2017 que a Polícia Judiciária Militar revelou o aparecimento do material que havia sido furtado em Tancos em junho desse ano: granadas, incluindo antitanque, explosivos de plástico e uma grande quantidade de munições. O “achamento” deu-se na região da Chamusca, a 20 quilómetros de Tancos, em colaboração com elementos do núcleo de investigação criminal da GNR de Loulé.

Os procuradores do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) sustentam que, em agosto de 2017, dois meses antes de as armas terem reaparecido na Chamusca, Azeredo Lopes teve uma reunião com o ex-director da Polícia Judiciária Militar, Luís Vieira, na qual foi informado do plano para a recuperação do material, dando o seu aval. O ex-ministro da Defesa será assim suspeito dos crimes de denegação de justiça, prevaricação e abuso de poder.

Segundo a Sábado, o despacho do MP sustenta que nessa reunião Luís Vieira deu conhecimento a Azeredo Lopes de que “tinha tido informações, por militares da GNR de Loulé, da existência de um indivíduo que tinha subtraído e escondido o material militar” e que “estava disposto a negociar a entrega do material”, contando com o apoio de alguns militares da GNR.  O MP refere também que o ex-ministro ficou “ciente” de que elementos da PJM pretendiam “fazer uma investigação paralela à revelia da PJ e do Ministério Público” e que estavam a negociar com um dos suspeitos do furto, não dando “conhecimento desses factos à PGR, nem à Polícia Judiciária [civil], tendo aceite os mesmos, sendo certo que podia e devia ter-lhes posto fim, opondo-se, desde logo”.

Em maio deste ano Azeredo Lopes prestou declarações na Comissão Parlamentar de Inquérito ao furto de material de guerra em Tancos, negando veementemente ter sabido da operação clandestina realizada por elementos da PJM à revelia da PJ civil e do DCIAP.

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O caso de Tancos, entre suspeitos do furto e do “encobrimento”, já tem 25 arguidos, com acusações de associação criminosa, tráfico de armas e terrorismo.

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